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 Spandanirṇaya: Seção I (aforismos 1 a 2)

Tradução normal

Tradução ao português brasileiro em progresso


 Introdução

Começa o Spandanirṇaya. Inicialmente Kṣemarāja apresenta uma oração propiciatória a Śakti (o Poder de Śiva). Após isso, ele explica a relação entre os Śivasūtra-s e as Spandakārikā-s (a escritura a respeito da qual ele comentará). Em terceiro lugar, ele resume o conteúdo de toda a escritura, incluindo o da primeira seção. Por fim, ele passa a comentar a respeito dos aforismos propriamente ditos.

Este é o primeiro grupo de aforismos, contendo 2 dos 25 que formam a primeira parte (a qual versa sobre Svarūpaspanda, ou o Spanda como a sua própria natureza). Como você sabe, a obra completa é composta pelos 53 aforismos das Spandakārikā-s mais seus respectivos comentários.

Obviamente eu inserirei os aforismos originais, a respeito dos quais Kṣemarāja comentará. Ainda que eu não comente os sūtra-s originais e nem as pontuações de Kṣemarāja, redigi algumas notas, a fim de esclarecer alguns pontos quando necessário. Se você quiser uma explicação detalhada, vá a "Escrituras (estudo)|Spandanirṇaya" na seção Trika.

O Sânscrito de Kṣemarāja estará em verde escuro, enquanto os aforismos originais de Vasugupta estarão em vermelho escuro. Em contrapartida, dentro da transliteração, os aforismos originais estarão em marrom, enquanto os comentários de Kṣemarāja estarão em preto. Também, dentro da tradução, os aforismos originais de Vasugupta, i.e. as Spandakārikā-s, estarão em preto e verde, enquanto o comentário de Kṣemarāja conterá palavras tanto em preto quanto em vermelho.

Se você está se perguntando por que eu, neste primeiro documento, estou "apenas" incluindo a tradução dos dois primeiros aforismos, e seus respectivos comentários... bem, você em breve encontrará a resposta, confie em mim.

Leia o Spandanirṇaya e experimente Ānanda Suprema, a Divina Bem-Aventurança, querido Śiva.

Importante: tudo que estiver entre colchetes e em itálico dentro da tradução foi adicionado por mim, visando completar o sentido de uma frase ou sentença em particular. Além disso, tudo que estiver entre dois hífens (--...--) constitui informação adicional esclarecedora, também adicionada por mim.

início


 ORAÇÃO PROPICIATÓRIA A Śakti

सर्वं स्वात्मस्वरूपं मुकुरनगरवत्स्वस्वरूपात्स्वतन्त्र-
स्वच्छस्वात्मस्वभित्तौ कलयति धरणीतः शिवान्तं सदा या।
दृग्देवी मन्त्रवीर्यं सततसमुदिता शब्दराश्यात्मपूर्णा-
हन्तानन्तस्फुरत्ता जयति जगति सा शाङ्करी स्पन्दशक्तिः॥१॥

स्पन्दामृते चर्वितेऽपि स्पन्दसन्दोहतो मनाक्।
पूर्णस्तच्चर्वणाभोगोद्योग एष मयाश्रितः॥२॥

सम्यक्सूत्रसमन्वयं परिगतिं तत्त्वे परस्मिन्परां
तीक्ष्णां युक्तिकथामुपायघटनां स्पष्टार्थसद्व्याकृतिम्।
ज्ञातुं वाञ्छथ चेच्छिवोपनिषदं श्रीस्पन्दशास्त्रस्य त-
द्वृत्तावत्र धियं निधत्त सुधियः स्पन्दश्रियं प्राप्नुत॥३॥

Sarvaṁ svātmasvarūpaṁ mukuranagaravatsvasvarūpātsvatantra-
svacchasvātmasvabhittau kalayati dharaṇītaḥ śivāntaṁ sadā yā|
Drigdevī mantravīryam satatasamuditā śabdarāśyātmapūrṇā-
hantānantasphurattā jayati jagati sā śāṅkarī spandaśaktiḥ||1||

Spandāmṛte carvite'pi spandasandohato manāk|
Pūrṇastaccarvaṇābhogodyoga eṣa mayāśritaḥ||2||

Samyaksūtrasamanvayaṁ parigatiṁ tattve parasminparāṁ
tīkṣṇāṁ yuktikathāmupāyaghaṭanāṁ spaṣṭārthasadvyākṛtim|
Jñātuṁ vāñchatha cecchivopaniṣadaṁ śrīspandaśāstrasya ta-
dvṛttāvatra dhiyaṁ nidhatta sudhiyaḥ spandaśriyaṁ prāpnuta||3||


Ela (sā), o Poder (śaktiḥ) da Vibração Primordial (spanda), a Śakti de Śaṅkara (śāṅkarī), a qual (yā) sempre (sadā) percebe (kalayati) todas (as categorias, ou tattva-s,) (sarvam) que constituem a natureza fundamental (sva-rūpam) do seu próprio (sva) Ser (ātma) — da terra (dharaṇītaḥ) até Śiva (śiva-antam) — (percebe-as) no seu próprio (sva) tecido (bhittau), formado a partir de seu (sva) livre (svatantra) e transparente (svaccha) Ser (ātma) por meio da (anteriormente mencionada) natureza essencial (sva-rūpāt), como (vat) uma cidade (nagara) (se reflete) num espelho (mukura); (Ela, que é) a Deusa (devī) que vê --i.e. "que está consciente de"-- (dṛk) a virilidade, o poder (vīryam) do Mantra (mantra); (Ela, que é) o brilho (sphurattā) sem fim (ananta) constantemente (satata) emergindo (samuditā) da perfeita (pūrṇa) consciência do Eu (ahantā), cuja essência (ātma) (consiste) na multitude (rāśi) de sons (śabda); (Ela) é vitoriosa (jayati) (neste) mundo (jagati)||1||

Ainda que (api) o Néctar (amṛte) da Vibração Primordial (spanda) (tenha sido) levemente (manāk) saboreado (carvite) por meio do Spandasandoha (spandasandohataḥ), eu estou (agora) realizando (mayā āśritaḥ) um esforço (udyogaḥ eṣaḥ) completo, total (pūrṇaḥ) para (conceder aos discípulos) a fruição (bhoga) do (completo) saboreio (carvaṇā) d'Aquilo --i.e. o Si Mesmo Divino, na forma do Spanda-- (tad)||2||

Caso (ced) todos vocês queiram (vāñchatha) conhecer (jñātum) a doutrina secreta (upaniṣadam) de Śiva (śiva), a exata (samyak) interconexão (samanvayam) entre os aforismos (sūtra), a mais alta (parām) compreensão (parigatim) a respeito do Princípio (tattve) Supremo (parasmin), uma sagaz (tīkṣṇām) apresentação argumentativa (yukti-kathām), a aplicação correta (ghaṭanām) dos meios --i. e. os três upāya-s-- (upāya), uma explicação detalhada (vyākṛtim), correta, inteligente (sad) e clara (spaṣṭa) em significado (artha), (então,) sábios (sudhiyaḥ), fixem (nidhatta) (seu) pensamento (dhiyam) neste (atra) comentário (vṛttau) a respeito daquela (tad) escritura (śāstrasya) venerável (śrī), a qual trata da Vibração Primordial, o Spanda (spanda)(e) obtenham (prāpnuta) a riqueza (śriyam) deste (mesmo) Spanda (spanda)!||3||

início


 A relação entre os Śivasūtra-s e as Spandakārikā-s

इह हि शिवानुजिघृक्षापरपरमशिवावेशोन्मीलितमहिमा स्वप्नोपलब्धोपदेशः श्रीमान् वसुगुप्ताचार्यो महादेवपर्वताद्भगवदिच्छयैव महाशिलातलोल्लिखितान्यतिरहस्यानि शिवसूत्राण्यासाद्य प्रसन्नगम्भोरैरेकपञ्चाशता श्लोकैरागमानुभवोपपत्त्येकीकारं प्रदर्शयन्सङ्गृहीतवान्।

Iha hi śivānujighṛkṣāparaparamaśivāveśonmīlitamahimā svapnopalabdhopadeśaḥ śrīmān vasuguptācāryo mahādevaparvatādbhagavadicchayaiva mahāśilātalollikhitānyatirahasyāni śivasūtrāṇyāsādya prasannagambhorairekapañcāśatā ślokairāgamānubhavopapattyekīkāraṁ pradarśayansaṅgṛhītavān|


Aqui --i.e. neste mundo-- (iha), a grandiosidade (mahimā) da união (āveśa) com o Supremo (parama) Śiva (śiva), o qual está (sempre) desejoso (para) de conceder (Sua) graça (anujighṛkṣā) a todos (viśva), foi revelada (unmīlita) ao venerável (śrīmān) mestre (ācāryaḥ) Vasugupta (vasugupta). (Este mestre) recebeu (upalabdha) (, de Śiva, precisas) instruções (upadeśa) em sonho (svapna) (para que encontrasse alguns aforismos). Após obter (āsadya) os mais (ati) sagrados (rahasyāni) Śivasūtra-s --i.e. os aforismos de Śiva-- (śivasūtrāṇi), os quais estavam gravados (likhitāni) na superfície lisa (tala) de uma grande (mahā) rocha (śilā), unicamente (eva) por meio da Vontade Divina (bhagavat-icchayā), na montanha (parvatāt) Mahādeva (mahādeva), (Vasugupta), demonstrando (pradarśayan) a unidade, a corcondância (ekīkāram), entre raciocínio (upapatti), experiência (anubhava) (e) revelação (āgama), condensou, compendiou (sangṛhītavān) (o significado desses aforismos) na forma de 51 (ekapañcāśatā) passagens --śloka(s)-- (ślokaiḥ) (, que, apesar de) profundas (gambhīraiḥ), (são) claras e lúcidas (prasanna)|

início


 uma breve descrição do conteúdo do livro e
o sumário da primeira seção

तत्र १ पञ्चविंशत्या स्वरूपस्पन्दः २ सप्तभिः सहजविद्योदयस्पन्दः ३ एकोनविंशत्या विभूतिस्पन्द उक्तः — इति त्रिनिःष्यन्दमिदं स्पन्दशास्त्रम्। तत्र प्रथमनिःष्यन्देऽस्मिन् स्तुतिपूर्वं प्रकरणार्थः श्लोकेनोपक्षिप्तः। ततश्चतुर्भिः श्लोकैः सोपपत्तिकं स्पन्दतत्त्वं व्यवस्थापितम्। ततः श्लोकाभ्यां साभिज्ञानं तत्प्राप्तावुपाय उक्तः। श्लोकेनोपायविप्रतिपत्तिर्निरस्ता। श्लोकेनोपाय एवोपेयप्राप्त्यानुरूप्यकथनेनोपोद्वलितः। तत एकेन तदुपायलभ्यं यादृगुपेयस्य स्वरूपं तदुपदशितम्। ततस्तदवष्टम्भात्संसाराभावः श्लोकेनोक्तः। द्वयेनाभाववादिमतं व्युदस्यता तद्वैलक्षण्यं स्पन्दतत्त्वस्योक्तम्। श्लोकेन तदुल्लासितस्य कार्यस्य क्षयित्वेऽपि तदक्षयमित्याख्यातम्। एतदेव श्लोकाभ्यामुपपाद्याभाववाद एवोन्मूलितः। तत एकेन सुप्रबुद्धस्य सदैवैतत्प्राप्तिः प्रबुद्धस्य तु पूर्वापरकोट्योरित्यावेदितम्। एकेन सुप्रबुद्धस्य प्रतीतेर्विषयविभाग उक्तः। ततोऽन्येन सुप्रबुद्धस्यावरणाभावे युक्तिरूपक्षिप्ता। श्लोकेनाप्रबुद्धस्य स्थगितस्वरूपतोक्ता। तत एकेन सुप्रबुद्धतालाभाय सततमुद्यन्तव्यमित्युक्तम्। श्लोकेन व्यवहारावस्था एव काश्चित्तदितरसकलवृत्तिक्षयरूपा उद्योगस्य विषया इत्यावेदितम्। ततोऽपि प्राप्तप्रबोधेन सुप्रबुद्धतायै योग्युचितसौषुप्ततमोवरणविदलने प्रजागरितव्यमित्युक्तं श्लोकत्रयेण — इति यस्योन्मेष इत्यादेः प्रबुद्धः स्यादनावृत इत्यन्तस्य तात्पर्यम्। अथ ग्रन्थार्थो व्याख्यायते।

Tatra 1 pañcaviṁśatyā svarūpaspandaḥ 2 saptabhiḥ sahajavidyodayaspandaḥ 3 ekonaviṁśatyā vibhūtispanda uktaḥ — iti triniḥṣyandamidaṁ spandaśāstram| Tatra prathamaniḥṣyande'smin stutipūrvaṁ prakaraṇārthaḥ ślokenopakṣiptaḥ| Tataścaturbhiḥ ślokaiḥ sopapattikaṁ spandatattvaṁ vyavasthāpitam| Tataḥ ślokābhyāṁ sābhijñānaṁ tatprāptāvupāya uktaḥ| Ślokenopāyavipratipattirnirastā| Ślokenopāya evopeyaprāptyānurūpyakathanenopodvalitaḥ| Tata ekena tadupāyalabhyaṁ yādṛgupeyasya svarūpaṁ tadupadaśitam| Tatastadavaṣṭambhātsaṁsārābhāvaḥ ślokenoktaḥ| Dvayenābhāvavādimataṁ vyudasyatā tadvailakṣaṇyaṁ spandatattvasyoktam| Ślokena tadullāsitasya kāryasya kṣayitve'pi tadakṣayamityākhyātam| Etadeva ślokābhyāmupapādyābhāvavāda evonmūlitaḥ| Tata ekena suprabuddhasya sadaivaitatprāptiḥ prabuddhasya tu pūrvāparakoṭyorityāveditam| Ekena suprabuddhasya pratīterviṣayavibhāga uktaḥ| Tato'nyena suprabuddhasyāvaraṇābhāve yuktirūpakṣiptā| Ślokenāprabuddhasya sthagitasvarūpatoktā| Tata ekena suprabuddhatālābhāya satatamudyantavyamityuktam| Ślokena vyavahārāvasthā eva kāścittaditarasakalavṛttikṣayarūpā udyogasya viṣayā ityāveditam| Tato'pi prāptaprabodhena suprabuddhatāyai yogyucitasauṣuptatamovaraṇavidalane prajāgaritavyamityuktaṁ ślokatrayeṇa — Iti yasyonmeṣa ityādeḥ prabuddhaḥ syādanāvṛta ityantasya tātparyam| Atha granthārtho vyākhyāyate|


Ali --i.e. neste compêndio de 51 aforismos-- (tatra):

(1) A Vibração Suprema, o Spanda (spandaḥ), como sua própria natureza (sva-rūpa) é descrita (uktaḥ) por meio de 25 (passagens) (pañcaviṁśatyā).
(2) O Spanda (spandaḥ) como o surgimento (udaya) do conhecimento (vidyā) natural (sahaja) é descrito (uktaḥ) por meio de 7 (passagens) (saptabhiḥ).
(3) O Spanda (spandaḥ) como (a fonte dos) poderes sobrenaturais (vibhūti) é descrito (uktaḥ) por meio de 19 (aforismos) (ekonaviṁśatyā)
Deste modo (iti), esta (idam) escritura (śāstram) (que trata do) Spanda (spanda) consiste em três (tri) seções (niḥṣyandam)1 |

Lá --i.e. nesta escritura-- (tatra), logo na (asmin) primeira (prathama) seção (niḥṣyande), (há) primeiramente (pūrvam) um louvor (stuti) (a Śiva, na primeira passagem. Além disso, também) por meio (dessa primeira) passagem (ślokena), a subtância (arthaḥ) do tratado (inteiro) (prakaraṇa) (é) insinuada (upakṣiptaḥ)|

Depois disso (tatas), por meio de quatro (caturbhiḥ) passagens (ślokaiḥ), estabelece-se (vyavasthāpitam), com (sa) argumentação (válida) (upapattikam), o princípio (tattvam) do Spanda (spanda)|

Após (tatas), por meio de duas estrofes (ślokābhyām), os meios (upāyaḥ) para obter (prāptau), com (sa) reconhecimento adequado (abhijñānam), aquele (Spanda) (tad) são descritos (uktaḥ)|

Por meio da (oitava) passagem (ślokena), a objeção (vipratipattiḥ) (levantada contra) os meios (upāya) é rejeitada (nirastā)|

Com a (nona) passagem (ślokena), o meio (upāyaḥ) (é) certamente (eva) confirmado, ratificado (upodvalitaḥ), por meio da descrição (kathanena) (da sua) adequação (anurūpya) à aquisição (prāpti) da meta (upeya)|

Depois (tatas), por meio de apenas uma (estrofe) --i.e. a décima-- (ekena), a natureza essencial (sva-rūpam tad) dessa (yādṛś) meta (upeyasya), a qual--i.e. a natureza essencial, não a meta-- é alcançável (labhyam) por aquele (tad) meio (upāya), é mostrada (upadarśitam)|

Após (tatas), pela (décima primeira) passagem (ślokena), a ausência (abhāvaḥ) do Saṁsāra, ou Transmigração2  (saṁsāra), (adquirida) por meio da firme apreensão (avaṣṭambhāt) daquilo --i.e. da natureza essencial da meta; essa meta, obviamente, é o Eu, Você Mesmo-- (tad), é descrita (uktaḥ)|

Por meio das (próximas) duas (passagens) --i.e. décima segunda e décima terceira-- (dvayena), ao rejeitar (vyudasyatā) a doutrina (matam) que postula (vādi) a não-existência --i.e. Nihilismo-- (abhāva), a divergência (vailakṣaṇyam) entre o princípio (tattvasyai) do Spanda (spanda) (e) essa (doutrina) (tad) é declarada (uktam)|

Mediante a (décima quarta) passagem (ślokena), declara-se (iti ākhyātam) a ausência de decadência (akṣayam) daquele (Spanda) (tad), ainda que (api) (haja) decadência (kṣayitve) no efeito (kāryasya) que surge (ullāsitasya) deste (Spanda, ou Causa) (tad) --i.e. o universo--|

Esta (etad) mesma (ideia) (eva) (é tão veementemente apresentada) nas duas (próximas) estrofes --i.e. décima quinta e décima sexta-- (ślokābhyām) (que) a doutrina (vādaḥ) da não-existência, do não Ser --i.e. Nihilismo-- (abhāva), mostra-se (upapādya) (completamente) erradicada (unmūlitaḥ) de fato (eva)|

Depois disso (tatas), por meio de apenas uma (passagem) --i.e. a décima sétima-- (ekena) é dito (iti āveditam) (que há) sempre, constantemente, (sadā eva) a conquista, ou percepção (prāptiḥ), deste (Spanda) (etad) para o perfeitamente desperto (suprabuddhasya), mas (tu) para o parcialmente desperto (prabuddhasya) (existe a conquista, a percepção, apenas) nos estágios (koṭyoḥ) inicial (pūrva) (e) final (apara)|

(Novamente,) mediante apenas uma (estrofe) --i.e. a décima oitava-- (ekena), descreve-se (uktaḥ) a esfera (vibhāgaḥ) de objetos (viṣaya) percebidos, ou experimentados (pratīteḥ), pelo perfeitamente desperto (suprabuddhasya)|

Então (tatah), por intermédio de outra (passagem) --i.e. a décima nona-- (anyena), insinua-se, sugere-se (upakṣiptā), o meio (yuktiḥ) para a remoção (abhāve) do véu (āvaraṇa), no caso do perfeitamente desperto (suprabuddhasya)|

Por meio de (apenas uma) estrofe --i.e. a vigésima-- (ślokena), descreve-se (uktā) a encoberta, velada (sthagita), natureza essencial (sva-rūpatā) daquele que não está desperto (aprabuddhasya)|

Após (tatas), mediante apenas um (verso) --i.e. o vigésimo primeiro-- (ekena), declara-se (iti uktam) que (você) deve constantemente se esforçar (satatam udyantavyam) para obter (lābhāya) o estado de perfeitamente desperto (suprabuddhatā)|

(Mais uma vez,) por intermédio de (uma única) passagem --a vigésima segunda-- (ślokena), faz-se conhecido (iti āveditam) que alguns (eva kāścid) estados (avasthāḥ) da vida ordinária (vyavahāra) são caracterizados (rūpāḥ) pela cessação (kṣaya) de todos (sakala) os (outros) estados (vṛtti) senão (itara) d'Aquele --i.e. o Spanda-- (tad), (e, consequentemente, eles são) adequadas esferas, ambientes (viṣayāḥ), para o contato (com o Spanda) (udyogasya)|

Depois disso (tatas), também é dito (api... iti uktam), por meio das três (últimas) (trayeṇa) estrofes (śloka), que aquele que logrou (prāpta) a Iluminação --prabodha-- (prabodhena) deve estar alerta (prajāgaritavyam) no que diz respeito a rasgar (vidalane) o véu (varaṇa) da escuridão --i.e. da ignorância espiritual-- (tamas), o qual é como um sono profundo (sauṣupta), de um modo apropriado a (ucita) um Yogī (yogī), a fim de manter o estado de perfeitamente desperto (suprabuddhatāyai) — dessa maneira (iti), o significado e o propósito (da primeira seção) (tātparyam), que começa com (iti ādeḥ) "Yasyonmeṣa..." (yasyonmeṣa) (e) termina com (iti antasya) "...prabuddhaḥ syādanāvṛtaḥ" (prabuddhaḥ syādanāvṛtaḥ) (foram resumidamente apresentados)|

E agora (atha) o propósito (arthaḥ) do livro (grantha) foi detadalhamente explicado (vyākhyāyate)|

1  Aqui Kṣemarāja está ignorando as duas últimas estrofes da quarta seção, talvez porque elas funcionam como uma conclusão, não lidando com um tema específico. Entretanto, a escritura inteira "na verdade" consiste em "quatro" seções e "53" aforismos, sem dúvidas quanto a isso.Return

2  Por "transmigração" não se indica apenas o ciclo de nascimento-morte-renascimento, como muitas pessoas certamente pensam, mas todo tipo de migração feita por alguém. Por exemplo, nós constantemente migramos de uma forma de pensamento a outra, por constantemente nos identificarmos a elas. A ausência de toda e qualquer transmigração é atingida, de acordo com o autor, por meio de uma firme apreensão desta natureza essencial do Ser.Return

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 AFORISMO 1


यस्योन्मेषनिमेषाभ्यां जगतः प्रलयोदयौ।
तं शक्तिचक्रविभवप्रभवं शङ्करं स्तुमः॥१॥


शम् उपशान्ताशेषोपतापपरमानन्दाद्वयमयस्वचैतन्यस्फारप्रत्यभिज्ञापनस्वरूपमनुग्रहं करोति यस्तमिमं स्वस्वभावं शङ्करं स्तुमस्तं विश्वोत्कर्षित्वेन परामृशन्तस्तत्कॢप्तकल्पितप्रमातृपदनिमज्जनेन समाविशामस्तत्समावेश एव हि जीवन्मुक्तिफल इह प्रकरण उपदेश्यः। बहुवचनमनुग्रहदृष्टिकटाक्षिताशेषानुग्राह्याभेदप्रथनाय। तमित्यनेन यदस्य निःसामान्यत्वमपि ध्वनितं तत्प्रथयति यस्येत्यर्धेन। इह परमेश्वरः प्रकाशात्मा महादेवः शब्दराशिपरमार्थपूर्णाहन्तापरामर्शसारत्वात् सदैवानन्दघनस्फुरत्तात्मकोभयविसर्गारणिपराशक्त्यात्मकपूर्णस्वातन्त्र्यस्वरूपस्तत एव चित्स्वाभाव्यादचलस्यापि श्रीभगवतः स्वातन्त्र्यशक्तिरविभक्ताप्यशेषसर्गसंहारादिपरम्परं दर्पणनगरवत्स्वभित्तावेव भावियुक्त्यानधिकामप्यधिकामिव दर्शयन्ती किञ्चच्चलत्तात्मकधात्वर्थानुगमात्स्पन्द इत्यभिहिता तेन भगवान्सदा स्पन्दतत्त्वसतत्त्वो न स्वस्पन्दः। यदाहुः केचिदस्पन्दं परं तत्त्वमिति। एवं हि शान्तस्वरूपत्वादनीश्वरमेवैतद्भवेत्। स्फुरत्तासारस्पन्दशक्तिमयशङ्करात्मकस्वस्वभावप्रतिपादनायैव चेदं शास्त्रं समुचितस्पन्दाभिधानं महागुरुभिर्निबद्धम्। एतच्च व्यक्तीभविष्यति। सा चैषा स्पन्दशक्तिर्गर्भीकृतानन्तसर्गसंहारैकधनाहन्ता चमत्कारानन्दरूपा निःशेषशुद्धाशुद्धरूपा मातृमेयसङ्कोचविकासाभासनसतत्त्वा सर्वोपनिषदुपास्या युगपदेवोन्मेषनिमेषमयी। तथा हि — शिवादेः क्षित्यन्तस्याशेषस्य तत्त्वग्रामस्य प्राक्सृष्टस्य संहर्तृरूपा या निमेषभूरसावेवोद्भविष्यद्दशापेक्षया स्रष्टृरूपोन्मेषभूमिस्तथा विश्वनिमेषभूश्चिद्धनतोन्मेषसारा चिद्धनतानिमज्जनभूमिरपि विश्वोन्मेषरूपा। यदागमः

लेलिहाना सदा देवी सदा पूर्णा च भासते।
ऊर्मिरेषा विबोधाब्धेः शक्तिरिच्छात्मिका प्रभोः॥

इति। श्रीमान्महेश्वरो हि स्वातन्त्र्यशक्त्या शिवमन्त्रमहेश्वरमन्त्रेश्वरमन्त्रविज्ञानाकलप्रलयाकलसकलान्तां प्रमातृभूमिकां तद्वेद्यभूमिकां च गृह्णानः पूर्वपूर्वरूपतां भित्तिभूततया स्थितामप्यन्तः स्वरूपावच्छादनक्रीडया निमेषयन्नेवोन्मेषयति उत्तरोत्तररूपतामवरोहक्रमेणारोहक्रमेण तूत्तरोत्तररूपतां निमेषयन्नेव ज्ञानयोगिनामुन्मेषयति पूर्वपूर्वरूपतामत एवोत्तरमुत्तरं पूर्वत्र पूर्वत्र सङ्कोचात्मतां जहद्बिकसितत्त्वेनासावाभासयति पूर्वं पूर्वं तु रूपं यथोत्तरं विकसिततां निमज्जयन् सङ्कुचितत्वेन दर्शयति। एवं च सर्वं सर्वमयमेव प्रथयति केवलं तदवभासितसङ्कोचमात्रत इयं भेदप्रतिपत्तिरिव यदुद्दलनायेहत्योपदेश इत्यास्तां तावदेतत्। नीलसुखाद्याभासोन्मेषमय्यपि च संवित्प्रमात्रेकात्मकतत्स्वरूपनिमेषरूपावभातचरपीताद्याभासोपसंहाररूपा चेति स्वसंवेदनसिद्धामिमां युगपदेवोन्मेषनिमेषोभयरूपां प्रतिभां भगवतीं विचिन्वन्तु महाधियः संसारविच्छेदाय। अत वोन्मेषनिमेषाभ्यामित्येतत्पदं निजवृत्तौ भट्टश्रीकल्लटेन सङ्कल्पमात्रेण इत्यविभक्तमेवेच्छाशक्तिरूपतया व्याख्यायि। सङ्ग्रहकृतापि

एकचिन्ताप्रसक्तस्य यतः स्यादपरोदयः।
उन्मेषः स तु विज्ञेयः स्वयं तमुपलक्षयेत्॥

इत्यत्र प्रारब्धचिन्तासंहरणमेव परस्वरूपोदयहेतुरुन्मेष इत्यभिधास्यते। प्रवृत्तचिन्तासंहारं विना परस्वरूपोदयाभावात्। एतच्च तत्रैव वितनिष्यामः।

परामृतरसापायस्तस्य यः प्रत्ययोद्भवः।
तेनास्वतन्त्रतामेति स च तन्मात्रगोचरः॥

इत्यत्राप्युदयः प्रलयपरमार्थ इति स्पष्टमेव वक्ष्यते।

यदा क्षोभः प्रलीयेत तदा स्यात्परमं पदम्।

इत्यत्रापि क्षोभप्रलयात्मा निमेषः परपदोन्मेषरूप इत्यपि निरूपयिष्यते। तदेवमेकैवोभयरूपापि शक्तिः कदाचिदुन्मेषप्रधानतया व्यवह्रियते कदाचिन्निमेषप्रधानतया। ततश्च यस्य सम्बन्धिन्याः स्वरूपनिमेषात्मनः कार्योन्मेषप्रधानायाः शक्तेर्हेतोर्जगतो विश्वस्य शिवादेर्धरण्यन्तस्योदयोऽभेदसारतानिमज्जनसतत्त्वो नानावैचित्र्यशाली भेदरूपः सर्गः स्वरूपोन्मेषात्मनश्च बाह्यतानिमेषप्रधानायाः शक्तेर्जगतः प्रलयोऽभेदमयतोदयात्मा विचित्रभेदरूपतासंहार इति प्रलयोऽप्युदयरूप उदयोऽपि च प्रलयरूप इति व्याख्येयम्। वस्तुतस्तु न किञ्चिदुदेति व्ययते वा केवलं स्पन्दशक्तिरेव भगवत्यक्रमापि तथातथाभासरूपतया स्फुरन्त्युदेतीव व्ययत इव चेति दर्शयिष्यामः। स्थितिविलयानुग्रहाणां विशिष्टप्रलयोदयरूपत्वान्नाधिक्यमिति प्रलयोदयाभ्यामेव पञ्चविधं पारमेश्वर्यं कृत्यं सङ्गृहीतम्। निर्णीतं चैवम्प्रायं मयैव प्रथमसूत्रमात्रविवरणे स्पन्दसन्दोहे। ननु श्रीमन्महार्थदृष्ट्या सृष्ट्यादिदेवताभिरेव विचित्रा जगतः प्रलयोदयाः सम्पाद्यन्ते तत्कथमेतदुक्तं यस्येत्यादीत्याशङ्क्याह — तं शक्तिचक्रविभवप्रभवमिति। शक्तीनां सृष्टिरक्तादिमरीचिदेवीनां चक्रं द्वादशात्मा समूहस्तस्य यो विभव उद्योगावभासनचर्वणविलापनात्मा क्रीडाडम्बरस्तस्य प्रभवं हेतुम्। एता हि देव्यः श्रीमन्मन्थानभैरवं चक्रेश्वरमालिङ्ग्य सर्वदैव जगत्सर्गादिक्रीडां सम्पादयन्तीत्याम्नायः। अथ च कस्मात्परमेश्वरस्य जगत्सर्गसंहारादिहेतुत्वमित्याशङ्कायामेतदेवोत्तरं शक्तिचक्रेति। यावद्धि किञ्चिद्विश्वं सम्भवति तत्प्रकाशमान्त्वेन प्रकाशमयत्वात्।

स्वामिनश्चात्मसंस्थस्य भावजातस्य भासनम्।
अस्त्येव न विना तस्मादिच्छामर्शः प्रवर्तते॥

इति विपश्चिन्निश्चितनीत्या परमेश्वरस्यान्तःप्रकाशैकात्म्येन प्रकाशमानं स्थितं सच्छक्तिचक्रमित्युच्यते यतः परमेश्वरस्यागमेष्वनन्तशक्तित्वमुद्धोष्यते तस्य शक्तिचक्रस्याभासपरमार्थस्य विश्वस्य यो विभवः परस्परसंयोजनावियोजनावैचित्र्यमनन्तप्रकारं तस्य प्रभवं कारणम्। स एव हि भगवान्विज्ञानदेहात्मकान्स्वात्मैकात्म्येन स्थितान्विश्वानाभासानन्योन्यं नानावैचित्र्येण संयोजयन्वियोजयंश्च विश्वोदयप्रलयहेतुः। तदुक्तं श्रीभट्टकल्लट्टेन।

विज्ञानदेहात्मकस्य शक्तिचक्रैश्वर्यस्योतत्तिहेतुत्वात्।

उत्येतद्वृत्त्यक्षराणामत्र व्याख्याद्वयेऽप्यानुरूप्यम्। अपि च

शक्तयोऽस्य जगत्कृत्स्नम्।

इत्यागमदृष्ट्या

तस्माच्छब्दार्थचिन्तासु न सावस्था न या शिवः।

इतीहत्यस्थित्या च जगदात्मनः

तत्खेचर्यूर्ध्वमार्गस्थं व्योम वामेशीगोचरम्।

इति रहस्यनीत्या च वामेश्वरीखेचरीगोचरीदिक्चरीभूचरीरूपस्य मयैव स्पन्दसन्दोह सम्यङ्निर्णीतस्य

अप्रबुद्धधियस्त्वेते स्वस्थितिस्थगनोद्यताः।

इत्यत्रहि निर्णेष्यमाणस्यैतद्व्याख्याद्वयव्याख्यातशक्तिचक्रप्रपञ्चभूतस्य च

यतः करणवर्गोऽयं विमूढोऽमूढवत्स्वयम्।
सहान्तरेण चक्रेण प्रवृत्तिस्थितिसंहृतीः॥

इति स्थित्येन्द्रियग्रामात्मनः

तदाक्रम्य बलं मन्त्राः सर्वज्ञबलशालिनः।
प्रवर्तन्तेऽधिकाराय करणानीव देहिनाम्॥

इति नित्यमन्त्रात्मनः

शब्दराशिसमुत्थस्य शक्तिवर्गस्य भोग्यताम्।
कलाविलुप्तविभवो गतः सन्स पशुः स्मृतः॥

इति नीत्या ब्राह्म्यादिदेवतास्वभावस्यैवमादेरनन्तप्रकारस्यापि मयैव स्पन्दसन्दोहे वितत्य निर्णीतस्य शक्तिचक्रस्य यो विभवो माहात्म्यं तत्र प्रभवतीति प्रभवं स्वतन्त्रं न तु पशुवत्परतन्त्रम्। शक्तिचक्रस्य रश्मिपुञ्जस्य यो विभवोऽन्तर्मुखो विकासस्ततः प्रभव उदयोऽभिव्यक्तिर्यस्येति बहुव्रीहिणाऽन्तर्मुखतत्स्वरूपनिभालनादयत्नेन परमेश्वरस्वरूपप्रत्यभिज्ञानं भवतीत्यर्थः। किञ्च यस्य चिदानन्दघनस्यात्मन उन्मेषनिमेषाभ्यां स्वरूपोन्मीलननिमीलनाभ्यां यदन्तस्तद्वहिरिति युक्त्या जगतः शरीररूपस्य तदनुषङ्गेण बाह्यस्यापि विश्वस्य प्रलयोदयौ यथासङ्ख्यं मज्जनोन्मज्जने भवतस्तं शक्तिचक्रविभवस्य परसंविद्देवतास्फारस्य प्रभवं भक्तिभाजामेतत्स्वरूपप्रकाशकं शङ्करं स्तुमः। तथा यस्य स्वात्मनः सम्बन्धिनो बहिर्मुखताप्रसररूपादुन्मेषाज्जगत उदयोऽन्तर्मुखतारूपाच्च निमेषात्प्रलयस्तं विश्वसर्गादिकार्युन्मेषादिस्वरूपसंविद्देवीमाहात्म्यस्य हेतुं शङ्करं स्तुम इति यथासम्भवमपि योज्यम्। देहाद्याविष्टोऽपि परमेश्वरः करणोन्मीलननिमीलनाभ्यां रूपादिपञ्चकमयस्य जगतः सर्गसंहारौ करोति। यदुक्तं रहस्यतत्त्वविदा

तदेव व्यवहारेऽपि प्रभुर्देहादिमाविशन्।
भान्तमेवान्तरथौ घमिच्छया भासयेद्वहिः॥

इति। एवंविधार्थपरिग्रहायापि यस्य स्वातन्त्र्यशक्त्येति त्यक्त्वा यस्योन्मेषनिमेषाभ्यामिति न्यरूपि गुरूणा। अत्र च शङ्करस्तुतिः समावेशरूपा प्राप्यत्वेनाभिधेया शक्तिचक्रविभवात्प्रभवो यस्येति बहुव्रीहिणा शक्तिचक्रविकासस्तत्प्राप्तावुपाय उक्तः शक्तिचक्रविभवस्य परसंविद्देवतास्फारस्य भक्तिभाजां प्रभवं प्रकाशकमिति तत्पुरुषेण फलमुक्तम्। यद्वक्ष्यति

ततश्चक्रेश्वरो भवेत्।

इत्यभिधेयोपाययोरुपायोपेयभावः सम्बन्ध इत्यभिधेयोपायसम्बन्धप्रयोजनान्यनेनैव सूत्रेण सूत्रितानि॥१॥


Yasyonmeṣanimeṣābhyāṁ jagataḥ pralayodayau|
Taṁ śakticakravibhavaprabhavaṁ śaṅkaraṁ stumaḥ||1||


Śam upaśāntāśeṣopatāpaparamānandādvayamayasvacaitanyasphārapratyabhijñāpanasvarūpamanugrahaṁ karoti yastamimaṁ svasvabhāvaṁ śaṅkaraṁ stumastaṁ viśvotkarṣitvena parāmṛśantastatkḷptakalpitapramātṛpadanimajjanena samāviśāmastatsamāveśa eva hi jīvanmuktiphala iha prakaraṇa upadeśyaḥ| Bahuvacanamanugrahadṛṣṭikaṭākṣitāśeṣānugrāhyābhedaprathanāya| Tamityanena yadasya niḥsāmānyatvamapi dhvanitaṁ tatprathayati yasyetyardhena| Iha parameśvaraḥ prakāśātmā mahādevaḥ śabdarāśiparamārthapūrṇāhantāparāmarśasāratvāt sadaivānandaghanasphurattātmakobhayavisargāraṇiparāśaktyātmakapūrṇasvātantryasvarūpastata eva citsvābhāvyādacalasyāpi śrībhagavataḥ svātantryaśaktiravibhaktāpyaśeṣasargasaṁhārādiparamparāṁ darpaṇanagaravatsvabhittāveva bhāviyuktyānadhikāmapyadhikāmiva darśayantī kiñciccalattātmakadhātvarthānugamātspanda ityabhihitā tena bhagavānsadā spandatattvasatattvo na tvaspandaḥ| Yadāhuḥ kecidaspandaṁ paraṁ tattvamiti| Evaṁ hi śāntasvarūpatvādanīśvaramevaitadbhavet| Sphurattāsāraspandaśaktimayaśaṅkarātmakasvasvabhāvapratipādanāyaiva cedaṁ śāstraṁ samucitaspandābhidhānaṁ mahāgurubhirnibaddham| Etacca vyaktībhaviṣyati| Sā caiṣā spandaśaktirgarbhīkṛtānantasargasaṁhāraikaghanāhantā camatkārānandarūpā niḥśeṣaśuddhāśuddharūpā mātṛmeyasaṅkocavikāsābhāsanasatattvā sarvopaniṣadupāsyā yugapadevonmeṣanimeṣamayī| Tathā hi — śivādeḥ kṣityantasyāśeṣasya tattvagrāmasya prāksṛṣṭasya saṁhartṛrūpā yā nimeṣabhūrasāvevodbhaviṣyaddaśāpekṣayā sraṣṭṛrūponmeṣabhūmistathā viśvanimeṣabhūściddhanatonmeṣasārā ciddhanatānimajjanabhūmirapi viśvonmeṣarūpā| Yadāgamaḥ

Lelihānā sadā devī sadā pūrṇā ca bhāsate|
Ūrmireṣā vibodhābdheḥ śaktiricchātmikā prabhoḥ||

iti| Śrīmānmaheśvaro hi svātantryaśaktyā śivamantramaheśvaramantreśvaramantravijñānākalapralayākalasakalāntāṁ pramātṛbhūmikāṁ tadvedyabhūmikāṁ ca gṛhṇānaḥ pūrvapūrvarūpatāṁ bhittibhūtatayā sthitāmapyantaḥ svarūpāvacchādanakrīḍayā nimeṣayannevonmeṣayati uttarottararūpatāmavarohakrameṇārohakrameṇa tūttarottararūpatāṁ nimeṣayanneva jñānayogināmunmeṣayati pūrvapūrvarūpatāmata evottaramuttaraṁ pūrvatra pūrvatra saṅkocātmatāṁ jahadbikasitattvenāsāvābhāsayati pūrvaṁ pūrvaṁ tu rūpaṁ yathottaraṁ vikasitatāṁ nimajjayan saṅkucitatvena darśayati| Evaṁ ca sarvaṁ sarvamayameva prathayati kevalaṁ tadavabhāsitasaṅkocamātrata iyaṁ bhedapratipattiriva yaduddalanāyehatyopadeśa ityāstāṁ tāvadetat| Nīlasukhādyābhāsonmeṣamayyapi ca saṁvitpramātrekātmakatatsvarūpanimeṣarūpāvabhātacarapītādyābhāsopasaṁhārarūpā ceti svasaṁvedanasiddhāmimāṁ yugapadevonmeṣanimeṣobhayarūpāṁ pratibhāṁ bhagavatīṁ vicinvantu mahādhiyaḥ saṁsāravicchedāya| Ata evonmeṣanimeṣābhyāmityetatpadaṁ nijavṛttau bhaṭṭaśrīkallaṭena saṅkalpamātreṇa ityavibhaktamevecchāśaktirūpatayā vyākhyāyi| Saṅgrahakṛtāpi

Ekacintāprasaktasya yataḥ syādaparodayaḥ|
Unmeṣaḥ sa tu vijñeyaḥ svayaṁ tamupalakṣayet||

ityatra prārabdhacintāsaṁharaṇameva parasvarūpodayaheturunmeṣa ityabhidhāsyate| Pravṛttacintāsaṁhāraṁ vinā parasvarūpodayābhāvāt| Etacca tatraiva vitaniṣyāmaḥ|

Parāmṛtarasāpāyastasya yaḥ pratyayodbhavaḥ|
Tenāsvatantratāmeti sa ca tanmātragocaraḥ||

ityatrāpyudayaḥ pralayaparamārtha iti spaṣṭameva vakṣyate|

Yadā kṣobhaḥ pralīyeta tadā syātparamaṁ padam|

ityatrāpi kṣobhapralayātmā nimeṣaḥ parapadonmeṣarūpa ityapi nirūpayiṣyate| Tadevamekaivobhayarūpāpi śaktiḥ kadācidunmeṣapradhānatayā vyavahriyate kadācinnimeṣapradhānatayā| Tataśca yasya sambandhinyāḥ svarūpanimeṣātmanaḥ kāryonmeṣapradhānāyāḥ śakterhetorjagato viśvasya śivāderdharaṇyantasyodayo'bhedasāratānimajjanasatattvo nānāvaicitryaśālī bhedarūpaḥ sargaḥ svarūponmeṣātmanaśca bāhyatānimeṣapradhānāyāḥ śakterjagataḥ pralayo'bhedamayatodayātmā vicitrabhedarūpatāsaṁhāra iti pralayo'pyudayarūpa udayo'pi ca pralayarūpa iti vyākhyeyam| Vastutastu na kiñcidudeti vyayate vā kevalaṁ spandaśaktireva bhagavatyakramāpi tathātathābhāsarūpatayā sphurantyudetīva vyayata iva ceti darśayiṣyāmaḥ| Sthitivilayānugrahāṇāṁ viśiṣṭapralayodayarūpatvānnādhikyamiti pralayodayābhyāmeva pañcavidhaṁ pārameśvaryaṁ kṛtyaṁ saṅgṛhītam| Nirṇītaṁ caivamprāyaṁ mayaiva prathamasūtramātravivaraṇe spandasandohe| Nanu śrīmanmahārthadṛṣṭyā sṛṣṭyādidevatābhireva vicitrā jagataḥ pralayodayāḥ sampādyante tatkathametaduktaṁ yasyetyādītyāśaṅkyāha — Taṁ śakticakravibhavaprabhavamiti| Śaktīnāṁ sṛṣṭiraktādimarīcidevīnāṁ cakraṁ dvādaśātmā samūhastasya yo vibhava udyogāvabhāsanacarvaṇavilāpanātmā krīḍāḍambarastasya prabhavaṁ hetum| Etā hi devyaḥ śrīmanmanthānabhairavaṁ cakreśvaramāliṅgya sarvadaiva jagatsargādikrīḍāṁ sampādayantītyāmnāyaḥ| Atha ca kasmātparameśvarasya jagatsargasaṁhārādihetutvamityāśaṅkāyāmetadevottaraṁ śakticakreti| Yāvaddhi kiñcidviśvaṁ sambhavati tatprakāśamānatvena prakāśamayatvāt|

Svāminaścātmasaṁsthasya bhāvajātasya bhāsanam|
Astyeva na vinā tasmādicchāmarśaḥ pravartate||

iti vipaścinniścitanītyā parameśvarasyāntaḥprakāśaikātmyena prakāśamānaṁ sthitaṁ sacchakticakramityucyate yataḥ parameśvarasyāgameṣvanantaśaktitvamuddhoṣyate tasya śakticakrasyābhāsaparamārthasya viśvasya yo vibhavaḥ parasparasaṁyojanāviyojanāvaicitryamanantaprakāraṁ tasya prabhavaṁ kāraṇam| Sa eva hi bhagavānvijñānadehātmakānsvātmaikātmyena sthitānviśvānābhāsānanyonyaṁ nānāvaicitryeṇa saṁyojayanviyojayaṁśca viśvodayapralayahetuḥ| Taduktaṁ śrībhaṭṭakallaṭena|

Vijñānadehātmakasya śakticakraiśvaryasyotpattihetutvam|

ityetadvṛttyakṣarāṇāmatra vyākhyādvaye'pyānurūpyam| Api ca

Śaktayo'sya jagatkṛtsnam|

ityāgamadṛṣṭyā

Tasmācchabdārthacintāsu na sāvasthā na yā śivaḥ|

itīhatyasthityā ca jagadātmanaḥ

Tatkhecaryūrdhvamārgasthaṁ vyoma vāmeśīgocaram|

iti rahasyanītyā ca vāmeśvarīkhecarīgocarīdikcarībhūcarīrūpasya mayaiva spandasandoha samyaṅnirṇītasya

Aprabuddhadhiyastvete svasthitisthaganodyatāḥ|

ityatrahi nirṇeṣyamāṇasyaitadvyākhyādvayavyākhyātaśakticakraprapañcabhūtasya ca

Yataḥ karaṇavargo'yaṁ vimūḍho'mūḍhavatsvayam|
Sahāntareṇa cakreṇa pravṛttisthitisaṁhṛtīḥ||

iti sthityendriyagrāmātmanaḥ

Tadākramya balaṁ mantrāḥ sarvajñabalaśālinaḥ|
Pravartante'dhikārāya karaṇānīva dehinām||

iti nityamantrātmanaḥ

Śabdarāśisamutthasya śaktivargasya bhogyatām|
Kalāviluptavibhavo gataḥ sansa paśuḥ smṛtaḥ||

iti nītyā brāhmyādidevatāsvabhāvasyaivamāderanantaprakārasyāpi mayaiva spandasandoha vitatya nirṇītasya śakticakrasya yo vibhavo māhātmyaṁ tatra prabhavatīti prabhavaṁ svatantraṁ na tu paśuvatparatantram| Śakticakrasya raśmipuñjasya yo vibhavo'ntarmukho vikāsastataḥ prabhava udayo'bhivyaktiryasyeti bahuvrīhiṇā'ntarmukhatatsvarūpanibhālanādayatnena parameśvarasvarūpapratyabhijñānaṁ bhavatītyarthaḥ| Kiñca yasya cidānandaghanasyātmana unmeṣanimeṣābhyāṁ svarūponmīlananimīlanābhyāṁ yadantastadbahiriti yuktyā jagataḥ śarīrarūpasya tadanuṣaṅgeṇa bāhyasyāpi viśvasya pralayodayau yathāsaṅkhyaṁ majjanonmajjane bhavatastaṁ śakticakravibhavasya parasaṁviddevatāsphārasya prabhavaṁ bhaktibhājāmetatsvarūpaprakāśakaṁ śaṅkaraṁ stumaḥ| Tathā yasya svātmanaḥ sambandhino bahirmukhatāprasararūpādunmeṣājjagata udayo'ntarmukhatārūpācca nimeṣātpralayastaṁ viśvasargādikāryunmeṣādisvarūpasaṁviddevīmāhātmyasya hetuṁ śaṅkaraṁ stuma iti yathāsambhavamapi yojyam| Dehādyāviṣṭo'pi parameśvaraḥ karaṇonmīlananimīlanābhyāṁ rūpādipañcakamayasya jagataḥ sargasaṁhārau karoti| Yaduktaṁ rahasyatattvavidā

Tadeva vyavahāre'pi prabhurdehādimāviśan|
Bhāntamevāntararthaughamicchayā bhāsayedbahiḥ||

iti| Evaṁvidhārthaparigrahāyāpi yasya svātantryaśaktyeti tyaktvā yasyonmeṣanimeṣābhyāmiti nyarūpi gurūṇā| Atra ca śaṅkarastutiḥ samāveśarūpā prāpyatvenābhidheyā śakticakravibhavātprabhavo yasyeti bahuvrīhiṇā śakticakravikāsastatprāptāvupāya uktaḥ śakticakravibhavasya parasaṁviddevatāsphārasya bhaktibhājāṁ prabhavaṁ prakāśakamiti tatpuruṣeṇa phalamuktam| Yadvakṣyati

Tataścakreśvaro bhavet|

ityabhidheyopāyayorupāyopeyabhāvaḥ sambandha ityabhidheyopāyasambandhaprayojanānyanenaiva sūtreṇa sūtritāni||1||


Nós louvamos (stumaḥ) aquele (tam) Śaṅkara --um epíteto de Śiva-- (śaṅkaram), a causa, a fonte (prabhavam), do glorioso (vibhava) grupo (cakra) de poderes (śakti), (aquele Śaṅkara) cujos (yasya) abertura e fechamento dos olhos (unmeṣa-nimeṣābhyām) (causam a) dissolução e (o) aparecimento (pralaya-udayau) do mundo (jagataḥ)||1||


(Śaṅkara significa) aquele que (yaḥ) produz (karoti) "Śam" (śam), (em outras palavras, aquele que causa) a Graça (anugraham), cuja natureza (sva-rūpam) compreende (āpana) o Reconhecimento (pratyabhijñā) da expansão (sphāra) da própria (sva) onisciente, onipotente e completamente livre Consciência (caitanya), a qual é repleta (maya) de Não- dualismo (advaya) (e de) Suprema (parama) Bem-aventurança (ānanda), (que) acalmam (upaśānta) todo o (aśeṣa) calor das aflições (upatāpa). Nós louvamos (stumaḥ) este mesmo (tam imam) Śaṅkara (śaṅkaram), (o qual é a) sua própria (sva) natureza essencial (sva-bhāvam), (e) nós n'Ele (tam) entramos (samāviśāmaḥ) por meio da imersão (nimajjanena) do estado (pada) de experimentador (pramātṛ) assumido (kalpita)1 , produzido (kḷpta) por Ele mesmo (tad), considerando-O (parāmṛśantaḥ) (tam) sobre-excedente (utkarṣitvena) ao universo (viśva). Aqui (iha) o tratado (prakaraṇaḥ)2  irá ensinar (upadeśyaḥ) que o ingresso, a entrada (samāveśaḥ), n'Ele (tad) (é) incontestavelmente (eva hi) o fruto, o resultado (phalaḥ), da Liberação (mukti) em vida (jīvat)|

O plural (em "Nós louvamos...") (bahuvacanam) (serve para) mostrar, difundir (prathanāya),(a própria) identidade (abheda) a todos (aśeṣa) aqueles que merecem Favor Divino (anugrāhya), os quais são notados de soslaio (por Ele) --i.e. que são captados por Ele apenas com o "canto dos olhos"-- (kaṭākṣita)3  com um olhar (dṛṣṭi) (repleto) de Graça (anugraha)|

Mediante (o termo) "Tam" (no aforismo) (tam iti anena), Sua (asya) condição, característica, "extraordinária" (yad... niḥsāmānyatvam) também é (api) mencionada (dhvanitam). (O autor) proclama (prathayati) aquela (condição anteriormente mencionada) (tad) por meio da primeira metade (da estrofe) (ardhena) "cujos..." (yasya iti)4 |

Aqui (iha) o Senhor (īśvaraḥ) Supremo (parama), cuja natureza (ātmā) é a Luz e a Efulgência da Consciência (prakāśa), (é) o Grande (mahā) Deus (devaḥ), cuja substância (sva-rūpaḥ) é a completa e absoluta (pūrṇa) Liberdade (svātantrya), a qual consiste em (ātmaka) Poder (śakti) Supremo (parā) (, que aparece) tanto como (ubhaya) Eu (araṇi) quanto como o universo emanado (visarga), o qual é (ātmaka) sempre (sadā eva) um vibrante brilho (sphurattā) de uma massa compacta (ghana) de Bem-aventurança (ānanda), já que (Sua)5  essência (sāratvāt) (é) a recordação (parāmarśa) da perfeita e plena (pūrṇa) consciência do Eu (ahantā), que é o mais alto (parama) significado (artha) da multitude (rāśi) de sons e palavras (śabda). Por essa razão (tataḥ eva), já que Ela 6  é essencialmente (svābhāvyāt) Cit, Consciência (cit), o Poder (śaktiḥ) de Liberdade Absoluta (svātantrya) do venerável (śrī) Senhor (bhagavataḥ), (o qual) aliás (api) (é conhecido como) Acala, ou Imóvel (acalasya), apesar de ser (api) não distinto (d'Ele7 ) (avibhaktā), manifesta (darśayantī) toda a (aśeṣa) sucessão ininterrupta (paramparām) de manifestação (sarga), dissolução (saṁhāra), etc. (ādi) em Seu próprio (d'Ela) (sva) tecido (bhīttau eva), como (vat) uma cidade (nagara) (refletida em um) espelho (darpaṇa). (Novamente,) por futuros (bhāvi) e adequados argumentos (yuktyā), (será mostrado que), apesar de (api) Ela não poder ser aumentada, ou expandida (anadhikām)8 , Ela continua apresentando (a Si Mesma) (darśayantī) como se fosse (iva) supranumerária (adhikām). (Além disso,) Ela é chamada de (abhihitā) "Spanda" (spandaḥ iti) (porque), de acordo (anugamāt) com o significado (artha) da raiz ("spand"9 ) (dhātu), Ela consiste em (ātmaka) um leve (kiñcid) movimento (calattā). Portanto (tena), o Mais Alto Senhor (bhagavān) (tem) sempre (sadā) o princípio (tattva) da Vibração Suprema (spanda) como Sua natureza (satattvaḥ). Ele nunca está (na) sem Spanda (aspandaḥ), certamente (tu)|

Alguns (kecid) (até) asseguram (āhuḥ) que (yad) "O Mais Alto (param) Princípio (tattvam) não tem Spanda, ou Vibração (aspandam... iti), (de maneira alguma)"|

Dessa maneira (evam), (tomando a afirmação acima como verdadeira), este (universo) (etad) seria (bhavet) sem dúvida (hi) desprovido de um Senhor (anīśvaram eva) já que a natureza (desse Mais Alto Princípio) (sva-rūpatvāt) não teria nenhuma atividade, ou vibração --i.e. Spanda-- (śānta)|

Esta (idam) escritura (śāstram) foi criada (nibaddham) pelos (mahā) Guru-s (gurubhiḥ) somente (eva) para explicar (pratipādanāya) que a sua (sva) natureza essencial (sva-bhāva) consiste (ātmaka) em Śaṅkara (śaṅkara)10 , o qual é repleto (maya) do Poder (śakti) da Vibração Suprema (spanda), cuja essência (sāra) é um Lampejo pulsante (sphurattā), e (ca) (que foi, portanto,) apropriadamente (samucita) nomeada (abhidhānam) Spanda --i.e. "Spandakārikā-s"-- (spanda)|

Isto (etad ca) será esclarecido (vyaktībhaviṣyati) (mais adiante)|

E (ca) este (eṣā) mesmo (sā) Poder (śaktiḥ) da Vibração Suprema (spanda) é a Consciência do Eu (ahantā). a qual é unicamente (eka) uma massa compacta (ghana) que carrega em seu seio (garbhīkṛtā) as infinitas (ananta) manifestações (sarga) (e) dissoluções (saṁhāra). (Ela é a Consciência do Eu,) cuja natureza (rūpā... rūpā... sattattvā) é a Bem-aventurança (ānanda) originada do espanto espiritual (camatkāra)11 , (o qual tem como natureza) tudo que (niḥśeṣa) é puro (śuddha), (tudo que é) impuro (aśuddha) (e) a exibição luminosa (ābhāsana) da contração (saṅkoca) (e) da expansão (vikāsa) dos sujeitos (mātṛ) (e) objetos (meya). (Ela é também) simultaneamente (yugapad eva) repleta (mayī) de Unmeṣa-s (unmeṣa) (e) Nimeṣa-s (nimeṣa)12 , (e) deve ser reverenciada (upāsyā) por todas (sarva) as doutrinas esotéricas (upaniṣad) (, sem dúvidas)|

Como foi dito (tathā hi), este (asau) mesmo (eva) (Princípio do Spanda constitui) o estágio (bhūḥ) de Nimeṣa, ou Reabsorção (nimeṣa), o qual (yā) ocasiona o recolhimento, ou dissolução (saṁhartṛrūpā), de todo o (aśeṣasya) anteriormente (prāñc) manifestado (sṛṣṭasya) grupo --grāma-- (grāmasya) dos tattva-s, ou categorias (tattva), de Śiva (śiva-ādeḥ) até o elemento terra (kṣiti-antasya), bem como (tathā) o estágio (bhūmi) de Unmeṣa --i.e. apresentação, ou expansão-- (unmeṣa) o qual é (rūpā) a entidade manifestante, ou criadora (sraṣṭṛ) com relação (apekṣayā) ao (novo) estado (daśā) que está a ponto de surgir (udbhaviṣyat). O estágio (bhūḥ) de Nimeṣa, ou reabsorção (nimeṣa) do universo (viśva), constitui (sārā) o Unmeṣa, ou apresentação (unmeṣa) do estado compacto (ghanatā) da Consciência (cit). Por outro lado (api), o estágio (bhūmiḥ) de submersão --i.e. Nimeṣa-- (nimajjana) do estado compacto (ghanatā) da Consciência (cit) é (rūpā) Unmeṣa, ou apresentação (unmeṣa) do universo (viśva)|

Como a escritura revelada mostra (yad āgamaḥ):

"A deusa (devī) (está) sempre (sadā) (engajada em) lamber e degustar o sabor da manifestação universal (lelihānā), e (ca) (mesmo assim) Ela aparece (bhāsate) sempre (sadā) plena (pūrṇā). Esta (eṣā) onda (ūrmiḥ) do Oceano (abdheḥ) de Consciência (vibodha) é (ātmikā) o poder (śaktiḥ) volitivo (icchā) do Senhor (prabhoḥ... iti)."||

Sem dúvida (hi), o glorioso (śrīmān) grande (mahā) Senhor (īśvaraḥ), por meio de (Seu) Poder (śaktyā) de Liberdade Absoluta (svātantrya), assumindo (gṛhṇānaḥ) o papel (bhūmikām) dos experimentadores (como) (pramātṛ) Śiva (śiva), Mantramaheśvara (mantra-mahā-īśvara), Mantreśvara (mantra-īśvara), Mantra (mantra), Vijñānākala (vijñānākala), Pralayākala (pralayākala) (e) Sakala (sakala-antām)13 , bem como (ca) o papel (bhūmikām) de seus --i.e. dos experimentadores-- (tad) (respectivos) objetos conhecidos (vedya)14 , manifesta (unmeṣayati), no curso (krameṇa) descendente (avaroha), mediante a brincadeira (krīḍayā) de encobrir (avacchādana) Sua natureza essencial (sva-rūpa), cada um dos subsequentes (estágios) (uttara-uttara-rūpatām), por meio da supressão (nimeṣayan eva) de cada um dos anteriores (estágios) (pūrva-pūrva-rūpatām), os quais se encontram (sthitām) dentro (das etapas posteriores,) (antaḥ) como (bhūtatāyā) (seus) substratos (bhitti), aliás (api). Apesar disso (tu), no curso (krameṇa) ascendente (āroha), Ele manifesta (unmeṣayati), para os Yogī-s (yoginām) que trilham o caminho do conhecimento (jñāna), cada um dos precedentes (estágios) (pūrva-pūrva-rūpatām), por meio da supressão (nimeṣayan eva) de cada um dos subsequentes (estágios) (uttara-uttara-rūpatām). Portanto (atas eva), esse (Senhor) (asau) exibe (ābhāsayati), (no curso ascendente), cada um dos sucedentes (estágios) (uttara-uttaram) de uma maneira desenvolvida, expandida (vikasitatvena) em cada um dos precedentes (estágios) (pūrvatra pūrvatra), fazendo-os desistir (jahat) (de suas) condições contraídas (saṅkoca-ātmatām). Mas (tu), Ele mostra (darśayati), (no curso descendente), cada um dos precedentes (estágios) (pūrvam pūrvam... rūpam), um depois do outro (yathā uttaram), de uma maneira contraída, limitada (saṅkucitatvena), eliminando, submergindo (nimajjayan) (seus) estágios expandidos (vikasitatām)|

Portanto (evam ca), este (Senhor) (ayam) revela e apresenta (eva prathayati) tudo (sarvam) como tendo a natureza (mayam) de tudo mais (sarva). Esta (iyam) percepção (pratipattiḥ) das diferenças (bheda) (é), de certa forma (iva), devida (mātrataḥ) apenas (kevalam) à contração (saṅkoca) criada (avabhāsita) por Ele mesmo (tad). A fim de destruir (uddalanāya) essa (percepção errônea) (yad), o ensinamento (desta escritura) (upadeśaḥ) é apresentado aqui (ihatyaḥ). Que esta (argumentação) (etad) se encerre aqui (iti āstām tāvat)|

E (ca) mesmo que (api) Ela --i.e. a Consciência-- esteja repleta (mayī) do unmeṣa, ou manifestação (unmeṣa) das luminosas manifestações (ābhāsa) como (a cor) azul (nīla), prazer (sukha), etc. (ādi), a Consciência (saṁvid)15  tem por essênsia (tanto) (rūpā) a supressão (nimeṣa) de Sua (tad) natureza essencial (sva-rūpa) como idêntica (ekātmaka) ao experimentador, ou sujeito (pramātṛ), quanto a dissolução (upasaṁhāra) das luminosas manifestações (ābhāsa), como (a cor) amarela (pīta), etc (ādi), as quais foram anteriormente (cara) manifestadas (avabhāta). Então (iti), a fim de encerrar (vicchedāya) a transmigração (saṁsāra), (que) as pessoas de grande (mahā) inteligência (dhiyaḥ) examinem e discirnam (vicinvantu) esta (imām) Senhora (bhagavatīm) (denominada) Luz da Consciência (pratibhām), cuja essência (rūpām) (consiste) simultaneamente (yugapad eva) (em) tanto (ubhaya) apresentação (unmeṣa) (quanto) supressão (nimeṣa), (e) a qual é bem conhecida (siddhām) à sua própria (sva) percepção (saṁvedana)|

É por isso que (atas eva) este (etad) composto --lit. palavra-- (padam) "unmeṣanimeṣābhyām"16  (unmeṣanimeṣābhyām iti) (na primeira linha do aforismo atual17 , é explicado) "por meio de mera (mātreṇa iti) vontade (saṅkalpa)" pelo venerável (bhaṭṭaśrī) Kallaṭa18  (kallaṭena), em seu próprio (nija) comentário (às Spandakārikā-s) (vṛttau). (Dessa maneira,) ele explicou (Unmeṣa --abertura, ou manifestação-- e Nimeṣa --fechamento, ou supressão--) (vyākhyāyi) conjuntamente --i.e. não de maneira separada-- (avibhaktam eva) como se tivessem a natureza (rūpatayā) do Poder (śakti) de Vontade (icchā)|

(O seguinte ensinamento foi) também (api) resumido (saṅgrahakṛtam) (pelo autor das Spandakārikā-s19  no nono aforismo da terceira seção):

"Isso (saḥ) certamente deve ser conhecido como (tu vijñeyaḥ) Unmeṣa (unmeṣa), (isso de) onde (yatas) vem (syāt) o surgimento (udayaḥ) de outro(a) (consciência, percepção --de acordo com Kṣemarāja-- ou pensamento --de acordo com outros--) (apara), em uma (pessoa) que já (esteja) ocupada (prasaktasya) com um (eka) pensamento (cintā). Deve-se perceber (upalakṣayet) esse (Unmeṣa) (tam) por si mesmo (svayam... iti)."||

Nesse (aforismo) (atra) (o autor) dirá (abhidhāsyate): "Unmeṣa (unmeṣaḥ) é a cessação (saṁharaṇam) do pensamento (cintā) (que já) começou (prārabdha), (o qual é) certamente (eva) a causa (hetuḥ) do surgimento (udaya) do próximo (pensamento) (para-sva-rūpa... iti)"|

(É dessa maneira) porque não pode haver (abhāvāt) o surgimento (udaya) do próximo (pensamento) (para-sva-rūpa) sem (vinā) a cessação (saṁhāram) do pensamento (cintā) (que já) apareceu (pravṛtta)|

Nós desenvolvemos (vitaniṣyāmaḥ) esse (tópico) (etad) também (ca), (como se verá) mais adiante (tatra eva)|

Também (api), neste (décimo quarto aforismo da terceira seção) (atra), (o autor) descreverá claramente que (spaṣṭam eva vakṣyate) "O aparecimento (de idéias) (udayaḥ) (implica) realmente (paramārthaḥ) o desaparecimento (da seiva do Néctar Supremo da Imortalidade) (pralaya... iti)":

"O aparecimento (udbhavaḥ) de idéias (pratyaya), o qual (aparece) (yaḥ) nesse (paśu, ou ser limitado) (tasya) (implica) a perda (apāyaḥ) da seiva (rasa) do Supremo (para) Néctar da Imortalidade (amṛta). A partir daí (tena), (esse ser limitado) se torna dependente (asvatantratām eti). Esse (surgimento de idéias) (saḥ ca) tem sua esfera de influência (gocaraḥ) como sendo os Tanmātra-s --as características sutir de todos os seres-- (tanmātra... iti)."||

(E) inclusive (api) neste (excerto do nono aforismo da primeira seção,) (atra) (o autor) também irá (api) apontar que (nirūpayiṣyate) "Nimeṣa, ou cessação (nimeṣaḥ), cuja natureza (ātmā) é o desaparecimento (pralaya) da agitação (kṣobha), (também) implica (rūpaḥ) Unmeṣa, ou surgimento (unmeṣa) do Mais Alto (para) Estado (pada... iti)":

"Quando (yadā) a agitação (kṣobhaḥ) se dissolve totalmente (pralīyeta), então (tadā) o Estado (padam) Supremo (paramam) acontece (syāt)."||

Portanto (evam), esse (tad) único (ekā eva) Poder, ou Śakti (śaktiḥ), ainda (api) tendo a natureza (rūpā) de ambos --i.e. de Unmeṣa e Nimeṣa-- (ubhaya), (é) às vezes (kadācid) empregado20  (vyavahriyate) predominantemente (pradhānatayā) como Unmeṣa, ou aparecimento (unmeṣa), (e) às vezes (kadācid) predominantemente (pradhānatayā) como Nimeṣa, ou cessação (nimeṣa)|

Por essa razão (tataḥ ca), essa (iyam) (seria) a explicação (vyakhyā) (da primeira parte do aforismo21 ):

"A partir de (Seu) Poder, Śakti (śakteḥ), (agindo como) a Causa (hetoḥ) (e estando) intimamente conectado (sambandhinyāḥ) a Ele --i.e. com Śiva-- (yasya), (ocorre o) surgimento (udayaḥ) do mundo (jagataḥ), (ou) universo (viśvasya), o qual começa (ādeḥ) em Śiva (śiva) (e) termina (antasya) no elemento terra (dharaṇī), quando Ela --i.e. Śakti-- mostra predominância (pradhānāyāḥ) de manifestação (unmeṣa) da Criação (kārya) (e ao mesmo tempo) oculta (nimeṣa-ātmanaḥ) Sua própria --i.e. of Śiva-- natureza essencial (sva-rūpa). (Esta) Emanação, ou Manifestação (sargaḥ), baseada em divercidade e diferença (bheda-rūpaḥ) (é) realmente (satattvaḥ) a supressão (nimajjana) da unidade (abheda) essencial (sāratā) (com Śiva), (e é) repleta (śālī) da multiplicidade (nānā) de variedades (vaicitrya). Por outro lado (ca), a partir (desse mesmo) Poder, ou Śakti (śakteḥ), (ocorre a) dissolução (pralayaḥ) do mundo (jagataḥ) quando Ela --i.e. Śakti-- demonstra predominância (pradhānāyāḥ) na supressão (nimeṣa) da externalização (bāhyatā) (e ao mesmo tempo) revela (unmeṣa-ātmanaḥ) Sua própria --i.e. de Śiva-- natureza essencial (sva-rūpa). (Este pralaya, ou dissolução,) é o aparecimento (udaya-ātmā) da unidade (abhedamayatā) (e) o recolhimento (saṁhāraḥ) do que consiste (rūpatā) em várias (vicitra) diferenças (bheda). Dessa maneira (iti), pralaya, ou dissolução (pralayaḥ), (é) também (api) udaya, ou surgimento (udaya-rūpaḥ), e (ca) udaya, ou aparecimento (udayaḥ), (é) também (api) pralaya, ou dissolução (pralaya-rūpaḥ)"|

Na verdade (vastutas), entretanto (tu), nada (na kiñcid) surge (udeti) ou (vā) desaparece (vyayate). Nós deveremos mostrar (darśayiṣyāmi) (que é) apenas (kevalam) o próprio (eva) Poder (śaktiḥ) da Vibração Suprema (spanda), a Senhora (bhagavatī), (a qual,) apesar (api) de desprovida de qualquer sucessão (akramā) (e) composta (rūpatayā) de brilhantes manifestações (ābhāsa) de natureza similar --i.e. as quais também sem sucessão-- (tathā-tathā), reluz (sphurantī) como se (iva) surgisse (udeti) e (ca... iti) como se (iva) desaparecesse (vyayate)|

Com relação (aos atos de) manutenção do universo (sthiti), ocultação da própria natureza essencial (vilaya) (e dispensação de) Graça divina --anugraha-- (anugrahāṇām), já que eles são essencialmente (rūpatvāt) surgimentos (udaya) e reabsorções (pralaya) particulares (viśiṣṭa) ... (e) não (na) outra coisa (ādhikyam iti)... o Ato (kṛtyam) Quíntuplo (pañcavidham) do Senhor Supremo (parama-īśvaryam)22  foi condensado (sangṛhītam) na forma de reabsorção (pralaya) (e) surgimento --udaya-- (udayābhyām eva).

Além disso (ca), (esse tema foi,) de fato (evam), abundante e conclusivamente (prāyam) discutido (nirṇītam) por mim (mayā eva) no Spandasandoha (spandasandohe), na (minha) glosa (vivaraṇe) ao primeiro (prathama) aforismo (sūtra) apenas (mātra)23 |

Uma dúvida (nanu) — Do ponto de vista (dṛṣṭyā) do venerável (śrīmat) Mahārtha (mahārtha)24 , as várias (vicitrāḥ) reabsorções (pralaya) (e) emergências, surgimentos --udaya-- (udayāḥ) do mundo (jagataḥ) são promovidos (sampādyante) pelas deidades (devatābhiḥ) Sṛṣṭi (sṛṣṭi), etc. (ādi). Portanto (tad), como (katham) (no primeiroa aforismo) pôde ser dito (uktam) isto (etad): "por cujos (yasya), etc. (iti ādi)"25 ? Tendo argumentado dessa maneira (iti āśaṅkya), (Kṣemarāja, a fim de esclarecer dúvidas,) responde (com o que foi expresso também no aforismo) (āha... iti): "...que (tam) Śaṅkara --um epíteto de Śiva-- (śaṅkaram) o qual é a fonte (prabhavam) do glorioso (vibhava) grupo (cakra) de poderes (śakti)"26 |

--Agora, uma primeira interpretação do composto "śakticakravibhavaprabhavam" no aforismo--

O grupo (cakram) de poderes (śaktīnām)27  (, que aparece na forma das) deusas --devyaḥ-- (devīnām) luminosas (marīci), (como) Sṛṣṭi (sṛṣṭi), Raktā (raktā), etc (ādi), (é) um agregado (samūhaḥ) que consiste (ātmā) em doze (deidades) (dvādaśa). Seu --i.e. do agregado-- (tasya) "vibhava"28  (yaḥ vibhavaḥ) (é, de acordo com a primeira interpretação,) a imensidão (āḍambaraḥ) da brincadeira (krīḍā), cuja natureza (ātmā) (é a) atividade criativa (udyoga), a manutenção (avabhāsana), a reabsorção (carvaṇa) (e o) ocultamento (vilāpana). (E) "prabhava" (prabhavam) (é a) sua (tasya) causa (hetum)|

--Assim, essa primeira interpretação estabelece que o composto "śakticakravibhavaprabhavam" significa:
"A causa da imensidão da brincadeira, cuja natureza é atividade criativa, manutenção, reabsorção e ocultação do agregado, o qual consiste em doze deidades, como Sṛṣṭi, Raktā, etc.". Em outras palavras, o aforismo também poderia ser traduzido da seguinte maneira:

"Nós louvamos (stumaḥ) aquele (tam) Śaṅkara --um epíteto de Śiva-- (śaṅkaram), que é a causa (prabhavam) da imensidão da brincadeira, cuja natureza é atividade criativa, manutenção, reabsorção e ocultação (vibhava) do agregado (cakra), que consiste em (dose) deidades (, tais como Sṛṣṭi, Raktā, etc) (śakti), (e) por cujos (yasya) abertura (e) fechamento dos olhos (unmeṣa-nimeṣābhyām), (causa) dissolução e surgimento (pralaya-udayau) do mundo (jagataḥ)."--

De acordo com a Tradição Sagrada (iti āmāyaḥ), estas (etāḥ) deusas (devyaḥ), (as quais) sempre (sarvadā eva) abraçam (āliṅgya) o venerável (śrīmat) Manthānabhairava (manthāna-bhairavam)29 , o Senhor (īśvaram) do grupo (de poderes) (cakra), sem dúvidas (hi) causam (sampādayanti) a brincadeira (krīḍām) da manifestação (sarga), etc, (ādi)30  do mundo (jagat)|

E similarmente (atha ca), "Por que (kasmāt) o Senhor (īśvarasya) Supremo (parama) (é) a causa (hetutvam) da manifestação (sarga), dissolução (saṁhāra), etc (ādi), do mundo (jagat... iti)?". Para dissipar (esta) incerteza (āśaṅkāyām), (existe) esta (etad eva) seguinte (interpretação) (uttaram) (do composto) "Śakticakra..." (śakticakra iti)31 |

--Agora, uma segunda interpretação do composto "śakticakravibhavaprabhavam" no aforismo--

Sem dúvidas (hi) o universo (viśvam) existe (sambhavati) apenas como (yāvat) (sendo) "alguma coisa" (kiñcid)32 . Ele --i.e. o universo-- (tad) (parece ser) dotado de um estado de manifestação luminosa (prakāśamānatvena) porque ele é feito (mayatvāt) de Luz Suprema (prakāśa)|

De acordo com o preceito (nītyā) postulado (niścita) pelo sábio --i.e. Utpaladeva-- (vipaścit)33 :

"Há (asti) certamente (eva) uma manifestação luminosa (bhāsanam) da multidão (jātasya) dos seres viventes (bhāva) (porque) eles permanecem juntos (saṁsthasya) ao Ser (ātma) do Senhor (svāminaḥ). Sem (vinā) isso (tasmāt) --i.e. sem suas permanências "prévias" junto ao Ser do Senhor-- não haveria (na... pravartate) contato (āmarśaḥ) com Icchāśakti --o Poder Supremo da Vontade-- (icchā... iti) --i.e. não haveria possibilidade alguma de manifestação, já que a Icchāśakti do Senhor é a fonte de todo o universo--."34 ||

É dito que (iti ucyate) o verdadeiro (sat) grupo (cakram) de poderes (śakti) permanece (sthitam) aparecendo, ou se manifestando (prakāśamānam), como idêntico (ekātmyena) à Luz (prakāśa) interna (antar) do Senhor --Īśvara-- (īśvarasya) Supremo (parama). Portanto (yatas), é proclamado (uddhoṣyate) nas escrituras reveladas (āgameṣu) o infinito (ananta) Poder (śaktitvam) do Senhor (īśvarasya) Supremo (parama). O "vibhava" (yaḥ vibhavaḥ) do universo (viśvasya), que é, na verdade, (paramārthasya) uma manifestação luminosa (ābhāsa) desse (tasya) grupo (cakrasya) de poderes (śakti), consiste em vários (vaicitryam) recíprocos (paraspara) atos de junção (samyojanā) (e) disjunção (viyojanā), cuja natureza (prakāram) (é) infinita (ananta). Seus --i.e. desses infinitos e recíprocos atos de junção e disjunção, promovidos pelo grupo de poderes-- (tasya) "prabhava" (prabhavam) (são) a causa (kāraṇam)|

Sem dúvidas (hi), este mesmo (saḥ eva) Bhagavān, ou Senhor --lit. Afortunado, Próspero, etc.-- (bhagavān), (ao) mutuamente (anyonyam)35  juntar (samyojayan) e (ca) separar (viyojayan), de várias (nānā) maneiras (vaicitryeṇa), todas (viśvān) as manifestações luminosas (ābhāsān), as quais são idênticas (ekātmyena sthitān) à essência d'Ele (sva-ātma), (e) cuja forma (deha-ātmakān) é Vijñāna, ou Consciência (vijñāna)36 , é a causa (hetuḥ) da manifestação (udayan) (e) reabsorção (ou dissolução) (pralaya) do universo (viśva)|

--Portanto, essa segunda interpretação postula que o composto "śakticakravibhavaprabhavam" significa:
"A causa de uma variedade infinita de atos recíprocos de junção e disjunção, consumados por Śakticakra, ou o grupo de poderes". Em outras palavras, o aforismo também pode ser traduzido da seguinte maneira:

"Nós saudamos (stumaḥ) esse (tam) Śaṅkara --um epíteto de Śiva-- (śaṅkaram), o qual é a causa (prabhavam) de uma infinita variedade de atos recíprocos de junção e disjunção (vibhava), (consumados pelo) grupo (cakra) de poderes (śakti), (e) por cujos (yasya) abertura (e) fechamento dos olhos (unmeṣa-nimeṣābhyām), (causa) dissolução e o surgimento (pralaya-udayau) do mundo (jagataḥ)."--

Isso (tad) (também) foi dito (uktam) pelo exaltado (śrībhaṭṭa) Kallaṭa (kallaṭena)37 :

"(Ele, que é) a causa (hetutvam) do surgimento (utpatti) do Poder Supremo (aiśvaryasya) do Śakticakra --i.e. o grupo de poderes, ou śakti-s-- (śakti-cakra), cuja --i.e. deste Poder Supremo do Śakticakra-- forma, ou natureza (dehātmakasya), é Consciência (vijñāna... iti)..."|

Neste (contexto) (atra), as duas (dvaye) interpretações (vyākhyā) (dadas por mim estão) também (api) em conformidade (ānurupyam) com as palavras (akṣarānām) de seu --i.e. de Kallaṭa-- (etad) comentário, ou glosa (vṛtti)|

--Agora, uma terceira interpretação do composto "śakticakravibhavaprabhavam" no aforismo--

Além disso (api ca), de acordo com o ponto de vista (dṛṣṭyā) das escrituras reveladas (āgama):

"Seus (asya) poderes (śaktayaḥ) (constituem) todo (kṛtsnam) o mundo (jagat... iti)..."|

E também (ca), de acordo com o que foi estabelecido (sthityā) aqui --i.e. nas Spandakārikā-s-- (ihatya), com relação a isso --i.e. Śakticakra, ou o grupo de poderes-- cuja natureza (ātmanaḥ) é o mundo (jagat):

"... portanto (tasmāt), não há (na) estado (avasthā) que (yā) não seja (na) Śiva (śivaḥ), (quer) em palavra (śabda), objeto (artha) (ou) pensamento --cintā-- (cintāsu... iti)..."38 |

--Portanto, essa terceira interpretação postula que o composto "śakticakravibhavaprabhavam" significa:
"A fonte, ou causa, do glorioso grupo de poderes que aparece na forma deste mundo." Em outras palavras, o aforismo também pode se traduzido da seguinte maneira:

"Nós saudamos (stumaḥ) este (tam) Śaṅkara --um epíteto de Śiva-- (śaṅkaram) que é a fonte, ou causa (prabhavam), do glorioso (vibhava) grupo (cakra) de poderes (śakti) (, que aparecem na forma deste mundo, e) por cujos (yasya) abertura (e) fechamento de (Seus) olhos (unmeṣa-nimeṣābhyām), (causa) a dissolução e o surgimento (pralaya-udayau) do mundo (jagataḥ)."--

--Agora, uma quarta interpretação do composto "śakticakravibhavaprabhavam" no aforismo--

De acordo com o preceito (nītyā) sagrado (rahasya):

"Aquele (tad) Espaço da Consciência (vyoma), que permanece (stham) no curso (mārga) superior (ūrdhva) de Khecarī --um tipo de śakti, ou poder-- (khecarī) (e) consiste na esfera (gocaram) de Vāmeśī (vameśī... iti)."39 |

E também (ca) (de acordo com o que foi) completamente (samyak) investigado e discutido (nirṇītasya) por mim (mayā eva) no Spandasandoha --Ver nota 23-- (spandasandohe) (a respeito disso --i.e. Śakticraka--, Śakticakra, ou o grupo de poderes) é composto --rūpam-- (rūpasya) por Vāmeśvarī (ou Vāmeśī) (vāmeśvarī), Khecarī (khecarī), Gocarī (gocarī), Dikcarī (dikcarī) (e) Bhūcarī (bhūcarī)40 . Certamente (hi) isso (etad) (também foi declarado) aqui --i.e. nas Spandakārikā-s-- (atra) (por meio da declaração do vigésimo aforismo da primeira seção):

"Apesar disso (tu), estas (mesmas emanações do Spanda) (ete), as quais trabalhan diligente e incessantemente (udyatāḥ) para cobrir, velar (sthagana) seu --i.e. das pessoas que possuem inteligências adormecidas-- (sva) (real) estado, ou natureza (sthiti), (fazem com que) as pessoas de inteligência adormecida (aprabuddha-dhiyaḥ...iti)41 ..."|

(Śakticakra), o qual será investigado e discutido --i.e. haverá mais investigação é discussão a respeito no futuro-- (nirṇeṣyamānasya), é constituído --bhūtam- (bhūtasya) pelo múltiplo (prapañca) grupo (cakra) de poderes (na forma de Vāmeśī, Khecarī, etc.) (śakti), conforme foi explicado (vyākhyāta) nas duas (dvaya) interpretações (anteriores) (vyākhyā ca).

--Portanto, esta quarta interpretação postula que o composto "śakticakravibhavaprabhavam" significa:
"A fonte, ou causa, do glorioso grupo de deusas, como Vāmeśī (or Vāmeśvarī), Khecarī, Gocarī, Dikcarī and Bhūcarī." Em outras palavras, o aforismo também pode ser traduzido da seguinte maneira:

"Nós saudamos (stumaḥ) este (tam) Śaṅkara --um epíteto de Śiva-- (śaṅkaram), que é a fonte, ou causa (prabhavam), do glorioso (vibhava) grupo (cakra) de deusas, conhecidas como Vāmeśī (ou Vāmeśvarī), Khecarī, Gocarī, Dikcarī and Bhūcarī (śakti), (e) por cujos (yasya) abertura (e) fechamento dos olhos (unmeṣa-nimeṣābhyām), (causa) dissolução e surgimento (pralaya-udayau) do mundo (jagataḥ)."--

--Agora uma quinta interpretação do composto "śakticakravibhavaprabhavam" no aforismo--

De acordo com o que foi declarado (sthityā) (no sexto aforismo da primeira sessão das Spandakārikā-s):

"... pelo qual (yatas) este (ayam) grupo (vargaḥ) de órgãos, ou instrumentos --intelecto, ego, mente, poderes de percepção e poderes de ação-- (karaṇa), (apesar de) insensível (vimuḍhaḥ) (, procede) como (se fosse) (vat) sensível (amūḍhaḥ) por si mesmo (svayam), (e) junto (saha) com o grupo (de Karaṇeśvarī-s, ou deusas dos sentidos,) (cakreṇa) interno (āntareṇa) (, entra) nos estados "Pravṛtti" --i.e. ir a coisas externas-- (pravṛtti), "Sthiti" --i.e. manter essas coisas internas por algum momento-- (sthiti) (e) "Saṁhṛti" --i.e. dissolver essas coisas externas em seu próprio ser-- (samhṛtīḥ... iti)..."42 ||

(Śakticakra, ou o grupo de poderes,) consistiria (ātmanaḥ) na multitude (grāma) de órgãos, ou instrumentos --intelecto, ego, mente, poderes de percepção e poderes de ação-- (indriya)43 .

--Portanto, essa quinta interpretação declara que o composto "śakticakravibhavaprabhavam" significa:
"A fonte, ou causa, da gloriosa multidão de órgãos, ou instrumentos --intelecto, ego, mente, poderes de percepção e poderes de ação--." Em outras palavras, o aforismo também pode ser traduzido da seguinte maneira:

"Louvamos (stumaḥ) este (tam) Śaṅkara --um epíteto de Śiva-- (śaṅkaram) que é a fonte, ou causa (prabhavam) da gloriosa (vibhava) multidão (cakra) de órgãos, ou instrumentos --intelecto, ego, mente, poderes de percepção e poderes de ação-- (śakti), (e) por cujos (yasya) abertura (e) fechamento dos olhos (unmeṣa-nimeṣābhyām) (causa) dissolução e surgimento (pralaya-udayau) do mundo (jagataḥ)."--

--Agora uma sexta interpretação do composto "śakticakravibhavaprabhavam" no aforismo--

(Similarmente, de acordo com o que foi expresso no primeiro aforismo da segunda sessão das Spandakārikā-s:)

"Agarrando (ākramya) esta (tad) Força (balam), os Mantra-s (mantrāḥ), repletos (śālinaḥ) do poder (bala) onisciente (sarvajña), procedem (pravartante) em se ocupar com suas (respectivas) funções (adhikārāya) (com relação aos seres encarnados), assim como (iva) os poderes de ação e de percepção (karaṇāni) destes (mesmos) seres encarnados (dehinām... iti) (procedem em ocupar a si mesmos com suas respectivas funções também por meio de se agarrar esta Força)."||

(Śakticakra, ou o grupo de poderes,) seriam (ātmanaḥ) os eternos (nitya) mantra-s (mantra)44 .

--Portanto, essa sexta interpretação postula que o composto "śakticakravibhavaprabhavam" significa:
"A fonte, ou causa, do glorioso grupo dos eternos mantra-s." Em outras palavras, o aforismo também pode ser traduzido da seguinte maneira:

"Nós louvamos (stumaḥ) este (tam) Śaṅkara --um epíteto de Śiva-- (śaṅkaram) , que é a fonte, ou causa (prabhavam), do glorioso (vibhava) grupo (cakra) dos eternos mantra-s (śakti), (e) por cujos (yasya) fechamento (e) abertura de (Seus) olhos (unmeṣa-nimeṣābhyām) (ocorre) dissolução e surgimento(pralaya-udayau) do mundo (jagataḥ)."--

--Agora, uma sétima interpretação do composto "śakticakravibhavaprabhavam" no aforismo--

(Finalmente,) de acordo com o que foi postulado (nītyā) (no décimo terceiro aforismo da terceira sessão das Spandakārikā-s):

"Aquele que tem (sua) glória (vibhavaḥ) privada (vilupta) por Kalā (kalā) é (gataḥ san) usado, usufruído --i.e. é vitimizado-- (bhogyatām) pelo grupo (vargasya) de poderes (śakti) derivado (samutthasya) da multidão (rāśi) de palavras (śabda). (Portanto,) ele (saḥ) é conhecido(smṛtaḥ) como paśu, ou ser limitado (paśuḥ... iti)."||

(Śakticakra, ou o grupo de poderes, seria) aquilo cuja natureza essencial (sva-bhāvasya) é (o grupo) de deidades (devatā) (como) Brāhmī (brāhmī), etc. (ādi)45 .

--Portanto, essa sétima interpretação postula que o composto "śakticakravibhavaprabhavam" significa:
"A fonte, ou causa, do glorioso grupo de deidades (como) Brāhmī, Yogīśvarī (ou Mahālakṣmī), Māheśvarī, Kaumārī, Vaiṣṇavī, Vārāhī, Aindrī (ou Indrāṇī) e Cāmuṇḍā." Em outras palavras, o aforismo também pode ser traduzido da seguinte maneira:

"Nós saudamos (stumaḥ) este (tam) Śaṅkara --um epíteto de Śiva-- (śaṅkaram) que é a fonte, ou causa (prabhavam), do glorioso (vibhava) grupo (cakra) de deidades (como) Brāhmī, Yogīśvarī (ou Mahālakṣmī), Māheśvarī, Kaumārī, Vaiṣṇavī, Vārāhī, Aindrī (ou Indrāṇī) e Cāmuṇḍā (śakti), (e) por cujos (yasya) abertura (e) fechamento de (Seus) olhos (unmeṣa-nimeṣābhyām) (ocorre) dissolução e surgimento (pralaya-udayau) do mundo (jagataḥ)."--

Portanto (evam), no Spandasandoha --ver nota 23-- (spandasandohe) eu certamente expliquei em detalhes (api mayā eva... vitatya) que "vibhava" (yaḥ vibhavaḥ), (ou) a posição exaltada (māhātymyam) do grupo (cakrasya) primordial (ādeḥ) de poderes (śakti), que foi completamente investigado e discutido (nirṇītasya), (e) cuja natureza (prakārasya) é infinita (ananta). Nesse contexto (tatra), o termo "prabhava" (prabhavam) significa "alguém que preside, ou domina" (prabhavati iti) i.e. alguém que é livre (svatantram), e não (na tu) alguém que seja dependente (paratantram) como (vat) um animal (paśu)46 |

--Agora, uma interpretação adicional do composto "śakticakravibhavaprabhavam" no aforismo--

(Śakticakravibhavaprabhavam também pode ser considerado) um composto Bahuvrīhi (bahuvrīhiṇā)47 . (De acordo com esse ponto de vista), o termo "vibhava" (yaḥ vibhavaḥ) (significaria) a interna (antarmukhaḥ) apresentação, ou o interno desdobrar (vikāsaḥ), da massa (puñjasya) de raios (raśmi)48 . Consequentemente (tatas), o termo "prabhava" (prabhavaḥ), (como sendo o último membro desse composto Bahuvrīhi, deveria ser entendido como) "alguém cujas (yasya) emergência (udayaḥ) (e) manifestação (abhivyaktiḥ)" --note que nessa interpretação "prabhava" significaria emergência e manifestação, e não meramente "fonte, ou causa" como geralmente traduzido--.

--Portanto, essa interpretação adicional postula que o composto "śakticakravibhavaprabhavam", se tomado como um composto Bahuvrīhi, significaria:
"Alguém cujos emergência e manifestação (consiste na) apresentação, ou desdobramento, da massa de raios --i.e. as deidades dos sentidos-- (também conhecida por) grupo de poderes." Em outras palavras, o aforismo também poderia ser traduzido da seguinte maneira:

"Nós saudamos (stumaḥ) este (tam) Śaṅkara --um epíteto de Śiva-- (śaṅkaram) cujos emergência e manifestação (prabhavam) (consistem na) apresentação interna, ou desdobrar interno, da massa de raios --i.e. as deidades dos sentidos-- (vibhava) (, também conhecida como) o grupo (cakra) de poderes (śakti), (e) por cujos (yasya) abertura (e) fechamento de (Seus) olhos (unmeṣa-nimeṣābhyām) (ocorre) dissolução e surgimento (pralaya-udayau) do mundo (jagataḥ)."--

O significado é (iti arthaḥ) que o reconhecimento (pratyabhijñānam) da Essência (sva-rūpa) do Senhor (īśvara) Supremo (parama) acontece (bhavati) sem esforços (ayatnena) por meio da percepção (nibhālanāt) desta (tad) natureza essencial (sva-rūpa) interna (antarmukhaḥ)|

Além disso (kiñca), nós saudamos (stumaḥ) Śaṅkara --i.e. Śiva-- (śaṅkaram), que é o revelador (prakāśakam) de Sua --i.e. de Śiva- (etad) natureza primordial (sva-rūpa)49  àqueles que são dedicados (bhājām) à devoção (bhakti). (Nós louvamos a) Ele (tam) (, a) causa, ou fonte (prabhavam), do Śakticakravibhava (śakti-cakra-vibhavasya), i.e. a vasta expansão (sphārasya) da divindade (devatā) (, a qual aparece na forma da) Mais Alta (para) Consciência (saṁvid). A dissolução (, ou reabsorção,) (pralaya) (e o) aparecimento, ou manifestação --udaya-- (udayau), do mundo (jagat), i.e. daquilo cuja natureza (rūpasya) é o corpo (śarīra), (e, de fato,) do universo (viśvasya) externo (bāhyasya), também (api) por meio de sua associação (tad-anusaṅgeṇa) --i.e. usando o corpo como um tipo de ponte, ou ligação-- (são realmente) um surgimento --unmajjana-- (unmajjane) (e um) desaparecimento (majjana), de maneira suscessiva (yathā-saṅkhyam), d'Aquilo que É --o Ser-- (bhavataḥ)50 , em conformidade (yuktyā) (com o bem conhecido ensinamento): "O que (yad) (há) dentro (antar) (também está) fora (tad bahis iti)". (O anteriormente mencionado processo de dissolução e manifestação ocorre) por meio de uma abertura e um fechamento dos olhos (unmeṣa-nimeṣābhyām) d'Aquele (yasya) Ser (ātmanaḥ), que é uma massa compacta (ghanasya) de Consciência (cit) (e) Bem-aventuraça (ānanda), (ou seja,) revelando e escondendo (unmīlana-nimīlanābhyām) (Sua) natureza essencial (sva-rūpa)|

Similarmente (tathā), (pode ser postulado que há) emergência, ou manifestação (udayaḥ), do mundo (jagataḥ), o qual está em próxima conexão, ou unidade (sambandhinaḥ), com o Ser (ātmanaḥ) Dele (yasya sva), por conta do "unmeṣa" --abertura dos olhos Dele-- (unmeṣāt), cuja natureza (rūpāt) consiste numa expansão (prasara) que aparece como externalidades (bahis-mukhatā). Por outro lado (ca), (há) submergência (pralayaḥ) (deste mesmo mundo) por causa do "nimeṣa" --fechamento dos olhos Dele-- (nimeṣāt), o qual essencialmente é (rūpāt) internalização (antar-mukhatā). (Portanto,) tanto quanto possível (yathā-sambhavam) (, o aforismo pode) até (api) ser formulado (yojyam) (da seguinte maneira): "Nós saudamos (stumaḥ) este (tam) Śaṅkara (śaṅkara), que é a fonte, ou causa (hetum), da posição exaltada (māhātmyasya) da Deusa (devī) Consciência (saṁvid) , cuja essência (sva-rūpa) é 'unmeṣa' (unmeṣa), etc. --i.e. 'nimeṣa'-- (ādi), a qual produz (kāri) emanação, ou manifestação (sarga), do universo (viśva), etc. --i.e. 'pralaya', ou dissolução-- (ādi... iti)"|

Mesmo (api) entrando (āviṣṭaḥ) no corpo (deha), etc (ādi), o Senhor (īśvaraḥ) Supremo (parama), abrindo (unmīlana) (e) fechando --nimīlana-- (nimīlanābhyām) os sentidos (karaṇa) daquele que é composto (mayasya) pelo grupo de cinco (pañcaka), i.e. de Rūpa-tanmātra (rūpa), etc. (ādi)51 , produz (karoti) a manifestação (sarga) (e) a dissolução --saṁhāra-- (saṁharau) do mundo (jagataḥ)|

Isso (yad) (também) foi dito (uktam) pelo conhecedor (vidā) do princípio (tattva) secreto (rahasya) --ou então, "a verdade (tattva) sobre o ensinamento esotérico (rahasya)"--52 :

"Portanto (evam), este (tad) Senhor (prabhuḥ), mesmo (api) na vida ordinária (vyavahāre), entrando (āviśan) no corpo (deha), etc. (ādim), (faz com que) a multidão (ogham) de objetos (artha) internos (antar), os quais têm a forma de um raio (bhāntam eva)53 , apareça (bhāsayet) externamente (bahis), por meio da Vontade (Dele) (icchayā... iti)."|

Para que (as pessoas lendo este aforismo) possam também (api) receber (parigrahāya) o significado (artha) dessa maneira --i.e. na maneira descrita acima por Utpaladeva-- (evaṁvidha), o guru, ou preceptor espiritual --o autor das Spandakārikā-s, i.e. Vasugupta, de acordo com Kṣemarāja-- (guruṇā), abandonando (tyaktvā) (a frase) "yasya svātantryaśaktyā", i.e. "(Por meio) do (yasya) Poder (śaktyā) de Liberdade Absoluta (svātantrya... iti)", escolhe (usar) (nyarūpi) (a frase) "yasyonmeṣanimeṣābhyām", i.e. "(Por) cujos (yasya) abertura (e) fechamento dos olhos (Dele) (unmeṣanimeṣābhyām iti)"|

A respeito disso (atra ca), a saudação, ou louvor (stutiḥ), a Śaṅkara (śaṅkara) (no aforismo significa) aquilo cuja natureza (rūpā) é "samāveśa", ou penetração (samāveśa) --i.e. penetração no Senhor--, a qual --i.e. "samāveśa"-- é mencionada (abhideyā) como aquilo a ser atingido --i.e. a meta-- (prāpyatvena). (Por um lado, ao tomar "Śakticakravibhavaprabhavam") como um composto Bahuvrīhi --ver nota 47 para mais informação a respeito deste tipo de composto-- (bahuvrīhiṇā), (da seguinte forma): "Śakticakravibhavātprabhavo yasya", (isto é,) "Alguém cuja (yasya) manifestação (prabhavaḥ) se deve à disposição, ao desdobramento, interno (vibhavāt) do grupo (cakra) de poderes (śakti)", (então) a manifestação, ou desdobramento, (interno) (vikāsaḥ) do grupo (cakra) de poderes (śakti) é declarada (uktaḥ) (como sendo) o meio (upāyaḥ) para a aquisição (prāptau) daquilo ("samāveśa", ou Penetração no Senhor Supremo) (tad). (Por outro lado, tomando "Śakticakravibhavaprabhavam") como um composto Tatpuruṣa (tatpuruṣeṇa)54 , (o qual aparece da seguinte maneira quando dissolvido): "Śakticakravibhasya... prabhavam"55 ; (em outros termos) "O (prabhava, ou) revelador (prakāśakam) (de Śakticakravibhava), i.e. da vasta expansão (sphārasya) da deidade (devatā) da Mais Alta (para) Consciência (saṁvid) aos que são dedicados (bhājām) à devoção (bhakti... iti)", (então) o fruto, ou resultado (phalam) é mencionado (uktam)|

Isso (yad) (é o que Vasugupta, o autor das Spandakārikā-s, de acordo com Kṣemarāja,) dirá (vakṣyati) (no décimo nono aforismo da terceira sessão):

"... consequentemente (tatas), ele (também) se torna (bhavet) o Senhor (īśvaraḥ) do grupo (de śakti-s, ou poderes) (cakra... iti)."|

A conexão (sambandhaḥ) do significado (das Spandakārikā-s) (abhidheya)56  (e) o meio --upāya-- (upāyayoḥ) é (a mesma que existe entre) (bhāvaḥ) a meta (upeya) (e) o meio (upāya). Assim (iti), o significado (das Spandakārikā-s) (abhidheya), o meio (upāya), (sua) conexão (sambandha) (e) o benefício, ou logro, a ser obtido --i.e. "prayojana", o fruto, ou resultado-- (prayojanāni) foi declarado, postulado (sūtritāni), por meio (anena) deste (eva) mesmíssimo aforismo (sūtrena) --i.e. o primeiro aforismo das Spandakārikā-s, que foram completamente comentados por Kṣemarāja--||1||

1  A palavra "kalpita" também pode significar "imaginado, mentalmente concebido, inventado, fabricado, artificial, etc.", em suma, Kṣemarāja está se referindo ao "ego", ou falsa Consciência do Eu (e.g. Eu sou Gabriel).Return

2  Em outras palavras, as Spandakārikā-s originais sobre as quais Kṣemarāja está comentando em seu Spandanirṇaya.Return

3  De acordo com a antiga tradição, Śiva outorga Sua Graça a alguém por meio da sua mirada a ele/ela com o canto dos olhos (kaṭākṣa). Misterioso, não?Return

4  Note que Kṣemarāja se refere à primeira metade da estrofe original em Sânscrito (yasyonmeṣa... , i.e. yasya unmeṣa...), e não à tradução ao Inglês, obviamente. Como você pode ver, a palavra "yasya" (cujos) aparece no meio da tradução Inglesa, apesar de estar no começo da estrofe original.Return

5  Por "Ela" o texto se refere a "o Poder Supremo, ou Parāśakti". Como você sabe, Parāśakti tem gênero feminino.Return

6  Kṣemarāja novamente está se referindo àquela Parāśakti (Poder Supremo), ou Svātantryaśakti (Poder de Liberdade Absoluta). Em suma, ele está se referindo a Śakti, ou Consciência do Eu. Como você sabe, "Parāśakti", "Svātantryaśakti" e "Śakti" tem gênero feminino.Return

7  Em outras palavras, "Diretamente do Senhor".Return

8  Outra tradução possível poderia ser "Ela não é nada extra".Return

9  O significado comum para a raiz "spand" é "pulsar, vibrar".Return

10  Em outras palavras: "Śiva".Return

11  Apesar de eu haver escolhido traduzir "camatkāra" como "espanto" neste contexto, saiba que a palavra também significa "A Bem-Aventurança da Consciência do Eu" e "o deleite que surge da experiência artística".Return

12  "Unmeṣa" e "Nimeṣa" literalmente significam "o ato de abrir os olhos" e "o ato de fechar os olhos", respectivamente. Nesse contexto, podem ser interpretados como "emanação" e "absorção". Quando existe "Unmeṣa" do universo, isto é, emanação cósmica, há "Nimeṣa", ou reabsorção, da Consciência do Eu. Em outras palavras, a própria Auto Consciência de alguém é voluntariamente reduzida para que o universo possa florecer. Por outro lado, quando há Unmeṣa, ou crescimento da Consciência do Eu, "Nimeṣa", ou reabsorçãdo do universo, sucede-se consequentemente. Isso é explicado pelo próprio Kṣemarāja em seu presente comentário, no primeiro aforismo... continue lendo, por favor.Return

13  Estes são os sete experimentadores, de acordo com o sistema Trika: Śiva (tattva-s 1 e 2), Mantramaheśvara (tattva 3), Mantreśvara (tattva 4), Mantra (tattva 5), Vijñānākala (entre tattva-s 5 e 6), Pralayākala (tattva-s 6 a 11) e Sakala (tattva-s 12 a 36). Veja a seção Documentos do Trika para mais informação.Return

14  Em suma, o glorioso grande Senhor é tanto os 7 experimentadores quanto tudo que é experimentado por eles.Return

15  Consciência, ou Saṁvid, tem gênero feminino. Ela é considera uma deusa, ou devī.Return

16  Literalmente: "Abrindo (e) fechando (Seus --de Deus--) olhos". Veja o aforismo 1 acima. Note que no aforismo, "yasya" (cujos) aparece acompanhado de "unmeṣanimeṣābhyām" e, portanto, a tradução completa é "Por cujos abertura (e) fechamento de (Seus --de Deus--) olhos". Compreendeu meu ponto? Muito bem.Return

17  Em outras palavras, o primeiro aforismo das Spandakārikā-s, a qual nós estamos estudando agora.Return

18  Kallaṭa foi um dos discípulos mais importantes de Vasugupta, o sábio que encontrou os Śivasūtra-s na montanha Mahādeva. De acordo com Kṣemarāja, ele (Vasugupta) também é o autor das Spandakārikā-s, enquanto outros autores acreditam que foi o próprio Kallaṭa. Isto ainda está em debate.Return

19  De acordo com Kṣemarāja, Vasugupta é o autor real das Spandakārikā-s, enquanto outros autores pensam que foi Kallaṭa, seu principal discípulo.Return

20  A tradução "nomeado, designado" também é possível aqui.Return

21  Em outras palavras: "Yasyonmeṣanimeṣābhyāṁ jagataḥ pralayodayau" - "... por cujos (yasya) abertura (e) fechamento dos olhos (Dele) (unmeṣa-nimeṣābhyām) (ocorre) dissolução e emergência (pralaya-udayau) do mundo (jagataḥ)".Return

22  O Ato Quíntuplo do Senhor Supremo consistem em udaya (emergência do universo), sthiti (manutenção do universo), pralaya (reabsorção do universo), vilaya --também conhecido como tirodhāna ou pīḍana-- (ocultação da natureza essencial de alguén) e anugraha (Favor Divino, ou Graça). De acordo com o venerável Kṣemarāja, estes cinco atos são, na realidade, diferentes maneiras de udaya-s (emergências) e pralaya-s (reabsorções).Return

23  Spandasandoha é um trabalho preliminar de Kṣemarāja, no qual ele apenas comenta a respeito da primeira estrofe das Spandakārikā-s. Posteriormente ele compôs o presente Spandanirṇaya, com o qual ele comentou a obra inteira, i.e. todos os aforismos das Spandakārikā-s.Return

24  Mahārtha é a bem conhecida escola Krama (também chamada Mahānaya), a qual apareceu na Cachemira do século 7 da nossa era. Este sistema postula que o processo de manifestação e reabsorção universais são consumados por um número específico de deusas.Return

25  O interpelador está perguntando por que foi usado o singular em "... por cujos (yasya) abertura (e) fechamento dos olhos (Dele) (unmeṣa-nimeṣābhyām) (ocorre) dissolução e emergência (pralaya-udayau) do mundo (jagataḥ)", se o sistema Krama postula que os processos de emergência e dissolução (i.e. reabsorção) são consumados por várias deidades. Lembre-se de que o sistema Krama está estreitamente relacionado ao Trika. Portanto, esta objeção é válida neste contexto.Return

26  Dessa forma, Kṣemarāja, citando uma porção antiga deste mesmo primeiro aforismo, declara que Śaṅkara (Śiva) é a fonte dessas deidades, ou poderes (śakti-s), as quais executam o processo de emergência e dissolução (reabsorção) do mundo. Portanto, é na verdade Śiva que produz emergência universal e dissolução universal por meio de Suas deidades (também conhecidas por poderes, ou deusas). Então, não há contradição real entre os sistemas Krama e Trika nesse ponto.Return

27  "Śaktīnāṁ... cakram" --grupo (cakram) de poderes (śaktīnām)-- também pode ser escrito como um composto: "śakticakram", i.e. "śakticakra", em sua forma crua (sem declinação). Note que "śakticakram" está declinado no caso Nominativo. Veja os documentos Declinação para mais informações. Estou deixando este ponto claro para indicar que esta interpretação está analizando inicialmente o composto "śakticakra" no aforismo.Return

28  Ainda que eu tenha traduzido "vibhava" como "glorioso" no aforismo original, existem muitas outras interpretações, sendo esta uma delas. A mesma coisa acontece com relação a "śakticakra" e "prabhava". Eu não poderia incluir todas as interpretações na minha tradução... é por isso que os comentários existem, hehe.Return

029  O termo "manthāna-bhairava" literalmente significa: "O aterrador e terrível Ser (bhairava) que agita (o universo) (manthāna)". Paradoxalmente, o termo "bhairava" é derivado de "bhīru" (medroso). De alguma maneira, através dos séculos, ele passou a significar o oposto. Em suma, Manthānabhairava É o Senhor Supremo, a fonte de tudo. O que mais eu poderia dizer?Return

30  Por "etc", entende-se "manutenção e dissolução (reabsorção)", obviamente.Return

31  Em outras palavras, a segunda interpretação de "Śakticakravibhavaprabhavam" removerá essa dúvida.Return

32  Por "alguma coisa", o autor quer dizer "alguma coisa manifesta". Isso é óbvio, não é? Olhe ao redor, hehe.Return

33  O sábio Utpaladeva era discípulo de Somānanda, um dos renomados discípulos do próprio Vasugupta (aquele que descobriu os Śivasūtra-s). Por outro lado, Somānanda e Utpaladeva são os autores das principais obras da seção Pratyabhijñā (a terceira seção da literatura Trika --veja a seçãoTrika deste site para mais informações--). Śivadṛṣṭi e Īśvarapratyabhijñā são as escrituras compostas por Somānanda e Utpaladeva mais celebradas, respectivamente.Return

34  Em termos simples, "O Senhor deseja manifestar todos os seres viventes porque eles já estão contidos n'Ele".Return

35  Forma contraída de "anyo'nyam" (anyas anyam). Portanto, também pode ser escrita como "anyo'nyam", em vez de "anyonyam".Return

36  Sim, sim, o termo "vijñāna" tem muitos outros significados, mas ele deve ser traduzido como "Consciência" neste contexto.Return

37  Kallaṭa foi um dos mais proeminentes discípulos do venerável Vasugupta.Return

38  Veja o quarto aforismo da segunda seção em Spandakārikā-s, a escritura sobre a qual Kṣemarāja está comentando agora.Return

39  A deusa Vāmeśī também é conhecida por Vāmeśvarī. Ela é a principal deidade do grupo de deusas.Return

40  Vāmeśvarī (também conhecida por Vāmeśī) é a chefe do grupo de cinco śakti-s, ou poderes: Khecarī (este poder se move na esfera do experimentador limitado), Gocarī (a qual se move na esfera da mente), Dikcarī (na esfera dos sentidos) e Bhūcarī (na esfera dos objetos).Return

41  Veja o aforismo (I,20) em Spandakārikā-s para o restante da tradução. Spanda significa, literalmente, "Vibração". É um epíteto de Śakti, o Poder Supremo.Return

42  Leia os aforismos 6 e 7 da primeira seção em Spandakārikā-s para entender melhor o significado, já que estão intimamente relacionados.Return

43  Os poderes de percepção e de ação são os Jñānendriya-s e os Karmendriya-s, respectivamente. Veja Quadro de tattva-s (tattva-s, ou categorias 17 a 26) para mais informação.Return

44  Os mantra-s eternos são, em último estágio, a corporificação do mantra primordial do Ser Supremo. Existem muitos sons sagrados, mas nenhum deles pode "perfeitamente" representar o som mais sutil produzido pela Consciência Absoluta. Eles são como rios desaguando no oceano do som eterno de Deus. Nenhuma língua (o órgão anatômico) grosseira pode emitir esse som.Return

45  As deidades mencionadas são as dos varga-s (grupos de letras): a-varga (grupo das vogais) é presidido por Yogīśvarī (também conhecida como Mahālakṣmī); ka-varga (grupo das guturais) é presidido por Brāhmī; ca-varga (grupo das palatais) é presidido por Māheśvarī; ṭa-varga (grupo das cerebrais) é presidido por Kaumārī; ta-varga (grupo das dentais) é presidido por Vaiṣṇavī; pa-varga (grupo das labiais) é presidido por Vārāhī; ya-varga (grupo das semivogais) é presidido por Aindrī (também conhecida por Indrāṇī) e śa-varga (grupo das sibilantes, ou aspiradas) é presidido por Cāmuṇḍā. Veja Alfabeto sânscrito (arranjo tradicional) para mais informações.Return

46  O termo "paśu" também pode ser pronunciado como "paśu". Ele literalmente significa "animal", e neste sentido seu significado também é aplicado aos "seres limitados", os quais são como animais quando comparados ao Senhor Supremo.Return

47  Bahuvrīhi, ou compostos Atributivos são completamente estudados em Compostos (Veja Sânscrito/Compostos no menu principal). O mesmo termo "bahuvrīhi" pode ser usado como um composto Bahuvrīhi. Ele literalmente significa : "muito (bahu) arroz (vrīhiḥ)" (note que eu adicionei Visarga --ḥ-- a "vrīhi", a fim de declinar o substântivo no caso Nominativo --veja Declinação para mais informações sobre declinação--). Neste sentido, se traduzido literalmente significaria "um monte de arroz", mas como é um composto Bahuvrīhi, a tradução adequada é "alguém que tem muito arroz". Similarmente esta interpretação adicional do composto "Śakticakravibhavaprabhavam" especifica que ele pode ser considerado um compsoto Bahuvrīhi: "Alguém cujo prabhavam....". Captou? Ok, é difícil para os iniciantes, mas veja só, você está no universo Sânscrito aqui, no qual tudo é sempre difícil, haha. De qualquer forma, se você ainda não está me entendendo, não se apresse. Você entenderá no tempo certo.Return

48  A "massa de raios" são as deidades dos sentidos. Portanto, o termo "vibhava" pode ser compreendido como "a manifestação interna, ou desdobramento, das deidades dos sentidos".Return

49  Uma tradução alternativa de "... bhaktibhājāmetatsvarūpaprakāśakam" pode ser "... que é o revelador (prakāśakam) da natureza primordial (sva-rūpa) disto --i.e. do 'Śakticakravibhava', o qual é imediatamente explicado depois disso-- (etad) àqueles que são dedidacos (bhājām) à devoção (bhakti)". Bem, eu optei por traduzir "etad" como "Seu", que também é válido, mas ambas as traduções são possíveis, eu acho, de acordo com o meu conhecimento atual.Return

50  "Bhavataḥ" também pode ser traduzido como "Seu", mas já que o Senhor é sempre considerado na terceira pessoa em todo o parágrafo, introduzir aqui a segunda pessoa seria inadequado. A palavra "bhavat", além de ser a forma crua de "bhavān" ("Você" cortêz), também significa"alguém que é, ou que existe", e "bhavataḥ" é o caso Genitivo, nesse contexto, i.e. "de alguém que é, ou que existe". Lembre-se de que "tvam" é o "você" comum, enquanto "bhavān" é "Você", como se você estivesse dizendo "Sua Excelência", "Sua Alteza", entende? Portanto, "bhavān" (derivado de "bhavat") é muito mais cortês que um mero "tvam". Em suma, "bhavataḥ" também pode significar "de Sua Excelência, de Sua Alteza", ou simplesmente "Seu", mas é melhor traduzi-lo aqui por "de alguém que é, ou que existe". Eu substitui na tradução "alguém" por "Aquilo" visando conveniência, certamente.Return

51  O composto "rūpādipañcakamayasya", ou "de alguém que é composto pelo grupo de cinco, i.e. do Rūpa-tanmātra, etc." significa, em suma, "de um ser vivo". Todos os seres vivos são compostos de cinco Tanmātra-s (Rūpa, Śabda, Sparśa, Rasa e Gandha). Veja o Quadro de tattva-s para mais informação. O sentido desta frase é que o Mais Alto Senhor, apesar de haver entrado no corpo físico de um ser vivente, gera a manifestação e reabsorção do mundo meramente pela abertura e fechamento dos sentidos deste ser. Este ser vivente é "você", agora mesmo. O mundo se manifesta quando os seus sentidos são abertos pelo Senhor , e logo é reabsorvido quando estes mesmos sentidos são fechados por Ele. O que você chama de "o mundo" é simplesmente uma divina brincadeira do Ser Supremo, que habita em você como "Você", de acordo com o Trika.Return

52  Refere-se ao exaltado Utpaladeva, o eminente discípulo de Somānanda.Return

53  A palavra "bhānta" significa duas coisas: "alguém que tem a forma de um raio", ou "lua". Neste caso, optei pela primeira tradução. O sentido oculto é que a multitude de objetos internos descansa dentro do Senhor em uma forma "brilhante", como a de um raio. Além disso, o próprio termo "bhāsayet" ("faz surgir") , que aparece na sequência, deriva da raiz "bhās", que significa "aparecer", porém também "brilhar, reluzir". Por outro lado, o termo "eva" (apenas, certamente, de fato, etc.) funciona aqui como um mero expletivo, i.e. uma palavra que, apesar de não traduzida, contribui para o sentido geral da sentença. Neste caso, "eva" foi inserido aqui com a finalidade de ênfase.Return

54  A principal característica dos compostos Determinativos, ou Tatpuruṣa, é que eles contêm dois membros, e o primeiro "determina" o significado do segundo. Veja os documentos da sub-seção Compostos, dentro da seção Sânscrito (veja o menu principal), para informações detalhadas a respeito deste tipo particular de composto. De fato, é o tipo mais comum dentre todos as espécies de compostos.Return

55  Kṣemarāja aqui considera "Śakticakravibhavaprabhavam" um composto Tatpuruṣa flexional do tipo Genitivo. Quando um composto Tatpuruṣa flexional é dissolvido, seu primeiro membro (chamado "atributivo") aparece declinado no caso respectivo (Genitivo, aqui, claro). O grande sábio postula que o primeiro membro poderia ser "Śakticakravibhava" e o segundo "prabhavam". Portanto, quando o composto é dissolvido, o primeiro membro deveria ser declinado no Genitivo... e é isso o que ocorre no comentário: "Śakticakravibhavasya... prabhavam", entendeu? Bem, se você ainda não compreende isso, dirija-se aos documentos da sub-seção Compostos (Ver Sânscrito/Compostos no menu principal).Return

56  Alguns outros autores traduzem "abhideya" como "tema".Return

início


 Aphorism 2

नन्वेवम्भूतशङ्करस्वरूपसत्तायां किं प्रमाणं कुतश्चोपादानादिहेतुं विना जगदसौ जनयति तस्यैवोपादानत्वे मृत्पिण्डस्येव घतेन जगता तिरोधानं क्रियेत तिरोहितातिरोहिततायां च भगवतः स्वभावभेदः स्यात्पुनरुन्मज्जने च हेतुश्चिन्त्यो जगदुदये च द्वैतप्रसङ्ग इत्येताः शङ्का एकप्रहारेणापहर्तुमाह—


यत्र स्थितमिदं सर्वं कार्यं यस्माच्च निर्गतम्।
तस्यानावृतरूपत्वान्न निरोधोऽस्ति कुत्रचित्॥२॥


तस्यास्य शङ्करात्मनः प्रकाशानन्दघनस्य स्वस्वभावस्य न कुत्रचिद्देशे काल आकारे वा निरोधः प्रसरख्याघातोऽस्त्यनावृतरूपत्वादस्थगितस्वभावत्वात्। अयं भावः। इह यत्किञ्चित्प्राणपुर्यष्टकसुखनीलादिकं चित्प्रकाशस्यावरकं सम्भाव्यते तद्यदि न प्रकाशते न किञ्चित्प्रकाशमानं तु प्रकाशात्मकशङ्करस्वरूपमेवेति किं कस्य निरोधकं को वा निरोधार्थः। एतदेव तस्येत्येतद्विशेषणेन यत्रेत्यादिनोपपादयति। यत्र यस्मिंश्चिद्रूपे स्वात्मनीदं मातृमानमेयात्मकं सर्वं जगत्कार्यं स्थितं यत्प्रकाशेन प्रकाशमानं सत्स्थितिं लभते तस्य कथं तेन निरोधः शक्यस्तन्निरोधे हि निरोधकाभिमतमेव न चकास्यादित्याशयशेषः। यथोक्तम्

तदात्मनैव तस्य स्यात्कथं प्राणेन यन्त्रणा।

इत्यजडप्रमातृसिद्धौ। ननूत्पन्नस्य स्थित्यात्मा प्रकाशो भवत्युत्पत्तिरेव त्वस्य कुत इत्याह यस्माच्च निर्गतमिति। स्मृतिस्वप्नसङ्कल्पयोगिनिर्माणदृष्ट्या चितः स्वानुभवसिद्धं जगत्कारणत्वमुज्झत्वाप्रमाणकमनुपपन्नं च प्रधानपरमाण्वादीनां न तत्कल्पयितुं युज्यते। कार्यपदेन चेदमेव ध्वनितं कर्तुः क्रियया निष्पाद्यं हि कार्यमुच्यते न तु जडकारणानन्तरभावि जडस्य कारणत्वानुपपत्तेरीश्वरप्रत्यभिज्ञोक्तनीत्या। भविष्यति चैतत्

अवस्थायुगलं चात्र कार्यकर्तृत्वशब्दितम्।

इत्यत्र। सर्वशब्देनोपादानादिनैरपेक्ष्यं कर्तुर्ध्वनितम्। न च कार्यं घटादि कर्तुः कुम्भकारादेः कदाचित्स्वरूपं तिरोदधद्दृष्टम्। ननु निर्गतिरवस्थितस्य भवति तत्किमेतत्क्वचिदादावेव स्थितं नान्यत्र स्थितमपि तु तत्रैव चिदात्मनीत्याह यत्र स्थितमिति। आवृत्त्या चैतद्योज्यम्। अयमर्थो यदि चिदात्मनि जगदहम्प्रकाशाभेदेन न भवेत्तत्कथमुपादानादिनिरपेक्षं तत उदियात्। यतस्तु

यथा न्यग्रोधबीजस्थः शक्तिरूपो महाद्रुमः।
तथा हृदयबीजस्थं जगदेतच्चराचरम्॥

इत्याम्नायस्थित्या

स्वामिनश्चात्मसंस्थस्य।

इति पूर्वोक्तयुक्त्या च तत्रैतदभेदेन स्फुरत्स्थितं ततोऽयं चिदात्मा भगवान्निजरसाश्यानतारूपं जगदुन्मज्जयतीति युज्यते। एवं च यत्र स्थितमेव सद्यस्मान्निर्गतमित्यत्र योजना जाता। च एवार्थे भिन्नक्रमः। ननु यदि तस्मात्प्रकाशवपुष इदं जगन्निर्यातं तन्न प्रथेत न हि प्रभाबाह्यं च प्रथते चेति युक्तमित्याशङ्क्य यस्मान्निर्गतमपि सद्यत्र स्थितमित्यावृत्त्या सङ्गमनीयम्। चोऽप्यर्थे भिन्नक्रमः। एतदुक्तं भवति न प्रसेवकादिवाक्षोटादि तत्तस्मान्निर्गतमपि तु स एव भगवान्स्वस्वातन्त्र्यादनतिरिक्तामप्यतिरिक्तामिव जगद्रूपतां स्वभित्तौ दर्पणनगरवत्प्रकाशयन्स्थितः। ननु च भवत्वेवं सर्गस्थित्यवस्थयोर्जगतास्यानिरुद्धत्वं संहारावस्थया त्वभावात्मना सुषुप्तदेशीयया जगतः सम्बन्धिन्या कथं नैतत्तिरोधीयते नहि ग्राह्यं जगद्विना ग्राहकश्चिदात्मा कश्चिदित्यावृत्त्यैतदेवोत्तरं यस्मान्निर्गतमपि सद्यत्रैव स्थितमुत्पन्नमपि जगत्संहारावस्थायां तदैकात्म्येनैवास्ते न त्वस्यान्यः कश्चिदुच्छेदः शून्यरूपस्तस्य वक्ष्यमाणयुक्त्या प्रकाशं भित्तिभूतं विनानुपपत्तेरित्यर्थः। यथोक्तं श्रीस्वच्छन्दशास्त्रे

अशून्यं शून्यमित्युक्तं शून्यं चाभाव उच्यते।
देव्यभावः स विज्ञेयो यत्र भावाः क्षयं गताः॥

इति। एवं सर्वं यस्य कार्यं यत्प्रकाशेनैव प्रकाशते संहृतमपि च सद्यत्प्रकाशैकात्म्येन तिष्ठति न तस्य देशकालाकारादि किञ्चिन्निरोधकं युज्यते — इति व्यापकं नित्यं विश्वशक्तिखचितं स्वप्रकाशमादिसिद्धं चैतत्तत्त्वमिति। नास्य सद्धावज्ञातार्थप्रकाशरूपं प्रमाणवराकमुपपद्यत उपयुज्यते सम्भवति वा प्रत्युतैतत्तत्त्वसिद्ध्यधीना प्रमाणादिविश्ववस्तुसिद्धिः। तदुक्तमस्मद्गुरुभिस्तन्त्रालोके

प्रमाणान्यपि वस्तूनां जीवितं यानि तन्वते।
तेषामपि परो जीवः स एव परमेश्वरः॥

इति। यस्मान्निर्गतमपीदं जगद्यत्र स्थितं यत्प्रकाशेन प्रकाशमानं तथाभूतमपि यत्र स्थितं यत्प्रकाशैकरूपं। यत्प्रकाश एव यस्य सिद्ध्यै न्यक्षेणेक्ष्यमाणं भवति न त्वन्यज्जगन्नाम किञ्चित्। अत्र यत्र स्थितमित्यावर्त्य द्विर्योज्यम्। एवं च स्वानुभवसिद्धमेवास्य तत्त्वस्य सृष्टिस्थितिसंहारमेलनावभासिनोऽतिदुर्घटकारिणः सर्वदा सर्वत्रानिरुद्धत्वम्। यथोक्तं श्रीमदुत्पलदेवाचार्यैः

परमेश्वरता जयत्यपूर्वा तव सर्वेश यदीशितव्यशून्या।
अपरापि तथैव ते यथेदं जगदाभाति यथा तथा न भाति॥

इति। अत्र हि भासमानमेव जगद्भासनैकशेषीभूतत्वाद्भासनातिरिक्तं न किञ्चिद्भातीत्यर्थः। किञ्च यत्र स्थितमित्युक्त्योपशमपदे यस्माच्च निर्गतमिति प्रसरपदे यतोऽस्य न निरोधस्ततो निमीलनोन्मीलनसमाधिद्वयेऽपि योगिना स्वस्वभावसमावेशपरेणैव भवितव्यम्। यद्वक्ष्यते

यदा क्षोभः प्रलीयेत तदा स्यात्परमं पदम्।

इति। तथा

तस्माच्छब्दार्थचिन्तासु न सावस्था न या शिवः।

इत्यपि च। कुत्रचिदनात्मवादिनि सौगतादौ प्रमातरि कुत्रचिच्च बाधकाभिमते प्रमाणे सति न तस्य निरोधः प्रतिषेधोऽस्ति यतो यस्तस्य प्रतिषेधको यच्च तस्य प्रतिषेधकं परमाणं तद्यदि न सिद्धमभित्तिकमेतच्चित्रं सिद्धिश्चास्य प्रकाशत इति तत्सिद्ध्यैव भगवानादिसिद्धस्वप्रकाशमूर्तिरस्तीत्येतत्प्रतिषेधायोदितेनाप्यनक्षरमुक्तम्। भविष्यति चैतत्

न तु योऽन्तर्मुखो भावः।

इत्यत्रान्तरे। एवं चानेन विश्वोत्तीर्णं विश्वमयं विश्वसर्गसंहारादिकारि शाङ्करं स्वस्वभावात्मकं तत्त्वमित्यभिदधता सर्वेषु पारमेश्वरेषु यदुपास्यं तदितः स्पन्दतत्त्वान्नाधिकं केवलमेतत्स्वातन्त्र्यवशेनैव तदुपासावैचित्र्यमाभास्यते। वस्तुतस्तु एतद्वीर्यसारमेवाशेषम्। यद्वक्ष्यति

तदाक्रम्य बलं मन्त्राः सर्वज्ञबलशालिनः।

इत्येतदपि भङ्ग्या प्रतिपादितम्। एवं च न कश्चिदुक्तचोद्यावकाशः। एवमेतादृशेषु चिन्तारत्नप्रायेषु श्रीस्पन्दसूत्रेषु यदन्यैः सर्वैर्विवृतिकृद्भिर्व्याख्यायि यच्चास्माभिः किञ्चिद्व्याक्रियते तत्रान्तरममत्सरा अनवलिप्ताश्च स्वयमेव विचिन्वन्तु सचेतसो न तु तदस्माभिरुद्घाट्य प्रतिपदं प्रदर्श्यते ग्रन्थगौरवापत्तेः॥२॥

Nanvevambhūtaśaṅkarasvarūpasattāyāṁ kiṁ pramāṇaṁ kutaścopādānādihetuṁ vinā jagadasau janayati tasyaivopādānatve mṛtpiṇḍasyeva ghaṭena jagatā tirodhānaṁ kriyeta tirohitātirohitatāyāṁ ca bhagavataḥ svabhāvabhedaḥ syātpunarunmajjane ca hetuścintyo jagadudaye ca dvaitaprasaṅga ityetāḥ śaṅkā ekaprahāreṇāpahartumāha—


Yatra sthitamidaṁ sarvaṁ kāryaṁ yasmācca nirgatam|
Tasyānāvṛtarūpatvānna nirodho'sti kutracit||2||


Tasyāsya śaṅkarātmanaḥ prakāśānandaghanasya svasvabhāvasya na kutraciddeśe kāla ākāre vā nirodhaḥ prasarakhyāghāto'styanāvṛtarūpatvādasthagitasvabhāvatvāt| Ayaṁ bhāvaḥ| Iha yatkiñcitprāṇapuryaṣṭakasukhanīlādikaṁ citprakāśasyāvarakaṁ sambhāvyate tadyadi na prakāśate na kiñcitprakāśamānaṁ tu prakāśātmakaśaṅkarasvarūpameveti kiṁ kasya nirodhakaṁ ko vā nirodhārthaḥ| Etadeva tasyetyetadviśeṣaṇena yatretyādinopapādayati| Yatra yasmiṁścidrūpe svātmanīdaṁ mātṛmānameyātmakaṁ sarvaṁ jagatkāryaṁ sthitaṁ yatprakāśena prakāśamānaṁ satsthitiṁ labhate tasya kathaṁ tena nirodhaḥ śakyastannirodhe hi nirodhakābhimatameva na cakāsyādityāśayaśeṣaḥ| Yathoktam

Tadātmanaiva tasya syātkathaṁ prāṇena yantraṇā|

ityajaḍapramātṛsiddhau| Nanūtpannasya sthityātmā prakāśo bhavatyutpattireva tvasya kuta ityāha yasmācca nirgatamiti| Smṛtisvapnasaṅkalpayoginirmāṇadṛṣṭyā citaḥ svānubhavasiddhaṁ jagatkāraṇatvamujjhitvāpramāṇakamanupapannaṁ ca pradhānaparamāṇvādīnāṁ na tatkalpayituṁ yujyate| Kāryapadena cedameva dhvanitaṁ kartuḥ kriyayā niṣpādyaṁ hi kāryamucyate na tu jaḍakāraṇānantarabhāvi jaḍasya kāraṇatvānupapatterīśvarapratyabhijñoktanītyā| Bhaviṣyati caitat

Avasthāyugalaṁ cātra kāryakartṛtvaśabditam|

ityatra| Sarvaśabdenopādānādinairapekṣyaṁ karturdhvanitam| Na ca kāryaṁ ghaṭādi kartuḥ kumbhakārādeḥ kadācitsvarūpaṁ tirodadhaddṛṣṭam| Nanu nirgatiravasthitasya bhavati tatkimetatkvacidādāveva sthitaṁ nānyatra sthitamapi tu tatraiva cidātmanītyāha yatra sthitamiti| Āvṛttyā caitadyojyam| Ayamartho yadi cidātmani jagadahamprakāśābhedena na bhavettatkathamupādānādinirapekṣaṁ tata udiyāt| Yatastu

Yathā nyagrodhabījasthaḥ śaktirūpo mahādrumaḥ|
Tathā hṛdayabījasthaṁ jagadetaccarācaram||

ityāmnāyasthityā

Svāminaścātmasaṁsthasya|

iti pūrvoktayuktyā ca tatraitadabhedena sphuratsthitaṁ tato'yaṁ cidātmā bhagavānnijarasāśyānatārūpaṁ jagadunmajjayatīti yujyate| Evaṁ ca yatra sthitameva sadyasmānnirgatamityatra yojanā jātā| Ca evārthe bhinnakramaḥ| Nanu yadi tasmātprakāśavapuṣa idaṁ jaganniryātaṁ tanna pratheta na hi prabhābāhyaṁ ca prathate ceti yuktamityāśaṅkya yasmānnirgatamapi sadyatra sthitamityāvṛttyā saṅgamanīyam| Co'pyarthe bhinnakramaḥ| Etaduktaṁ bhavati na prasevakādivākṣoṭādi tattasmānnirgatamapi tu sa eva bhagavānsvasvātantryādanatiriktāmapyatiriktāmiva jagadrūpatāṁ svabhittau darpaṇanagaravatprakāśayansthitaḥ| Nanu ca bhavatvevaṁ sargasthityavasthayorjagatāsyāniruddhatvaṁ saṁhārāvasthayā tvabhāvātmanā suṣuptadeśīyayā jagataḥ sambandhinyā kathaṁ naitattirodhīyate nahi grāhyaṁ jagadvinā grāhakaścidātmā kaścidityāvṛttyaitadevottaraṁ yasmānnirgatamapi sadyatraiva sthitamutpannamapi jagatsaṁhārāvasthāyāṁ tadaikātmyenaivāste na tvasyānyaḥ kaściducchedaḥ śūnyarūpastasya vakṣyamāṇayuktyā prakāsaṁ bhittibhūtaṁ vinānupapatterityarthaḥ| Yathoktaṁ śrīsvacchandaśāstre

Aśūnyaṁ śūnyamityuktaṁ śūnyaṁ cābhāva ucyate|
Devyabhāvaḥ sa vijñeyo yatra bhāvāḥ kṣayam gatāḥ||

iti| Evaṁ sarvaṁ yasya kāryaṁ yatprakāśenaiva prakāśate saṁhṛtamapi ca sadyatprakāśaikātmyena tiṣṭhati na tasya deśakālākārādi kiñcinnirodhakaṁ yujyate — iti vyāpakaṁ nityaṁ viśvaśaktikhacitaṁ svaprakāśamādisiddhaṁ caitattattvamiti| Nāsya saddhāvajñātārthaprakāśarūpaṁ pramāṇavarākamupapadyata upayujyate sambhavati vā pratyutaitattattvasiddhyadhīnā pramāṇādiviśvavastusiddhiḥ| Taduktamasmadgurubhistantrāloke

Pramāṇānyapi vastūnāṁ jīvitaṁ yāni tanvate|
Teṣāmapi paro jīvaḥ sa eva parameśvaraḥ||

iti| Yasmānnirgatamapīdaṁ jagadyatra sthitaṁ yatprakāśena prakāśamānaṁ tathābhūtamapi yatra sthitaṁ yatprakāśaikarūpam| Yatprakāśa eva yasya siddhyai nyakṣeṇekṣyamāṇaṁ bhavati na tvanyajjagannāma kiñcit| Atra yatra sthitamityāvartya dviryojyam| Evaṁ ca svānubhavasiddhamevāsya tattvasya sṛṣṭisthitisaṁhāramelanāvabhāsino'tidurghaṭakāriṇaḥ sarvadā sarvatrāniruddhatvam| Yathoktaṁ śrīmadutpaladevācāryaiḥ

Parameśvaratā jayatyapūrvā tava sarveśa yadīśitavyaśūnyā|
Aparāpi tathaiva te yathedaṁ jagadābhāti yathā tathā na bhāti||

iti| Atra hi bhāsamānameva jagadbhāsanaikaśeṣībhūtatvādbhāsanātiriktaṁ na kiñcidbhātītyarthaḥ| kiñca yatra sthitamityuktyopaśamapade yasmācca nirgatamiti prasarapade yato'sya na nirodhastato nimīlanonmīlanasamādhidvaye'pi yoginā svasvabhāvasamāveśapareṇaiva bhavitavyam| Yadvakṣyate

Yadā kṣobhaḥ pralīyeta tadā syātparamaṁ padam|

iti| Tathā

Tasmācchabdārthacintāsu na sāvasthā na yā śivaḥ|

ityapi ca| Kutracidanātmavādini saugatādau pramātari kutracicca bādhakābhimate pramāṇe sati na tasya nirodhaḥ pratiṣedho'sti yato yastasya pratiṣedhako yacca tasya pratiṣedhakaṁ paramāṇaṁ tadyadi na siddhamabhittikametaccitraṁ siddhiścāsya prakāśata iti tatsiddhyaiva bhagavānādisiddhasvaprakāśamūrtirastītyetatpratiṣedhāyoditenāpyanakṣaramuktam| Bhaviṣyati caitat

Na tu yo'ntarmukho bhāvaḥ|

ityatrāntare| Evaṁ cānena viśvottīrṇaṁ viśvamayaṁ viśvasargasaṁhārādikāri śāṅkaraṁ svasvabhāvātmakaṁ tattvamityabhidadhatā sarveṣu pārameśvareṣu yadupāsyaṁ taditaḥ spandatattvānnādhikaṁ kevalametatsvātantryavaśenaiva tadupāsāvaicitryamābhāsyate| Vastutastu etadvīryasāramevāśeṣam| Yadvakṣyati

Tadākramya balaṁ mantrāḥ sarvajñabalaśālinaḥ|

ityetadapi bhaṅgyā pratipāditam| Evaṁ ca na kaściduktacodyāvakāśaḥ| Evametādṛśeṣu cintāratnaprāyeṣu śrīspandasūtreṣu yadanyaiḥ sarvairvivṛtikṛdbhirvyākhyāyi yaccāsmābhiḥ kiñcidvyākriyate tatrāntaramamatsarā anavaliptāśca svayameva vicinvantu sacetaso na tu tadasmābhirudghāṭya pratipadaṁ pradarśyate granthagauravāpatteḥ||2||


(Here,) an objection (nanu) regarding the existence (sattāyām) of such (evambhūta) a essential nature (sva-rūpa) of Śaṅkara (śaṅkara):

"What (kim) is the proof (pramāṇam), and (ca) how (kutas) (does) That --i.e. Śaṅkara-- (asau) create (janayati) the world (jagat) without (vinā) (any) means (hetum) e.g. material (upādāna), etc. (ādi)? (Moreover,) in the case of (He Himself) being the material (upādānatve) of (which) that (world consists) (tasya eva), (His) disappearance (tirodhānam) would be brought about (kriyeta) by the world (jagatā), just as (iva) (disappearance) of the lump (piṇḍasya) of clay (mṛd) (is brought about) by the jar (ghaṭena)1 . Also (ca), in the case of existing a state of appearance --atirohita-- and disappearance --tirohita-- (tirohita-atirohitatāyām) of the Lord (bhagavataḥ), there would be (syāt) a difference --i.e. there would be lack of unity-- (bhedaḥ) in His essence (sva-bhāva). Besides (ca), in the event of (His) re-emerging (punar unmajjane), a cause (hetuḥ) should be thought about or imagined (cintyaḥ) (to explain that fact). And (ca) on the emergence (udaye) of the world (jagat), (there would be) an inclination or tendency (prasaṅga)2  to dualism (dvaita... iti)".

To remove (apahartum) these (etāḥ) doubts or objections (śaṅkāḥ) with one (eka) stroke (prahāreṇa), (the author of Spandakārikā-s --i.e. Vasugupta, according to Kṣemarāja--) says (āha)


Since He has a unveiled (anāvṛta) nature --rūpa-- (rūpatvāt), there is no (na.. asti) obstruction (nirodhaḥ) to Him (tasya) anywhere (kutracid), in whom (yatra) all (sarvam) this (idam) universe (kāryam) rests (sthitam) and (ca) from whom (yasmāt) it has come forth (nirgatam)||2||


There is no (na... asti) obstruction (nirodhaḥ) (or) impediment (vyāghātaḥ) for (His) advancing (prasara) anywhere (na kutracid), (whether) in space (deśe), time (kāle) or (vā) form (ākāre), to that (tasya) very (asya) Self (ātmanaḥ) of Śaṅkara (śaṅkara), who is a compact mass (ghanasya) of Light (prakāśa) (and) Bliss (ānanda), (and) who is (also) one's own (sva) essential nature (sva-bhāvasya), since (His) nature (rūpatvāt) (is) unveiled (anāvṛta), i.e. since (His) essence (sva-bhāvatvāt) is not concealed or hidden (asthagita)|

This (ayam) (is) the purport or meaning (bhāvaḥ)|

Here, in this world (iha), whatever (yatkiñcid) (such as) vital energy (prāṇa), subtle body (puryaṣṭaka), pleasure (sukha), blue (nīla), etc. (ādikam), may possibly be considered (sambhāvyate) to be a veil (āvarakam) to the Light (prakāśasya) of Consciousness (cit). (Anyway,) if (yadi) that --i.e. vital energy, subtle body, pleasure, blue, etc.-- (tad) does not (na) become perceivable or manifest (due to Prakāśa or the Light of Consciousness) (prakāśate) (is) nothing (na kiñcid)3 . But (tu), on its becoming perceivable or manifest (prakāśamānam), (then, it is) only (eva) the nature (sva-rūpam) of Śaṅkara (śaṅkara) who consists (ātmaka) of Light (prakāśa)4 . So (iti), what (kim) is obstructing (nirodhakam) whom (kasya), or (vā) what (kaḥ) (is) the meaning (arthaḥ) of obstruction (nirodha)?|

(Vasugupta, the reputed author according to Kṣemarāja,) proves (upapādayati) this (etad) very (fact) (eva) by means of this (etad) differencing phrase (viśeṣaṇena)5 : "in whom", etc. --i.e. "in whom all this universe rests...", see first line in the aphorism-- (yatra-iti-ādinā), (which particularizes or defines the meaning of the other phrase beginning with) "to Him" --i.e. "there is no obstruction to Him anywhere...", see second line in the aphorism-- (tasya-iti)|

(The term) "yatra" (in the aphorism) (yatra) (means "yasmiṁścidrūpe svātmani":) "in whom (yasmin), i.e. in one's own (sva) Self --ātmā-- (ātmani) whose nature --rūpa-- (rūpe) (is) Consciousness (cit)". (In turn, the word) "idam" (idam) (means "mātṛmānameyātmakam":) i.e. "that which consists (ātmakam) of experient or knower (mātṛ), knowledge or means of knowledge (māna) (and) knowable or object (meya)". (The expression) "sarvaṁ kāryam" (sarvam... kāryam) (means "sarvaṁ jagat":) i.e. "all (sarvam) the world (jagat)". (Finally, the term) "sthitám"--rests-- (sthitam) (means "yatprakāśena prakāśamānaṁ satsthitiṁ labhate":) i.e. "by whose (yad) Light or Prakāśa (prakāśena), (this entire world) becomes perceptible or manifest (prakāśamānam) (and thus) obtains (labhate) (its) true (sat) position (sthitim)"6 . (Therefore, the meaning of the whole phrase "yatra sthitamidaṁ sarvaṁ kāryam" is "in whom, i.e. in one's own Self whose nature is Consciousness, all this world consisting of experient or knower, knowledge or means of knowledge and knowable or object rests; that is, by whose Light or Prakāśa it becomes perceptible or manifest and thus obtains its true position". Then,) how (katham) can there be (śakyaḥ) His (tasya) obstruction (nirodhaḥ) by that (world) (tena)? Because (hi) in the event of His obstruction (tad-nirodhe), that which is considered (abhimatam) to be the obstructor --i.e. the world-- (nirodhaka) certainly (eva) would not (na) appear (cakāsyāt). This is what is to be added (iti... śeṣaḥ) to (the aphorism in order to complete its) meaning (āśaya)|

As (yatha) has been expressed (uktam) in Ajaḍapramātṛsiddhi (ajaḍapramātṛsiddhi):

"How (katham) might there be (syāt) His (tasya) restriction (yantraṇā) by the vital energy (prāṇena) (if the latter's) nature --ātmā-- (ātmanā) (is) Himself (tad... iti)?"|

An objection (here) (nanu):

"Prakāśa or the Light of Consciousness (prakāśaḥ) is (bhavati) (obviously the Light,) in its aspect (ātmā) as "sthiti" or "maintenance of manifestation" (sthiti), of that which has emerged --i.e. of the world-- (utpannasya), but (tu) whence (kutas) (does) its (asya) emergence (utpattiḥ eva... iti) (come)?7 "|

(To answer that question, the author) says (at the end of the first line of his second aphorism) (āha) ("yasmācca nirgatam":) i.e. "and (ca) from whom (yasmāt) it has come forth (nirgatam iti)"|

Having discarded (ujjhitvā) Consciousness --Cit-- (citaḥ) as the cause (kāraṇatvam) of the world (jagat), which may be proved (siddham) by (simply) resorting to one's own (sva) experience (anubhava) from the viewpoint (dṛṣṭyā) of memory (smṛti), sleep (svapna), ideation (saṅkalpa) (and) creation (nirmāṇa) by yogī-s (yogi), it is not (na) proper (yujyate) to consider (kalpayitum) Pradhāna (pradhāna), atom (paramāṇu), etc. (ādīnām)8  (to be the cause of the world, because) that (tad) is without any proof (apramāṇakam) and (ca) adequate support (anupapannam)|

Also (ca), by the word (padena) "kārya" (in the aphorism) (kārya) this (idam) very (fact) (eva) is alluded or implied (dhvanitam), i.e. it is said (ucyate) that a "kārya" --lit. effect-- (kāryam) (or) product (niṣpādyam) undoubtedly (hi) (results) from the activity (kriyayā) of a doer or agent (kartuḥ), but (tu) it is (bhavi) not (na) the subsequent outcome (anantara) of an inert or insentient (jaḍa) cause (kāraṇa). According to what has been declared (ukta-nītyā) in Īśvarapratyabhijñā (by the sage Utpaladeva) (yogi), causality (kāraṇatva) (in the case of something which is inert or insentient is not possible) because there is insufficiency of means of proof (anupapatteḥ). This (concept) (etad) will occur (bhaviṣyati) too (ca) in this (scripture) --see the first line of the aphorism 14 of this first section of Spandakārikā-s-- (atra):

"It is said (śabditam) that (there are) two (yugalam) states (avasthā) in this (principle of Spanda) (ca atra), (viz.) the state of deed (kārya... tva) (and) the state of doer (kartṛtva... iti)."|

By the word (padena) "sarva" --lit. all-- (in the aphorism) (sarvam), a state or condition of independence (nairapekṣyam) in respect of material (upādāna), etc. (ādi) on the doer's part (kartuḥ) is alluded or implied (dhvanitam)|

(It is) never (na ca... kadācid) seen (dṛṣṭam) that the product (kāryam), (e.g.) a pot (ghaṭa), etc. (ādi), conceals (tirodadhat) the essential nature (sva-rūpam) of the doer (kartuḥ), (i.e.) the potter (kumbhakāra), etc. (ādeḥ)|

An (additional) objection (nanu):

"(Only) the emergence (nirgatiḥ) of that which is contained in something else (avasthitasya) occurs (bhavati) --i.e. there can be emergence of something only if it is already contained in another thing--. Therefore (tad), is this (world) (kim etad) resting (sthitam) in a certain place (kvacid) at the very (eva) beginning (ādau)?"

(The reply:) "It is nowhere (na anyatra) resting (sthitam), but (api tu) only (eva) in That (tatra) whose nature (ātmani) is Consciousness (cit... iti)." (That is why) Vasugupta says (āha) "yatra sthitam", i.e. "in whom (yatra) (all this universe) rests (sthitam iti)"|

Certainly (ca), this (phrase, i.e. "yatra sthitam") (etad) is to be used (yojyam) by repetition --twice-- (āvṛttyā)|

This (ayam) (is) the meaning (arthaḥ): If (yadi) the world (jagat) did not (na) exist (bhavet) in That whose nature (ātmani) is Consciousness (cit), (enjoying) complete unity (abhedena) with the Light (prakāśa) of Aham --i.e. "I-ness"-- (aham), then (tad), how (katham) would it arise (udiyāt) from that (very Light of Aham) (tatas) without resorting --lit. independently-- (nirapekṣam) to material (upādāna), etc. (ādi)?|

Inasmuch as (yatas tu), according to what has been established (sthityā) by the sacred tradition (āmnāya) (in Parātriṁśikhā, stanza 24):

"Just as (yathā) a large (mahā) tree (drumaḥ) lies (sthaḥ) potentially (śakti-rūpaḥ) in the seed (bīja) of the banyan tree (nyagrodha), so (tathā) this (etad) world (jagat), (both) animate (cara) (and) inanimate (acaram), lies (stham) in the seed (bīja) of the Heart (hṛdaya... iti)9 ."||

And also (ca), according to the afore-said (pūrva-ukta) reasoning or argument (yuktyā), (in Īśvarapratyabhijñā 5-10, it is declared that):

"And (ca) of what abides (samsthasya) in the Self (ātma) of the Master --i.e. the Lord-- (svāminaḥ)."|

(One might conclude that) this (world or universe) (etad) rests (sthitam) in that (Lord) (tatra) flashing (sphurat) as identical (abhedena) (with Him). Therefore (tatas), it is proper (yujyate) (to affirm that) "This (ayam) Lord --lit. Prosperous, Fortunate-- (bhagavān) whose nature (ātmā) is Consciousness (cit) causes the world to emerge (jagat-unmajjayati) in the form (rūpam) of congealment (āśyānatā) of His own (nija) essence (rasa... iti)"10 |

Thus (evam ca), the syntactical construction (yojanā) arising (jātā) here (atra) (is "yatra sthitameva sadyasmānnirgatam":) i.e. "only (eva) because (yasmāt) (all this universe) rests (sthitam) (or) exists (sat) in Him (yatra) (it is able to) come forth (nirgatam) from Himself (yasmāt... iti)"|

(In that case, the particle) "ca" --and-- (in "yasmāccanirgatam") (ca) would mean (arthe) "eva" --only-- (eva) (and would be) displaced, i.e. its location would be a different one (bhinna-kramaḥ). (In short, according to the abovementioned precepts, the first line of the aphorism should have been written like this: "yatra sthitameva idaṁ sarvaṁ kāryaṁ yasmānnirgatam", i.e. "only because all this universe rests in Him it is able to come forth from Himself", instead of "yatra sthitamidaṁ sarvaṁ kāryaṁ yasmācca nirgatam", i.e. "in whom all this universe rests and from whom it has come forth")|

(Another) objection (nanu):

"If (yadi) this (idam) world (jagat) would have come out (niryātam) from that (tasmāt) beautiful form (vapuṣaḥ) of Light or Prakāśa (prakāśa), then (tad) it would not have arise (na pratheta), as (hi) it is not (na) proper (yuktam) (to say that) it is outside (bāhyam) Light (prabhā) and (ca... ca) (at the same time) arising --i.e. becoming manifest-- (prathate... iti... iti)."

Having (so) objected (āśaṅkya), (this is the reply):

(The words should be) put together (saṅgamanīyam) (this way,) by repetition (āvṛttyā): ("yasmānnirgatamapi sadyatra sthitam") i.e. "even (api) (having) come forth (nirgatam) from Him (yasmāt), (all this universe still) rests (sthitam) (or) exists (sat) in Himself (yatra... iti)"|

(Under those circumstances, the particle) "ca" --and-- (in the phrase "yasmācca nirgatam" in the aphorism) (ca) would mean (arthe) "api" --even-- (api) (and would be) displaced, i.e. its location would be a different one (bhinna-kramaḥ). (So, according to the above interpretation, the first line of the aphorism should have been written like this: "yasmānnirgatamapīdaṁ sarvaṁ kāryaṁ yatra sthitam", i.e. "even having come forth from Him, all this universe rests in Himself", instead of "yatra sthitamidaṁ sarvaṁ kāryaṁ yasmācca nirgatam", i.e. "in whom all this universe rests and from whom it has come forth")|

This (etad) which has been described (uktam) is (to be understood as follows) (bhavati): That (world) (tad) does not (na) has emerged (nirgatam) from Him (tasmāt) as does (iva) a walnut (akṣota), etc. (ādi) from a bag (prasevakāt); but (api tu) through His own (sva) Absolute Freedom (svātantryāt), that (saḥ) very (eva) Lord --lit. Prosperous, Fortunate-- (bhagavān) keeps on (sthitaḥ) manifesting (prakāśayan) on His own (sva) screen or background --lit. wall-- (bhittau), like (vat) a city (nagara) in a mirror (darpaṇa), the form (rūpatām) of the world (jagat) as if (iva) different (atiriktām) though (api) non-different (from Him) (anatiriktām)11 |

Even (ca) (another) objection (nanu): "Well (bhavatu), thus (evam) (there is) a condition of non-obstruction (aniruddhatvam) to Him (asya) by the world (jagatā) in the two states (avasthayoḥ) of manifestation (sarga) (and) maintenance (sthiti). However (tu), how (katham) (is) this (Lord) (etad) not (na) concealed (tirodhīyate) by the state (avasthayā) of dissolution (saṁhāra) with reference (sambandhinyā) to the world (jagataḥ), which --i.e. saṁhāra or dissolution of the world-- resembles (deśīyayā) deep sleep (suṣupta) (and) whose nature (ātmanā) is absence (of knowables) (abhāva)? (Because) without (vinā) a perceivable (grāhyam) world (jagat), the perceiver (grāhakaḥ), whose nature (ātmā) is Consciousness (cit), is nobody at all (nahi... kaścid... iti)."

This (etad) is indeed (eva) the reply (uttaram): By repetition (āvṛttyā) (of the phrase "yasmānnirgatamapi sadyatraiva sthitam", ) i.e. "even (api) (having) come forth (nirgatam) from Him (yasmāt), (all this universe still) only (eva) rests (sthitam) (or) exists (sat) in Himself (yatra)". (And by applying that precept to this particular case, it can be stated that,) the world (jagat) which has emerged (utpannam) abides (āste) in a condition of identity (aikātmyena) with Him (tad... eva) even (api) during (its) state (avasthāyām) of dissolution (saṁhāra). Undoubtedly (tu), there is no (na... kaścid) other (anyaḥ) destruction (ucchedaḥ) of this (world) (asya) in the form (rūpaḥ) of a void (śūnya), since there is insufficiency of means to prove the existence (anupapatteḥ) of that (void) (tasya), in accordance (yuktyā) with what will be said (below) (vakṣyamāna), without (vinā) Light or Prakāśa (prakāśam) as being (its) (bhūtam) background (bhitti)12 . This is the purport (iti arthaḥ)|

As (yathā) has been said (uktam) in the venerable (śrī) scripture (śāstre) (known as) Svacchanda (svacchanda)13 :

"(That which) is described (uktam) as 'void' (śūnyam iti) (is really) non-void (aśūnyam). It is said (ucyate) that void (śūnyam) (is) certainly (ca) 'abhāva' (abhāvaḥ). Oh goddess (devi), that (saḥ) is to be known (vijñeyaḥ) as 'abhāva' (abhāvaḥ) in which (yatra) the knowables or perceivable objects (bhāvāḥ) have been dissolved (kṣayam gatāḥ... iti)."||

Thus (evam), all (sarvam) His (yasya) universe --lit. effect-- (kāryam) becomes manifest (prakāśate) only (eva) by means of His own (yad) Light --prakāśa-- (prakāśena), and (ca) even (api) (when that universe is) dissolved (saṁhṛtam), it abides (tiṣṭhati) (or) exists (sat) as identical (aikātmyena) with His (yad) Light (prakāśa). (Whether) space (deśa), time (kāla), form (ākāra), etc. (ādi), nothing (na... kiñcid) is fit or competent to be (yujyate) His (tasya) obstructor (nirodhakam) — In this manner (iti), "pervading (vyāpakam), everlasting (nityam), inlaid (khacitam) with the universal (viśva) Power (śakti) (like a jewel)14 , self-luminous (svaprakāśam) and (ca) eternally existent (ādisiddham) (is) this (etad) (Supreme) Principle (tattvam iti)."|

In the case of having to prove the existence (siddhau) of this (Supreme Principle) (asya), a miserable (varākam) means of proof (pramāṇa) which reveals (prakāśa-rūpam) an unknown (ajñāta) thing (artha) is not (na) adequate (upapadyate), suitable (upayujyate) or (vā) possible (sambhavati). On the contrary (pratyuta), the perfection and accomplishment (siddhiḥ) of all (viśva) things (vastu) (such as) means of proof (pramāṇa), etc. (ādi) depends (adhīnā) upon the perfection and accomplishment (siddhi) of this (etad) Principle (tattva)|

That (tad) has been said (uktam) by our (asmad) spiritual preceptors (gurubhiḥ) in Tantrāloka (I, 55) (tantrāloke):

"That (saḥ) very (eva) Highest (parama) Lord (īśvaraḥ) (is) the supreme (paraḥ) life (jīvaḥ) of even (api) those (teṣām) means of proof (pramāṇāni) which (yāni) certainly (api) constitute (tanvate) the life (jīvitam) of the things (vastūnām)."||

This (idam) world (jagat), even when (api) it has arisen (nirgatam) from Him (yasmāt), rests (sthitam) in Himself (yatra). (And) having become manifest (prakāśamānam) by His (yad) Light (prakāśena), it rests (sthitam) in Him (yatra) also (api) possessed of such a nature (tathā-bhūtam). (In other words,) it is identical (aikarūpam) with His (yad) Light (prakāśa) (even after having been manifested by that very Light)|

His (yad) Light (prakāśaḥ) alone (eva), considered (īkṣyamāṇam) in (its) entirety (nyakṣeṇa), is (enough) (bhavati) to prove (siddhyai) (the existence) of it --i.e. of the world-- (yasya). That which is known (nāma) as the world (jagat) (is) nothing (na... kiñcid) else (anyat) (but His Light or Prakāśa) indeed (tu)|

(Consequently, the phrase "yatra sthitam", ) i.e. "in whom (yatra) (all this universe) rests (sthitam... iti)", should be used (yojyam) twice (dvis) by repetition (āvartya), in this context (atra)|

Thus (evam ca), (as is) certainly (eva) proved (siddham) by one's own (sva) experience (anubhava), (there is) a condition of non-obstruction (aniruddhatvam), always (sarvadā) (and) everywhere (sarvatra), to this (asya) (Spanda) principle --tattva-- (tattvasya) which reveals (avabhāsinaḥ) the joining or meeting point (melana) of manifestation (sṛṣṭi), maintenance (sthiti) (and) dissolution (saṁhāra), (and) which effects (kārinaḥ) what is very hard to be accomplished (atidurghaṭa)|

As (yathā) has been said (uktam) by venerable (śrīmat) preceptor (ācāryaiḥ)15  Utpaladeva (utpaladeva):

"Oh Lord (īśaḥ) of all (sarva), Your (tava) unprecedented (apūrvā) (and) victorious (jayatī)16  condition of Supreme (parama) Lordship (īśvaratā) (is) devoid (śūnyā) of anything (yad) to be reigned or ruled over (īśitavya). Even (api) Your (te) other (state of Lordship) (aparā)17  (is also) so (tathā eva). (Through Your condition of Lordship,) this (idam) world (jagat) in no way (yathā tathā na) appears (to Your devotees or followers) (bhāti) as (yathā) it appears (to the rest of people) (ābhāti... iti)18 ."||

The sense (iti arthaḥ) here (atra) (is) undoubtedly (hi) (that) nothing (na kiñcid) appears (bhāti) as different (atiriktam) from the Splendor of Consciousness (bhāsana) (because) the world (jagat) becoming manifested (bhāsamānam eva) is (śeṣībhūtatvāt) one (eka) with (that) Splendor (bhāsana)|

Besides (kiñca), since (yatas) there is no (na) obstruction (nirodhaḥ) to this (Spanda principle) (asya) (whether) in the state (pade) of cessation (upaśama) (as described) by the phrase (uktyā) ("yatra sthitam",) i.e. "in whom (yatra) (all this universe) rests (sthitam... iti), (or) in the condition (pade) of expansion (prasara) (as expressed) by the phrase (uktyā) ("yasmācca nirgatam",) i.e. "and (ca) from whom (yasmāt) it has come forth (nirgatam)", therefore (tatas) a yogī (yoginā) must be (bhavitavyam) certainly (eva) intent (pareṇa) on entrance (samāveśa) in his own (sva) essential nature (sva-bhāva) even (api) in both (dvaye) (types of) Samādhi-s or Perfect Concentrations (samādhi): Nimīlana (nimīlana) (and) Unmīlana (unmīlana)19 |

That (very teaching) (yad) will be (also) expressed (vakṣyate) (in the second line of the 9th stanza of this first section):

"When (yadā) the agitation (kṣobhaḥ) thoroughly dissolves (pralīyeta), then (tadā) the Supreme (paramam) State (padam) occurs (syāt... iti)."|

Moreover (api ca), (it is said) in like manner (tathā) (in the first line of the 4th stanza of the second section of Spandakārikā-s:)

"Therefore (tasmāt) there is no (na) state (sā avasthā) that (yā) is not (na) Śiva (śivaḥ), (whether) in word (śabda), object (artha) (or) thought --cintā-- (cintāsu)."|

20 (Even though) there may be --sat-- (sati) somewhere (kutracid... kutracid) an experient --pramātṛ-- (pramātari) who is a follower of the doctrine --vādin-- (vādini) of the not-Self (an-ātma), such as a Buddhist (saugata), etc. (ādau), and (ca) a proof --pramāṇa-- (pramāṇe) which is considered --abhimata-- (abhimate) to be annulling (the Self) (bhādaka), there is no (na... asti) obstruction (nirodhaḥ) (to or) negation (pratiṣedhaḥ) of Him --i.e. of the Self or Spanda Principle-- (tasya), because (yatas) if (yadi) that (tad) is not (already) admitted to be real and existent (siddham), (i.e. if) the one who (yaḥ) denies (pratiṣedhakaḥ) Him (tasya) and (ca) the proof (pramāṇam) which (yad) (also) denies (pratiṣedhakam) Him (tasya) (are not already admitted to be real and existent indeed, then) this (denial) (etad) (becomes) a picture (citram) without any canvas (abhittikam). (For that reason,) the proof (siddhiḥ) of this (Self or Spanda principle) (asya) "is manifested or revealed" (prakāśate iti) undoubtedly (ca) by demonstrating (siddhyā eva) that (tad), (i.e. the existence and reality of the denier. Thus), this (declaration) (etad) (postulating that) "the Prosperous and Fortunate Lord (bhagavān), whose form (mūrtiḥ) is an eternally established Reality (ādi-siddha) (and) one's own (sva) Prakāśa or Light (prakāśa), (does) exist (asti... iti)" (is) tacitly (anakṣaram) expressed (uktam) even (api) by one who rises (uditena) to deny (Him) (pratiṣedhāya)|

This (point) (etad) will occur (later on) (bhaviṣyati) as well (ca) (in the first half of the first line of the 16th stanza), in (antare) here (atra), (i.e. within this very section):

"(There is) no (na tu) (cessation of that) inner (antarmukhaḥ) state or nature (bhāvaḥ) which (yaḥ... iti)..."

Thus (evam), this (anena) (scripture) certainly (ca) describes (abhidadhatā) "the (Supreme) Principle (tattvam) (known as) Śaṅkara --Śiva or the Lord-- (śaṅkaram), who consists (ātmakam) of one's own (sva) essential nature (sva-bhāva), (who is both) transcendent (uttīrṇam) (to and) immanent (mayam) in the universe (viśva... viśva), (and) who brings about (kāri) the manifestation (sarga), dissolution (saṁhāra), etc. (ādi) of (that very) universe (viśva)". Consequently (itas), that (tad) which (yad) is revered or worshipped (upāsyam) in all (sarveṣu) (doctrines dealing with) the Supreme Lord or Parameśvara (parameśvareṣu) (is) nothing (na adhikam) but the Spanda (spanda) principle (tattvāt). (And) that (tad) diversity (vaicitryam) of worships (upāsā) shines forth (ābhāsyate) because of (vaśena eva) His (etad) Absolute Freedom (svātantrya) alone (kevalam)|

In fact (vastutas tu), this --i.e. the universe-- (etad) (is) entirely (aśeṣam) just (eva) the essence (sāram) of (His) Power (vīrya). This (topic) (etad) (has) also (api) (been) explained (pratipāditam) in an indirect manner (bhaṅgyā) (in the first line of the first stanza of the second section of this scripture:)

"Grabbing hold (ākramya) of that (tad) Force (balam), Mantra-s (mantrāḥ)21 , full (śālinaḥ) of the omniscient (sarvajña) power (bala)..."

Thus (evaṁ ca), there is no (na kaścid) room (avakāśaḥ) for the aforesaid (ukta) objection (codya)|

(Let) intelligent (people) (sacetasaḥ) (who are) disinterested (amatsarāḥ) and (ca) free from arrogance (anavaliptāḥ) examine and investigate (vicinvantu)22  for themselves (svayam) the difference (antaram) (between) what (yad) (is) being explained (vyākhyāyi) by all (sarvaiḥ) the other (anyaiḥ) authors (kridbhiḥ) of commentaries (vivṛti) and (ca) what (yad) has been expounded (vyākriyate), in a small measure (kiñcid), by us (asmābhiḥ) there (tatra), on such (etādṛśeṣu) venerable (scripture) (śrī) (as) Spandakārikā-s or Spandasūtra-s --the aphorisms dealing with the Spanda Principle-- (spandasūtreṣu), which are like (prāyeṣu) gems (ratna) of thought (cintā). However (tu), that (difference) (tad) is not (na) openly (udghāṭya) shown or explained (pradarśyate) by us (asmābhiḥ), (in short,) word for word (pratipadam), (lest we) fall into trouble or misfortune (āpatteḥ) (of ending up composing) a book (grantha) (endowed with) heaviness in argumentation (gaurava)||2||

1  The purport is that, just as a lump of clay disappears when the jar is made of it, so the appearance of the world should cause the Lord to disappear too. Obviously, such a disappearance is only apparent because the clay is still there as well as the Lord.Return

2  The world "prasaṅga" also means "occurrence of a possibility, contingency, etc.". Thus, the term "dvaitaprasaṅgaḥ" might have alternatively been translated so: "(there would be) the occurrence of a possibility of dualism" or else "(there would be) the contingency of dualism", etc.Return

3  In other words, "it is not manifest" and not "it does not exist", because as a matter of fact "everything always exists" as it is born from the very Supreme Existence. When something has been manifested from this Light of Consciousness, it becomes perceivable to the Lord (You), and when it is not manifest, that very thing rests as the pure Light of Consciousness in His Self, i.e. in Your Self. Simple.Return

4  In short, "whose essence is the Light of Consciousness".Return

5  A "differencer" (viśeṣaṇa) is in Sanskrit grammar a word which particularizes or defines another word, which is known as "viśeṣya". In this case, it is not mere words but entire phrases acting as viśeṣaṇa and viśeṣya, respectively.Return

6  In short, the world appears as such, i.e. as a knowable or manifested object. Consequently, this object called "the entire world" can never veil the Supreme Subject from whom is born. This is the purport, in my opinion.Return

7  In other words, "Where does the world's emergence come from?".Return

8  Pradhāna is also known as "Prakṛti" (see tattva 13 in the Tattvic chart for more information). Although Trika does not, some systems consider Pradhāna to be the cause of the world. The same thing is true regarding Paramāṇu-s or atoms (monads). Some systems postulate that the world is the creation of those atoms (see First Steps documents for more information about the various philosophical systems).Return

9  The term "hṛdayabīja" is also the name of the sacred mantra "Sauḥ".Return

10  The sense here is that He manifest the "matter" of which this material universe is composed, by "materializing" His essence.Return

11  Just as the reflection of a city in a mirror, which though non-different from the original city, seems to be different.Return
12  Without the support of Prakāśa or Light, the existence of void cannot be sufficiently proved.Return

13  "Svacchanda" is a tantric scripture which is sacred to Trika system. Hence, it is often known as "Svacchandatantra". As many other tantric works, it consists of a dialogue between Śiva (acting as the guru or spiritual preceptor) and Śakti --the goddess-- (acting as His disciple).Return

14  "Viśva" also means "all". Therefore, the translation "inlaid with all powers (like jewels)" is possible here as well.Return

15  You would expect "ācāryeṇa" (by the preceptor) and not in plural number: "ācāryabhiḥ" (by the preceptors), because the text is referring to one preceptor (Utpaladeva, in this case). However, it seems to be a common practice to decline the nouns "ācārya", "guru", etc. in plural, specially when the adjectives "śrī" or "śrīmat" --venerable, great, etc.-- are added to the compound as well.Return

16  There are two alternative translations if you consider the phrase "jayatyapūrvā" as "jayati apurvā" instead of "jayatī apūrvā" (such as was considered by me in the above translation; note that "jayatī" --victorious-- is the present participle, feminine, derived from the root "ji" --to be victorious, triumph, etc.--; of course, the gender of this participle is in accordance with the one of the compound "parameśvaratā", which is also feminine). These alternative interpretations are possible as the author chose to use the 4th Primary Rule of Vowel Sandhi or combination and replace the original "ī" or "i" (I ignore which one) with "y" (maybe this was done purposely by him, who knows?). Well, should the word be "jayati", the sentence would read: "Oh Lord (īśaḥ) of all (sarva), Your (tava) unprecedented (apūrvā) condition of Supreme (parama) Lordship (īśvaratā), which (always) triumphs (jayati), (is) devoid (śūnyā) of anything (yad) to be reigned or ruled over (īśitavya)". Also, the word "jayati" may be taken as a kind of Imperative, in the sense of "glory to!" or "long live!". Therefore, the text might be interpreted this way too: "Oh Lord (īśaḥ) of all (sarva), glory to (jayati) Your (tava) unprecedented (apūrvā) condition of Supreme (parama) Lordship (īśvaratā), which is devoid (śūnyā) of anything (yad) to be reigned or ruled over (īśitavya)!". As you can see, there are several possible translations of the Utpaladeva's words.Return

17  It refers to the two supreme tattva-s or categories (Sadāśiva and Īśvara) which arise from Śiva (the Lord). Consult the Tattvic Chart for more information.Return

18  Needless to say that by "Your devotees or followers", the author is not referring "exclusively" to "śaiva-s" or followers of the celebrated deity known as Śiva. The author is speaking here of "the Supreme Lord" and not a particular deity. In Trika (Non-dual Shaivism of Kashmir) the term "Śiva" is used to designate the Highest Self. By no means, Trika is speaking of the old "Purāṇic" Śiva (a personal god wearing a loincloth and sitting on a tiger skin, about whom you can read in such ancient texts as "Śivapurāṇa"). Over the intervening centuries, since the times when the Purāṇa-s were written up to the birth of Trika, the concept of "Śiva" was developed from a anthropomorphic deity up to the formless Reality which the Trika system deals with. You must understand this or the truth contained in Trika will always remain out of reach for you. Besides, if Śiva was not considered in Trika to be the Highest Lord but a mere personal deity, the followers of any other deity (Viṣṇu, Gaṇeśa, etc.) would be left out, which is completely absurd. Therefore, by "Your devotees or followers", Utpaladeva means to say "those people who are spiritually oriented indeed".Return

19  Nimīlanasamādhi is that Perfect Concentration in which your senses are closed to the external world and you attain complete unity with the inner Self (the Witness). On the other hand, Unmīlanasamādhi is that Perfect Concentration in which your senses are fully open and you perceive the entire world as a form of Śiva, your own innermost Self. Obviously, these states are "only" attained by divine dispensation or grace. If there is no divine grace, you will not achieve them, however resolved you may be. And he is a great yogī who deserves such a divine favor. Thus, the sage Kṣemarāja is speaking of a highly experienced yogī endowed with supreme wisdom and detachment and not of any mere seeker.Return

20  The following phrase is in absolute Locative (a special grammatical structure in Sanskrit), that is why I had to add "even though" at the beginning in order to give it a logical structure in English. Likewise, I am going to write the original words, i.e. without being declined in Locative case, between double hyphen (-- --) for the sake of making my translation even more transparent. Read the Declension documents for more information about Locative case. And if you are wondering what the heck is an absolute Locative? Well, in Sanskrit there is something known as "absolute construction" (whether in Locative or Genitive cases). What is that? Listen to the technical definition:

"When the participle agrees with a subject that is different from the subject of the verb, the phrase is in absolute construction".

A simple example: "Mūle hate hataṁ sarvam", which is "literally" translated this way: "In the root (mūle), in which has been killed (hate), killed (hatam) all (sarvam)". The main subject (i.e. the subject of the verb) is "sarvam" (all), and its verb is "hatám" (granted, this is past participle of the root "han"-"to kill", but this is the classic way of writing in Sanskrit, which prevents me from taking the trouble to conjugate the verb "han", got it?) In turn, the word "root" is "mūlam" and the participle agreeing with it is the first "hatám" (killed), which is now shown like this in the sentence: "hate". OK, as this first "hatám" (the participle) agrees with a subject ("mūlam") that is different from the subject ("sarvam") of the verb (the second "hatám" in this case), you have to decline both the participle and the subject which it agrees with in Locative. So, instead of "mūlam" and "hatám", you put "mūle" and "hate" (Locative case). Of course, you cannot translate the sentence literally, because it does not make any sense. Thus, you should add "even though, when, while, since, etc." to the sentence, according to the context, in order to give it structure in English, understood? Therefore, the translation of "Mūle hate hataṁ sarvam" would read:

"(When) the root --mūla-- (mūle) has been killed --hatá-- (hate), all (sarvam) has been destroyed (hatam)".

Note that I translated "hatám" as "has been destroyed" to avoid redundance. Also notice how I added between double hyphen the original crude forms of the words, i.e. without being declined in Locative. On the other hand, in some cases, I cannot use the absolute construction (oh, it is long to explain why) and I have to write the phrase with "yadā" (when) and conjugate properly, at least once. Now, suppose that I cannot use the absolute construction to express the former sentence. Good... I will have to write all this way then:

"Yadā mūlaṁ hanyate hataṁ sarvam" - "When (yadā) the root (mūlam) has been killed (hanyate), all (sarvam) has been destroyed (hatam)".

Too long if compared to "Mūle hate hataṁ sarvam". On top of that, I had to conjugate the root "han" (to kill) in Passive Voice, 3rd Person singular ("hanyate")... how complicated for a rookie in Sanskrit like me! For that reason, it is better to use absolute constructions when possible. There is an absolute Genitive too, which is generally used under the same circunstamces as the absolute Locative, but it has its own particularities anyway. Oh, this is something I cannot explain here, obviously. Well, if you did not understand anything, do not worry about it, because this topic is somewhat strange. Just trust me, please.Return

21  By "Mantra-s", the author of the stanza is not referring "exclusively" to the sacred words (which, technically speaking, are not mantra-s either... oh well, a too long topic to explain it in a simple note), but to the experients of the fifth tattva or category (Sadvidyā). See Tattvic Chart for more information.Return

22  "Vicinvantu" is the 3rd Person plural, Imperative Mood, of the verb "vici" (to examine, investigate). As a matter of fact, "vicinvantu" means "let... examine and investigate", but I had to place that "Let" at the beginning of the sentence for the sake of convenience as the Sanskrit sentence structure is very different from that of the English language.Return

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 Further Information

Gabriel Pradīpaka

Este documento foi concebido por Gabriel Pradīpaka, um dos dois fundadores deste site, e guru espiritual versado em idioma Sânscrito e filosofia Trika.

Para maior informação sobre Sânscrito, Yoga e Filosofia Indiana; ou se você quiser fazer um comentário, perguntar algo ou corrigir algum erro, sinta-se à vontade para enviar um e-mail: Este é nosso endereço de e-mail.



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