Sanskrit & Trika Shaivism (English-Home)

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 Spandanirṇaya: Seção I (aforismos 3 a 5)

Tradução normal

Tradução ao português brasileiro em progresso


 INTRODUÇÃO

Este é o segundo conjunto de 3 aforismos dentre os 25 aforismos que constituem a primeira Seção (que trata do Svarūpaspanda, ou o Spanda como a própria natureza). Como você sabe, a obra inteira é composta por 53 aforismos das Spandakārikā-s mais os seus respectivos comentários.

Naturalmente, também inserirei os aforismos originais a respeito dos quais Kṣemarāja está comentando. Muito embora eu não vá comentar nem os sūtra-s originais e nem o comentário de Kṣemarāja, escreverei algumas notas para esclarecer determinado ponto quando necessário. Se desejar uma explicação detalhada, vá até "Escrituras (estudo)|Spandanirṇaya" na seção do Trika.

O sânscrito de Kṣemarāja estará na cor verde-escura, enquanto os aforismos originais de Vasugupta serão exibidos na cor vermelho-escura. Por sua vez, dentro da transliteração, os aforismos originais estarão na cor marrom, ao passo que os comentários de Kṣemarāja serão mostrados em preto. Também, dentro da tradução, os aforismos originais de Vasugupta, isto é, as Spandakārikā-s, estarão nas cores verde e preta, enquanto o comentário de Kṣemarāja conterá palavras em ambas as cores, preta e vermelha.

Leia o Spandanirṇaya e experiencie o Supremo Ānanda, ou Bem-aventurança Divina, querido Śiva.

Importante: Tudo o que está entre colchetes e em itálico na tradução foi adicionado por mim a fim de completar o sentido de uma frase ou sentença específica. Por sua vez, tudo o que está entre hifens duplos (--...--) constitui mais informações esclarecedoras também adicionadas por mim.

início


 Aforismo 3

ननु जागरादिदशास्वीदृशः स्वभावो नानुभूयते यदि चायमुक्तयुक्तिभिर्न केनचिन्निरुध्यते तज्जागराद्यवस्थासु स्वयमेव निरोत्स्यते — इति शङ्कात उक्तमप्यर्थमप्रतिपद्यमानं प्रतिबोधयन्नुपदिशति—


जाग्रदादिविभेदेऽपि तदभिन्ने प्रसर्पति।
निवर्तते निजान्नैव स्वभावादुपलब्धृतः॥३॥


जागरापरपर्यायो जाग्रच्छब्दः शिष्टप्रयुक्तत्वात्। लोकप्रसिद्धे जाग्रत्स्वप्नसुषुप्तानां भेदे योगिप्रसिद्धेऽपि वा धारणाध्यानसमाधिरूपे प्रसर्पति— अन्योन्यरूपे प्रवहति सति अर्थात्तत्तत्त्वं निजादनपायिनः सर्वस्यात्मभूताच्चानुभवितृरूपात्स्वभावान्नैव निवर्तते। यदि हि स्वयं निवर्तेत तज्जाग्रदाद्यपि तत्प्रकाशाविनाकृतं न किञ्चित्प्रकाशेत। उपलब्धृता चैतदीया जागरास्वप्नयोः सर्वस्य स्वसंवेदनसिद्धा। सौषुप्ते यद्यपि सा तथा न चेत्यते तथाप्यौत्तरकालिकस्मृत्यन्यथानुपपत्त्या सिद्धा उपलब्धृत एव च स्वभावान्न निवर्तत उपलभ्यं त्ववस्थादि तन्माहात्म्यान्निवर्ततां कामं कात्र क्षतिः। एवकारोऽप्यर्थे भिन्नक्रमस्तदभावेऽपि न निवर्तत इत्यर्थः। जागरादिविभेदस्य विशेषणद्वारेण हेतुस्तदभिन्न इति तस्माच्छिवस्वभावादभेदेन प्रकाशमानत्वात्प्रकाशरूप इत्यर्थः। यच्च यदेकात्मकं तत्कथं तन्निवृत्ताववतिष्ठते। यद्वा तदिति कर्तृपदम्। अभिन्न इति तु केवलमभिन्नत्वं जागरादेः शिवापेक्षमेव। अर्थात्तत्तत्त्वं जागरादिभेदेऽपि सति प्रसर्पति प्रसरति वैचित्र्यं गृह्णाति तन्नैव स्वभावान्निवर्तत इति योज्यम्। किञ्चायं जाग्रदादिभेदः परिणामो विवर्तो वेति यत्साङ्ख्यपाञ्चरात्रशाब्दिकादयो मन्यन्ते तद्व्युदासायाप्युक्तं तदभिन्न इति। अवस्थाप्रपञ्चोऽपि यदि चिन्मात्रात्परिणामतया मनागप्यतिरिच्येत चिद्रूपं वा तत्परिणतौ मनागतिरिच्येत तन्न किञ्चिच्चकास्यादिति तावन्न परिणामोऽस्ति। यथोक्तम्

परिणामोऽचेतनस्य चेतनस्य न युज्यते।

इति श्रीकिरणे। न च भासमानोऽसावसत्यो ब्रह्मतत्त्वस्यापि तथात्वापत्तेः— इत्यसत्यविभक्तान्यरूपोपग्राहिता विवर्त इत्यपि न सङ्गतम्। अनेन चातिदुर्घटकारित्वमेव भगवतो ध्वनितम्। यस्माज्जागरादिविभेदं च प्रकाशयति तत्रैव च स्वाभेदमिति भेदात्मना तदभेदात्मनोभयात्मना च रुपेणापरापरापरापराशक्तित्रयस्वरूपेण स्फुरतीत्यनुत्तरषडर्धतत्त्वात्मतया भगवानेव स्फुरति। अतश्च जागरादिदशावस्थितोऽपि एवमिमं स्वस्वभावं परिशीलयन् यश्चिनुते स शङ्कर एवेत्युपदिष्टं भवति॥३॥

Nanu jāgarādidaśāsvīdṛśaḥ svabhāvo nānubhūyate yadi cāyamuktayuktibhirna kenacinnirudhyate tajjāgarādyavasthāsu svayameva nirotsyate- iti śaṅkāta uktamapyarthamapratipadyamānaṁ pratibodhayannupadiśati—


Jāgradādivibhede'pi tadabhinne prasarpati|
Nivartate nijānnaiva svabhāvādupalabdhṛtaḥ||3||


Jāgarāparaparyāyo jāgracchabdaḥ śiṣṭaprayuktatvāt| Lokaprasiddhe jāgratsvapnasuṣuptānāṁ bhede yogiprasiddhe'pi vā dhāraṇādhyānasamādhirūpe prasarpati— anyonyarūpe pravahati sati arthāttattattvaṁ nijādanapāyinaḥ sarvasyātmabhūtāccānubhavitṛrūpātsvabhāvānnaiva nivartate| Yadi hi svayaṁ nivarteta tajjāgradādyapi tatprakāśāvinākṛtaṁ na kiñcitprakāśeta| Upalabdhṛtā caitadīyā jāgarāsvapnayoḥ sarvasya svasaṁvedanasiddhā| Sauṣupte yadyapi sā tathā na cetyate tathāpyauttarakālikasmṛtyanyathānupapattyā siddhā upalabdhṛta eva ca svabhāvānna nivartata upalabhyaṁ tvavasthādi tanmāhātmyānnivartatāṁ kāmaṁ kātra kṣatiḥ| Evakāro'pyarthe bhinnakramastadabhāve'pi na nivartata ityarthaḥ| Jāgarādivibhedasya viśeṣaṇadvāreṇa hetustadabhinna iti tasmācchivasvabhāvādabhedena prakāśamānatvātprakāśarūpa ityarthaḥ| Yacca yadekātmakaṁ tatkathaṁ tannivṛttāvavatiṣṭhate| Yadvā taditi kartṛpadam| Abhinna iti tu kevalamabhinnatvaṁ jāgarādeḥ śivāpekṣameva| Arthāttattattvaṁ jāgarādibhede'pi sati prasarpati prasarati vaicitryaṁ gṛhṇāti tannaiva svabhāvānnivartata iti yojyam| Kiñcāyaṁ jāgradādibhedaḥ pariṇāmo vivarto veti yatsāṅkhyapāñcarātraśābdikādayo manyante tadvyudāsāyāpyuktaṁ tadabhinna iti| Avasthāprapañco'pi yadi cinmātrātpariṇāmatayā manāgapyatiricyeta cidrūpaṁ vā tatpariṇatau manāgatiricyeta tanna kiñciccakāsyāditi tāvanna pariṇāmo'sti| Yathoktam

Pariṇāmo'cetanasya cetanasya na yujyate|

Iti śrīkiraṇe| Na ca bhāsamāno'sāvasatyo brahmatattvasyāpi tathātvāpatteḥ- ityasatyavibhaktānyarūpopagrāhitā vivarta ityapi na saṅgatam| Anena cātidurghaṭakāritvameva bhagavato dhvanitam| Yasmājjāgarādivibhedaṁ ca prakāśayati tatraiva ca svābhedamiti bhedātmanā tadabhedātmanobhayātmanā ca rupeṇāparāparāparāparāśaktitrayasvarūpeṇa sphuratītyanuttaraṣaḍardhatattvātmatayā bhagavāneva sphurati| Ataśca jāgarādidaśāvasthito'pi evamimam svasvabhāvaṁ pariśīlayan yaścinute sa śaṅkara evetyupadiṣṭaṁ bhavati||3||


Uma objeção (nanu): "Tal (īdṛśaḥ) natureza essencial (de Śaṅkara, ou Śiva,) (sva-bhāvaḥ) não (na) é experimentada (anubhūyate) durante os estados (daśāsu) de vigília (jāgarā), etc. (ādi). E (ca) se (yadi), de acordo com os argumentos (yuktibhiḥ) que foram declarados (previamente) (ukta), esta (natureza essencial) (ayam) não (na) é confinada, ou restringida (nirudhyate) por nada (kena-cid), portanto (tad) ela confinará ou restringirá (nirotsyate) a si mesma (svayam eva) nos estados (avasthāsu) de vigília (jāgarā), etc. (ādi... iti)". (A questão é: É válido este raciocínio?). Por causa da (existência de tal) dúvida (śaṅkātaḥ), (agora) aquele que instrui e desperta --isto é, o autor das Spandakārikā-s-- (pratibodhayan) ensina (upadiśati) à pessoa que não compreende (apratipadyamānam) o significado (artham) (daquilo que já foi) descrito (uktam api) (antes. Ele o faz por meio da seguinte estrofe:)—


Mesmo (api) na variedade (de estados) (vibhede), (tais como) vigília (jāgrat), etc. (ādi), a qual --isto é, "a variedade de estados"-- não é separada (abhinne) daquele (Spanda) (tad), (o princípio do Spanda) continua a fluir (prasarpati). (O Spanda) não (na eva) se afasta (jamais) (nivartate) de Sua própria (nijāt) natureza essencial (sva-bhāvāt) como o Percebedor, ou Experimentador --upalabdhṛ-- (upalabdhṛtaḥ)||3||


O termo (śabdaḥ) "jāgrat" --isto é, vigília-- (jāgrat) (é) sinônimo (aparaparyāyaḥ) de "jāgarā" (jāgarā), visto que é assim usado (prayuktatvāt) pelos homens instruídos (śiṣṭa)|

(Muito embora) a variedade (de estados) (bhede) de vigília (jāgrat), sonho (svapna) (e) sono profundo --suṣupta-- (suṣuptānām)1 , a qual é bem conhecida (prasiddhe) entre as pessoas comuns (loka), ou (vā) até mesmo (api) (embora a variedade) que consiste (rūpe) de concentração (dhāraṇā), meditação (dhyāna), (e) concentração perfeita (samādhi), a qual é bem conhecida (prasiddhe) entre os yogīs (yogi), flua (prasarpati); (em outras palavras, embora tal variedade contendo estados que parecem ser) diferentes uns dos outros (anyonyarūpe) continue a fluir (como um rio) (pravahati sati), na realidade (arthāt), aquele (tad) princípio (da Suprema Vibração) (tattvam) não (na) se afasta (nivartate) em absoluto (eva) de sua própria (nijāt) invariável (anapāyinaḥ) natureza essencial (sva-bhāvāt), que é (bhūtāt) o Ser (ātma) de tudo (sarvasya) e (ca) cuja forma (rūpāt) (é) o Percebedor, ou Experimentador (anubhavitṛ)|

Sem dúvida (hi), se (yadi) aquele (Princípio) (tad) houvesse de se afastar (nivarteta) por Si Mesmo (svayam), (então,) a vigília (jāgrat), etc. (ādi), estando destituída (vinākṛtam) de Sua (tad) Luz (prakāśa), também (api) (se afastaria. Em suma,) nada (na kiñcid) apareceria (prakāśeta)|

E (ca) a condição de Percebedor, ou Experimentador (upalabdhṛtā), relativa a este (Princípio) (etadīyā) é provada (siddhā) a partir da própria (sva) percepção (saṁvedana) de todos (sarvasya) durante a vigília (jāgarā) (e) o sonho --svapna-- (svapnayoḥ)2 |

Muito embora (yadi api) no caso do sono profundo (sauṣupte) esta (condição de Percebedor, ou Experimentador,) (sā) não (na) seja percebida (cetyate) de modo semelhante (como na vigília e no sonho) (tathā), não obstante (tathā api) ela é provada (siddhā) a partir da subsequente (auttarakālika) memória (smṛti), porque não pode ser provada (anupapattyā) de outro modo (anyathā)3 . (Em consequência, o princípio da Suprema Vibração) não (eva ca... na) se afasta (nivartate) de Sua própria natureza essencial (sva-bhāvāt) como o Percebedor, ou Experienciador (upalabdhṛtaḥ). Todavia (tu), (que) aquilo que pode ser percebido (upalabhyam), (tal como) o estado (de sono profundo) (avasthā), etc. (ādi), se afaste (nivartatām)4  à sua vontade (kāmam) através da posição exaltada (māhātmyāt) daquele (Percebedor, ou Experimentador) (tad)! Qual (kā) (é) o dano (kṣatiḥ) a esse respeito (atra)?5 |

A palavra (kāraḥ) "eva" (no aforismo) (eva) (pode também ser tomada) como seguindo uma ordem diferente (daquela do texto original) (bhinna-kramaḥ), no sentido (arthe) de "api" --isto é, "mesmo, também"-- (api). (Assim, "eva" pode adicionar um significado suplementar para enriquecer o texto): "tadabhāve'pi" ou "mesmo (api) na ausência (abhāve) daquilo --isto é, vigília, sonho e sono profundo-- (tad)". (Portanto, a declaração final rezaria): "tadabhāve'pi na nivartate" ou (mesmo na ausência de vigília, sonho ou sono profundo, o princípio do Spanda, ou Suprema Vibração,) não (na) se afasta (nivartate) (de Sua própria natureza essencial como o Perceptor ou Experienciador)". Este é o sentido (iti arthaḥ)|

--Assim, esta interpretação adicional de "eva" significando "api" (mesmo, também) no sentido de "tadabhāve'pi", somada a uma mudança da ordem textual, transformaria o aforismo original e consequentemente enriqueceria o seu significado. É claro que ao mudar a ordem das palavras estas também mudam sua forma, às vezes, pelas Regras de Sandhi. Veja:

Jāgradādivibhede'pi tadabhinne prasarpati|
Nijātsvabhāvādupalabdhṛtastadabhāve'pi na nivartate||

Por meio destas alterações, o aforismo poderia também ser traduzido da seguinte maneira, de acordo com Kṣemarāja:

"Mesmo (api) na variedade (de estados) (vibhede), (tais como) vigília (jāgrat), etc. (ādi), a qual --isto é, "a variedade de estados"-- não é separada (abhinne) daquele (Spanda) (tad), (o princípio do Spanda) continua a fluir (prasarpati). (O Spanda) não (na) se afasta (jamais) (nivartate) de Sua própria (nijāt) natureza essencial (sva-bhāvāt) como o Percebedor, ou Experimentador --upalabdhṛ-- (upalabdhṛtaḥ), mesmo (api) na ausência (abhāve) daquilo --isto é, vigília, sonho e sono profundo-- (tad) (também)."6 --

(O composto) "tadabhinne" --isto é, "na (variedade de estados) que não é separada daquele (Spanda)"-- (tad-abhinne iti) (atua como) um adjetivo "hetu" (hetuḥ)7  que qualifica (viśeṣaṇa-dvāreṇa) a variedade (de estados) (vibhedasya) (tais como) vigília (jāgarā), etc. (ādi). (Ao interpretar "tadabhinne" dessa forma, o seu significado literal é grandemente enriquecido): Visto que (tal variedade de estados como vigília, etc.) reluz (prakāśamānatvāt) a partir daquela (tasmāt) natureza essencial (sva-bhāvāt) de Śiva (śiva) como não-diferente (d’Ele Próprio) (abhedena), ela --isto é, a supradita variedade-- consiste (rūpe) de Prakāśa ou Luz (prakāśa)8  (também). Este é o sentido (iti arthaḥ)|

--Assim, esta primeira interpretação estabelece que o composto "tadabhinne" significa:

"Visto que tal variedade de estados como vigília, etc. reluz a partir daquela natureza essencial de Śiva como não-diferente d’Ele Próprio, ela --isto é, a supradita variedade-- consiste de Prakāśa ou Luz também". Em outras palavras, o aforismo poderia também ser traduzido da seguinte maneira:

"Mesmo (api) na variedade (de estados) (vibhede), (tais como) vigília (jāgrat), etc. (ādi), (o princípio do Spanda) continua a fluir (prasarpati). (Além disso,) visto que tal variedade de estados como vigília, etc. reluz a partir daquela natureza essencial de Śiva como não-diferente d’Ele Próprio, ela --isto é, a supradita variedade-- consiste de Prakāśa, ou Luz, também (tad-abhinne). (O Spanda) não (na eva) se afasta (jamais) (nivartate) de Sua própria (nijāt) natureza essencial (sva-bhāvāt) como o Percebedor, ou Experimentador --upalabdhṛ-- (upalabdhṛtaḥ)."--

Se (a variedade de estados como vigília, etc.) (yad ca) é idêntica (eka-ātmakam) a Ele --isto é, o Ser Supremo-- (yad), (então,) como (katham) essa (variedade) (tad) haverá de permanecer (avatiṣṭhate) no caso de Seu afastamento (tad-nivṛttau)?|

Ou então (yad vā), (a palavra) "tad" (em "tadabhinne") (tad iti) (pode ser considerada como) o sujeito (da oração) (kartṛpadam)|

(Por sua vez, o termo) "abhinne" (em tadabhinne) (abhinne iti) (pode ser considerado como) apenas (kevalam) um estado, ou condição, de identidade (abhinnatvam) da vigília (jāgarā), etc. (ādeḥ) com relação (apekṣam eva) a Śiva (śiva), verdadeiramente (tu)|

Em outras palavras (arthāt), a construção da frase (rezaria) (yojyam): ("Tattattvaṁ jāgarādibhede'pi sati prasarpati prasarati vaicitryaṁ gṛhṇāti tannaiva svabhāvānnivartate" ou) "Aquele (tad) princípio (da Suprema Vibração, ou Spanda,) (tattvam), ainda que (api) haja (sati) uma variedade (de estados) (bhede) (tais como) vigília (jāgarā), etc. (ādi), continua a fluir (prasarpati) (e) se expande (prasarati), (isto é,) assume (grihṇāti) a diversidade (vaicitryam). (De qualquer modo,) aquele (Princípio) (tad) não (na eva) se afasta (jamais) (nivartate) de Sua própria natureza essencial (sva-bhāvāt... iti)" --esta seria uma segunda interpretação de "tadabhinne"--|

Além disso (kiñca), (como) os seguidores do Sāṅkhya (sāṅkhya) (e) Pañcarātra (pāñcarātra) (junto com) os gramáticos (śābdika), etc. (ādayaḥ)9  acreditam (manyante) que (iti yad) esta (ayam) variedade (de estados) (bhedaḥ) (tais como) vigília (jāgrat), etc. (ādi) (constitui) pariṇāma --isto é, transformação, mudança, modificação-- (pariṇāmaḥ) ou (vā) vivartá --aparência ilusória-- (vivartaḥ), a expressão (uktam) "tadabhinne" (tad-abhinne iti) (pode) também (ser usada) (api) para rejeitar, ou refutar (vyudāsāya), isso (tad)|

Se (yadi) mesmo (api) a multiplicidade (prapañcaḥ) de estados (avasthā), tomada como uma transformação, ou "pariṇāma", (da pura Consciência) (pariṇāmatayā)(fosse) ainda que (api) levemente (manāk) diferente (atiricyeta) da pura (mātrāt) Consciência (cit), (então,) com a transformação (pariṇatau) dessa (multiplicidade) (tad) a Consciência (cit-rūpam) (seria) também (vā) levemente diferente --isto é, Ela seria modificada ou transformada no processo também-- (manāk atiricyeta), (e,) consequentemente, (tad) nada (na kiñcid) resplandeceria (cakāsyāt). Assim (iti), (ao menos) até tal ponto (tāvat), não há (na... asti) pariṇāma, ou transformação (pariṇāmaḥ)|

Como (yathā) foi afirmado (uktam) no venerável (śrī) Kiraṇa (kiraṇe):

"Pariṇāma, ou transformação (pariṇāmaḥ), é adequadamente aplicável (yujyate) ao insenciente (acetanasya), (mas) não (na) ao senciente (cetanasya... iti)"|

Também (ca), aquilo (asau) que reluz (bhāsamānaḥ) não (na) é irreal (asatyaḥ), (porque, se assim fosse,) até mesmo (api) o princípio --tattva-- (tattvasya) de Brahma --isto é, o Absoluto-- (brahma)10  entraria (tathātva-āpatteḥ) em uma condição similar --isto é, Brahma seria também irreal--. Desta maneira (iti), (a teoria de) "vivartá" --isto é, aparência ilusória-- (vivartaḥ iti), (que está relacionada com) irrealidade (asatya) (e) separação (vibhakta), (e que) faz (o universo) assumir --grāhita-- (grāhitāḥ) outra (anya) forma (rūpa) --isto é, uma forma que é diferente de Brahma, ou da Realidade Absoluta--, não (na) é apropriada ou adequada (saṅgatam) tampouco (api)|

Além disso (ca), por meio disto --isto é, da expressão "tadabhinne"-- (anena) o poder do Senhor --lit. do Afortunado-- (bhagavataḥ) de realizar (kāritvam) aquilo que é muito difícil de ser realizado (atidurghaṭa) (é) certamente (eva) implicado --isto é, aludido-- (dhvanitam)|

Visto que (yasmāt) Ele manifesta (prakāśayati) a variedade (de estados) (vibhedam) (tais como) vigília (jāgarā), etc. (ādi), de fato (ca), ao (manifestar) essa (variedade) (tatra eva ca) (o Senhor manifesta) Sua (sva) unidade (abhedam) (também). Assim (iti), Aquilo --isto é, o Senhor-- (tad) resplandece (sphurati) por meio de diferença, ou dualidade (bheda-ātmanā), unidade, ou ausência de diferença (abheda-ātmanā), e (ca) daquilo cuja forma (rūpeṇa) é (ātmanā) ambas (as coisas) --isto é, dualidade e unidade-- (ubhaya), (em suma,) por meio do que é da natureza (sva-rūpeṇa) dos três (traya) poderes (śakti) de Aparā (aparā), Parā (parā) (e) Parāparā (parā-aparā). Desta forma (iti), o próprio (eva) Afortunado (bhagavān) torna-se brilhantemente manifesto (sphurati) como (ātmatayā) o excelente (anuttara) princípio (tattva) da tríade --isto é, o sistema Trika-- (ṣaḍardha)11 |

Portanto (atas ca), aquele (saḥ) Śaṅkara --isto é, o Senhor-- (śaṅkaraḥ) Mesmo (eva) (é Aquele) que (yaḥ) assim (evam) indaga sobre (cinute) (e) entra em contato (pariśīlayan) com esta (imam) natureza essencial (sva-sva-bhāvam) mesmo (api) enquanto permanece (avasthitaḥ) nos estados (daśā) de vigília (jāgarā), etc. (ādi). Isto é o que é ensinado (pelo terceiro aforismo das Spandakārikā-s) (iti upadiṣṭam bhavati)||3||

1  A diferença entre o sonho e o sono profundo reside em que no primeiro há "sonhos", ao passo que o último é destituído deles. O sono profundo é apenas um vazio.Return 

2  O propósito aqui reside em que "todos" podem verificar "diretamente" a presença de um Percebedor, ou Experimentador, durante a vigília e o sonho. Esta condição de Percebedor, ou Experimentador, está obviamente relacionada ao Princípio supracitado, isto é, o princípio da Suprema Vibração, ou Spanda.Return 

3  Apenas um grande ser pode estar "diretamente" consciente do vazio conhecido como sono profundo no exato instante em que ele se desenvolve. As demais pessoas apenas têm consciência do sono profundo mediante uma mera lembrança, uma vez que saem dele.Return 

4  A palavra "nivartatām" significa "que se afaste!" (Modo Imperativo, 3a pessoa do singular, Ātmanepada, da raiz "nivṛt"). A conjugação "nivartatām" está no número singular por relacionar-se a "upalabhyam", que está no singular. Tive de posicionar "que" quase no início da oração a fim de torná-la compreensível em português.Return 

5  O sentido reside em que qualquer desses estados (vigília, sonho ou sono profundo) pode se afastar, isto é, desaparecer, ou cessar, sempre que queira fazê-lo, devido à posição exaltada, ou à majestade do Ser Supremo (o Percebedor), porque, quer estejam ou não presentes, o Percebedor, ou Experimentador, permanece inalterado como a Realidade Absoluta.Return 

6  O significado é assim enriquecido por essa interpretação alternativa de Kṣemarāja, visto que o autor das Spandakārikā-s não estaria apenas afirmando que o Spanda permanece como o Percebedor, ou Experimentador, durante a "presença" da vigília, do sonho e do sono profundo, mas também durante a sua "ausência". Em outras palavras, o Spanda não depende em absoluto dos três estados ordinários de consciência. Captou o ponto? Excelente! Return 

7  Um adjetivo "hetu" é aquele que, além de qualificar (como faz a grande maioria dos adjetivos) um substantivo ("a variedade de estados, tais como vigília, etc.", neste caso), fornece também uma razão causal. "Tadabhinne", ou literalmente "naquilo que não é separado d’Aquilo" (refere-se à anteriormente mencionada variedade de estados que não se acha separada do Spanda), certamente qualifica "vibheda", ou "variedade (de estados)", mas fornece igualmente um fundamento: "Visto que tal variedade de estados não é separada daquele Spanda, que é Prakāśa ou Luz, a natureza de semelhante variedade é Luz também". Isto é o que Kṣemarāja está prestes a declarar agora. Prossiga na leitura, por favor.Return 

8  No sistema Trika, isto é, o Xivaísmo Não-dual da Caxemira, o termo técnico para designar Śiva (o Ser Supremo) é "Prakāśa" (Luz).Return 

9  Sāṅkhya é um dos seis sistemas filosóficos tradicionais da Índia, enquanto Pañcarātra é uma série de livros sagrados cujos ensinamentos são seguidos pelo sistema Pāñcarātra (um grupo vaisnava que adora o Senhor Kṛṣṇa e Seus quatro vyūhas, ou emanações). O sistema Pāñcarātra é também conhecido como Bhāgavata, Nārāyaṇīya, Ekāntika e Sāttvata. Por sua vez, por "śābdikas", ou gramáticos, Kṣemarāja refere-se mormente aos seguidores do célebre Vākyapadīya, composto pelo sábio Bhartṛhari. Veja Primeiros Passos (1), Primeiros Passos (2) e Primeiros Passos (3) para mais informações.Return 

10  Os seguidores da teoria do vivartá denominam a Realidade Mais Elevada "Brahma". Neste momento, Kṣemarāja evidencia algumas incoerências fundamentais em semelhante teoria.Return 

11  O Xivaísmo Não-dual da Caxemira é comumente conhecido como "Trika" (tríplice) porque trata primordialmente dos três aspectos do Senhor: Parā (Supremo), Aparā (o oposto de Parā, isto é, inferior) e Parāparā (uma fusão de Parā e Aparā). Outra maneira de designar esses três aspectos é a seguinte: Abheda (unidade), Bheda (dualidade) e Bhedābheda (unidade na dualidade).Return 

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 aforismo 4

अथ य एकमेवेदं संविद्रूपं हर्षविषादाद्यनेकाकारविवर्तं पश्याम इत्युक्त्या ज्ञानसन्तान एव तत्त्वमिति सौगता मन्यन्ते ये चाहम्प्रतीतिप्रत्येयः सदैव सुखाद्युपाधितिरस्कृत आत्मेति मीमांसकाः प्रतिपन्नास्तानेकेनैव श्लोकेनापवदति


अहं सुखी च दुःखी च रक्तश्चेत्यादिसंविदः।
सुखाद्यवस्थानुस्यूते वर्तन्तेऽन्यत्र ताः स्फुटम्॥४॥


य एवाहं सुखी स एव दुःखी सुखानुशायिना रागेण युक्तत्वाद्रक्तो दुःखानुशायिना द्वेषेण सम्बन्धाद्द्विष्टश्चेत्यादयः संविदो ज्ञानानि ता अन्यत्रेति अवस्थातर्यात्मतत्त्वे वर्तन्ते तत्रैवान्तर्मुखे विश्राम्यन्ति स्फुटं स्वसाक्षिकं कृत्वा। अन्यथा क्षणिकज्ञानानां स्वात्ममात्रक्षीणत्वात्तत्संस्कारजन्मनामपि विकल्पानामनुभवागोचरे प्रवृत्त्यभावादनुसन्धानमिदं न घटेत। चकारास्तुल्ययोगितापरा अनुसन्धानं द्योतयन्ति। कीदृशेऽन्यत्र सुखाद्यवस्थोदयप्रलयिन्योऽनुस्यूता— दृब्धा यस्मिंस्तस्मिन्सुखाद्यवस्थानुस्यूतेऽन्तःस्रक्सूत्रकल्पतया स्थिते। ता इत्यनेनानुसन्धीयमानावस्थानां स्मर्यमाणतामभिदधत्क्षणिकज्ञानवादिमतेऽनुभवसंस्कारोत्पन्नत्वादर्थाकारारूपितत्वेऽपि स्मृतेः काममनुभवसदृशत्वं भवतु न त्वनुभवानुभूतातीतकालार्यव्यवस्थापकत्वं घटते सर्वसंविदन्तर्मुखे तु प्रमातरि सति सर्वं युज्यत इति सूचितवान् — इत्यलं सुकुमारहृदयोपदेश्यजनवैरस्यदायिनीभिराभिः कथाभिः। एतदर्थिभिः प्रत्यभिज्ञा परीक्ष्या। ग्रन्थकृतैव तु यत इह युक्तिरासूत्रिता ततोऽस्माभिः किञ्चिदुद्घाटितमिति सचेतोभिर्नास्मभ्यमसूययितव्यम्। मीमांसकपरिहाराय त्वेतदित्थं व्याख्यातव्यम्। अहं सुखीत्यादिसंविदो यास्ता अन्यत्रेति पुर्यष्टकस्वरूपे प्रमातरि सुखाद्यवस्थाभिरनुस्यूत ओतप्रोतरूपे स्फुटं लोकप्रतीतिसाक्षिकं वर्तन्ते तिष्ठन्ति न त्वस्मदभ्युपगतेऽस्मिंश्चिदानन्दघने शङ्करात्मनि स्वस्वभावे— इति न सर्वदा सुखाद्युपाधितिरस्कृतोऽयमात्मापि तु चिन्मयः। यदा तु निजाशुद्ध्या वक्ष्यमाणयायं स्वस्वरूपं गूहयित्वा तिष्ठति तदा पुर्यष्टकाद्यवस्थायां सुखित्वादिरूपतास्य तत्रापि न निरोधस्तैः सुखादिभिरस्येत्युक्तमेवेति न तत्तिरस्कृतोऽयं कदाचिदपि। अहं कृशोऽहं स्थूल इत्यादिप्रतीतिपरिहारेणाहं सुखी दुःखीत्यादि वदतोऽयमाशयः— सुखित्वादिप्रतीतिसम्भिन्नां पुर्यष्टकभूमिमन्तर्मुखे पदे निमज्जयंस्तदनुषङ्गेण बाह्यस्यापि देहघटादेर्गलनात्प्रत्यभिजानात्येव स्वं शिवस्वभावत्वमिति सर्वथा पुर्यष्टकशमनायैव यत्न आस्थेय इति॥४॥

Atha ya ekamevedaṁ saṁvidrūpaṁ harṣaviṣādādyanekākāravivartaṁ paśyāma ityuktyā jñānasantāna eva tattvamiti saugatā manyante ye cāhampratītipratyeyaḥ sadaiva sukhādyupādhitiraskṛta ātmeti mīmāṁsakāḥ pratipannāstānekenaiva ślokenāpavadati


Ahaṁ sukhī ca duḥkhī ca raktaścetyādisaṁvidaḥ|
Sukhādyavasthānusyūte vartante'nyatra tāḥ sphuṭam||4||


Ya evāhaṁ sukhī sa eva duḥkhī sukhānuśāyinā rāgeṇa yuktatvādrakto duḥkhānuśāyinā dveṣeṇa sambandhāddviṣṭaścetyādayaḥ saṁvido jñānāni tā anyatreti avasthātaryātmatattve vartante tatraivāntarmukhe viśrāmyanti sphuṭaṁ svasākṣikaṁ kṛtvā| Anyathā kṣaṇikajñānānāṁ svātmamātrakṣīṇatvāttatsaṁskārajanmanāmapi vikalpānāmanubhavāgocare pravṛttyabhāvādanusandhānamidaṁ na ghaṭeta| Cakārāstulyayogitāparā anusandhānaṁ dyotayanti| Kīdṛśe'nyatra sukhādyavasthodayapralayinyo'nusyūtā- dṛbdhā yasmiṁstasminsukhādyavasthānusyūte'ntaḥsraksūtrakalpatayā sthite| Tā ityanenānusandhīyamānāvasthānāṁ smaryamāṇatāmabhidadhatkṣaṇikajñānavādimate'nubhavasaṁskārotpannatvādarthākārārūpitatve'pi smṛteḥ kāmamanubhavasadṛśatvaṁ bhavatu na tvanubhavānubhūtātītakālārthavyavasthāpakatvaṁ ghaṭate sarvasaṁvidantarmukhe tu pramātari sati sarvaṁ yujyata iti sūcitavān- ityalaṁ sukumārahṛdayopadeśyajanavairasyadāyinībhirābhiḥ kathābhiḥ| Etadarthibhiḥ pratyabhijñā parīkṣyā| Granthakṛtaiva tu yata iha yuktirāsūtritā tato'smābhiḥ kiñcidudghāṭitamiti sacetobhirnāsmabhyamasūyayitavyam| Mīmāṁsakaparihārāya tvetaditthaṁ vyākhyātavyam| Ahaṁ sukhītyādisaṁvido yāstā anyatreti puryaṣṭakasvarūpe pramātari sukhādyavasthābhiranusyūta otaprotarūpe sphuṭaṁ lokapratītisākṣikaṁ vartante tiṣṭhanti na tvasmadabhyupagate'smiṁścidānandaghane śaṅkarātmani svasvabhāve- iti na sarvadā sukhādyupādhitiraskṛto'yamātmāpi tu cinmayaḥ| Yadā tu nijāśuddhyā vakṣyamāṇayāyaṁ svasvarūpaṁ gūhayitvā tiṣṭhati tadā puryaṣṭakādyavasthāyāṁ sukhitvādirūpatāsya tatrāpi na nirodhastaiḥ sukhādibhirasyetyuktameveti na tattiraskṛto'yaṁ kadācidapi| Ahaṁ kṛśo'haṁ sthūla ityādipratītiparihāreṇāhaṁ sukhī duḥkhītyādi vadato'yamāśayaḥ- sukhitvādipratītisambhinnāṁ puryaṣṭakabhūmimantarmukhe pade nimajjayaṁstadanuṣaṅgeṇa bāhyasyāpi dehaghaṭādergalanātpratyabhijānātyeva svaṁ śivasvabhāvatvamiti sarvathā puryaṣṭakaśamanāyaiva yatna āstheya iti||4||


Agora (atha), (por um lado,) aqueles que (ye) (são) seguidores de Sugata --um epíteto de Buda-- (saugatāḥ) creem (manyante) (no seguinte): "O Princípio (Supremo) (tattvam) (é) apenas (eva) um fluxo contínuo (santānaḥ) de conhecimentos (jñāna... iti)", com base no argumento (uktyā) (afirmando que) "Vemos (paśyāmaḥ) esta (idam) única (ekam eva) Consciência (saṁvid-rūpam) como uma alteração (vivartam) multiforme (aneka-ākāra) --isto é, uma forma alterada dessa Consciência-- (que consiste em) alegria (harṣa), depressão (viṣāda), etc. (ādi... iti)"1 . Por outro lado (ca), aqueles que (ye) (são) seguidores do sistema Mīmāṁsā (mīmāṁsakāḥ)2  sustentam (pratipannāḥ) (o seguinte): "O Ser (ātmā) (é) aquilo que é conhecido (pratyeyaḥ) na consciência do Eu (aham-pratīti) sempre (sadā eva) ocultado ou eclipsado (tiraskṛtaḥ) pelos atributos (upādhi) de felicidade (sukha), etc. (ādi... iti)". (O autor das Spandakārikā-s) refuta (apavadati) esses (argumentos) (tān) por apenas uma (ekena eva) estrofe --śloka-- (ślokena):


"Eu (aham) (estou) feliz (sukhī ca), Eu (aham) (estou) aflito (duḥkhī ca), Eu (aham) (estou) apegado (raktaḥ ca)", etc. (iti-ādi). Estas (tāḥ) cognições (saṁvidaḥ) permanecem (vartante) evidentemente (sphuṭam) em outro (anyatra), em quem os estados (avasthā) de felicidade (sukha), etc. (ādi) estão enfileirados (como contas em um colar) (anusyūte)||4||


O mesmíssimo "Eu" (eva aham) que (yaḥ) (está) feliz (sukhī) (é também) aquele (saḥ eva) (que está) aflito (duḥkhī) (e) apegado (raktaḥ). (Estas cognições, ou conhecimentos, surgem) porque (esse "Eu") está (de algum modo) conectado (neste momento) (yuktatvāt) com o "rāga", ou afeição, (rāgeṇa), que jaz ou descansa --anuśāyī-- (anuśāyinā) no prazer (sukha). Por sua vez (ca), (tal experiência como "Eu sou) odiado ou odioso" (dviṣṭaḥ)3  (ocorre) porque (esse "Eu") está (de algum modo) relacionado (nesse momento) (sambandhāt) ao ódio (dveṣeṇa), que jaz ou descansa --anuśāyī-- (anuśāyinā) na dor (duḥkha), e assim por diante (iti-ādayaḥ). Estas (tāḥ) cognições (saṁvidaḥ), (ou) conhecimentos (jñānāni), permanecem (vartante) em "outro" (anyatra iti), a saber, no princípio (tattve) do Ser --ātmā-- (ātma) (que é) o possuidor de (tais) estados --avasthātā-- (avasthātari). (Em suma,) eles descansam (viśrāmyanti) evidentemente (sphuṭam) neste (tatra eva) (Ser) interior (antarmukhe) enquanto são testemunhados (sākṣikam kṛtvā) por Ele Próprio (sva)|

De outro modo (anyathā), visto que os conhecimentos momentâneos --kṣaṇika-jñānāni-- decaem --isto é, desaparecem-- (kṣaṇika-jñānānām... kṣīṇatvāt) meramente (mātra) no próprio (sva) Ser --o qual é um Vazio, ou Não-Ser, de acordo com os budistas-- (ātma), os pensamentos, ou ideias --vikalpās-- (vikalpānām), nascidos (janmanām) de suas (tad) impressões latentes --isto é, a partir das impressões latentes deixadas por aqueles conhecimentos momentâneos-- (saṁskāra) também (api) (decairiam, ou desapareceriam. Assim,) esta (idam) interconexão (entre conhecimentos momentâneos e pensamentos, ou ideias, surgidos das impressões latentes deixadas pelos primeiros) (anusandhānam) não ocorreria (na ghaṭeta) (, porque,) ao não estarem dentro do campo (agocare) de experiência (anubhava), haveria ausência --abhāva-- (abhāvāt) de manifestação, ou atividade (pravṛtti) (, no que concerne a esses pensamentos, ou ideias)4 |

As palavras (kārāḥ) "ca" (ca)5 , sendo usadas (parāḥ) com igual (tulya) relação (yogitā), tornam clara, ou evidente (dyotayanti), a interconexão (anusandhānam) --isto é, a interconexão entre conhecimento e pensamento, ou ideia--|

De que tipo (kīdṛśe) (é este) "outro" --anyat-- (anyatra) (mencionado no aforismo)? (A resposta é provida pelo próprio aforismo sob a forma de "Sukhādyavasthānusyūte vartante", isto é), os estados (avasthāḥ) de felicidade (sukha), etc (ādi), que surgem (udaya) (e) se dissolvem --pralayinyaḥ-- (pralayinyoḥ), estão enfileirados (anusyūtāḥ), (ou) atados juntos (dṛbdhāḥ), n’Aquele (tasmin) que --yaḥ-- (yasmin) permanece (sthite) como (kalpatayā) o fio (sūtra) da grinalda (srak) interior (antar) na qual tais estados (avasthā) de felicidade (sukha), etc, (ādi) estão enfileirados (como flores) (anusyūte)6 |

"Tāḥ" (aparece quase ao final do aforismo) (tāḥ iti). Por este (termo) (anena), (o sūtra, ou aforismo,) está (também) se referindo (abhidadhat) à recordação (smaryamāṇatām) destes (estados) interconectados (anusandhīyamāna) --avasthāḥ-- (avasthānām). De acordo com a doutrina (mate) que proclama (vādi) os conhecimentos (jñāna) momentâneos (kṣaṇika) --isto é, o Budismo--, visto que a memória (smriteḥ) surge --utpannā-- (utpannatvāt) a partir das impressões latentes (saṁskāra) (deixadas) pela experiência (anterior) (anubhava), ela surge (rūpitatve) dotada com a forma (ākāra) da coisa (que foi precedentemente experienciada) (artha) também (api). Muito embora (kāmam) possa haver (bhavatu) similaridade (sadṛśatvam) na experiência (anubhava) --isto é, a coisa recordada é "similar", mas não "igual" àquela que foi efetivamente experienciada--, contudo (tu) não é possível (na ghaṭate) (uma condição na qual) a coisa (artha) (experienciada) no passado (atītakāla) seja restaurada (vyavasthāpakatvam) (no presente tal como) foi percebida (anubhūta) na experiência (direta) (anubhava)7 . Mas (tu), conforme apontado (pelo autor deste quarto aforismo, de maneira indireta) (iti sūcitavān): (quando) há (sati) um Experimentador --pramātā-- (pramātari) no interior (antar-mukhe) de todas (sarva) as cognições (saṁvid), toda a questão (sarvam) fica correta (yujyate)8 . Assim (iti), basta (alam) destas (ābhiḥ) conversações (kathābhiḥ) que causam (dāyinībhiḥ) aversão (vairasya) aos estudantes (upadeśya-jana) de coração (hṛdaya) muito terno (su-kumāra)9 |

(A escritura conhecida como) Pratyabhijñā --isto é, a Īśvarapratyabhijñā, composta pelo grande Utpaladeva-- (pratyabhijñā) deve ser examinada e investigada (parīkṣyā) por aqueles que buscam (arthibhiḥ) por este (tipo de discussões sutis) (etad)|

Não obstante (tu), porque (yatas) (o acima mencionado) raciocínio (yuktiḥ) é utilizado aqui no aforismo (iha... āsūtritā) pelo autor (granthakṛtā eva), por conseguinte (tatas) ele foi exposto, ou apresentado (udghāṭitam), brevemente (kiñcid) por nós (asmābhiḥ). Assim (iti), as pessoas inteligentes --sacetasas-- (sacetobhiḥ) não devem ficar descontentes (na... asūyayitavyam) conosco (asmabhyam)10 |

A fim de refutar (parihārāya) os seguidores da Pūrvamīmāṁsā --veja a nota 2-- (mīmāṁsaka), isto --isto é, aquele "outro" na palavra "anyatra" ou "em outro"-- (etad) deve ser interpretado (vyākhyātavyam) desta maneira (ittham), em verdade (tu):

Quaisquer (yāḥ tāḥ) cognições (saṁvidaḥ), (tais como) "Eu (aham) (estou) feliz (sukhī), etc. (iti-ādi)", permanecem (vartante) (, ou) subsistem (tiṣṭhanti), evidentemente (sphuṭam) — isto é, (cognições às quais) a crença (pratīti) popular (loka) dá testemunho (sākṣikam) — "em outro" (anyatra iti). (Em outras palavras, elas permanecem) em um experimentador (pramātari) que tem os estados --avasthāḥ-- (avasthābhiḥ) de felicidade (sukha), etc. (ādi) enfileirados --anusyūtaḥ-- (anusyūte), (isto é, em um experimentador) cuja forma --rūpaḥ-- (rupe) é completamente entretecida --lit. cosida no sentido longitudinal e transversal-- (ota-prota) (por estes estados, e) cuja natureza (sva-rūpe) (é) o Puryaṣṭaka, ou corpo sutil, (purī-aṣṭaka)11 . (De acordo com este ponto de vista especial usado para refutar os seguidores da Pūrvamīmāṁsā, tais cognições, ou saṁvid-s,) certamente (tu) não (permanecem) (na) nesta (asmin) massa compacta --ghana-- (ghane) de Consciência (cit) (e) Bem-aventurança (ānanda) que é o Ser --ātmā-- (ātmani) de Śaṅkara (śaṅkara) (e) a própria (sva) natureza essencial --svabhāvaḥ-- (sva-bhāve), conforme admitido --abhyupagataḥ-- (abhyupagate) por nós (asmad)12 . Assim (iti), este (ayam) Ser (ātmā) não (na) está sempre (sarvadā) ocultado, ou eclipsado (tiraskṛtaḥ), pelos "upādhis", ou atributos, (upādhi) (tais como) felicidade (sukha), etc. (ādi) (como afirmado pelos Mīmāṁsakas, ou seguidores da Pūrvamīmāṁsā), mas (tu) (Ele é) também (api) pleno (mayaḥ) de Consciência (cit) --isto é, Ele é pura Consciência e ao mesmo tempo assume o estado de Puryaṣṭaka, ou experimentador limitado (isto é, aquele identificado com sua própria mente e personalidade), no qual Ele "parece ser" eclipsado, ou ocultado, pelos estados de felicidade, etc.--|

Sem dúvida (tu), quando (yadā) este (Ser) (ayam) oculta, ou encobre --lit. tendo ocultado ou encoberto-- (gūhayitvā), Sua (sva) natureza essencial (sva-rūpam) por meio de Sua própria impureza (nija-aśuddhyā), a qual será descrita (mais adiante) (vakṣyamāṇayā), então (tadā) Ele permanece (tiṣṭhati) no estado (avasthāyām) de Puryaṣṭaka, ou corpo sutil, (puryaṣṭaka), etc. (ādi)13  (e) a condição, ou estado, que consiste (rūpatā) em felicidade (sukhitva), etc. (ādi) --isto é, a experiência de felicidade, dor, apego, etc.-- (parece ser) d’Ele (asya). (Não obstante), como foi dito (anteriormente no segundo aforismo) (uktam eva): "Mesmo (api) nesta (condição limitada que Ele assume voluntariamente) (tatra), não há (na) obstrução (nirodhaḥ) a Ele (asya) por aqueles (estados) (taiḥ) de felicidade (sukha), etc. (ādibhiḥ... iti) --isto é, Ele não pode ser obstruído pela felicidade, etc., mesmo no estado de Puryaṣṭaka, que é um estado fortemente condicionado--", por conseguinte (iti), este (Ser Supremo) (ayam) nunca (na... kadācid api) é eclipsado (tiraskṛtaḥ) por isso --isto é, pela felicidade, etc.-- (tad)|

(Assim, de acordo com o que foi explicado acima), esta (ayam) (é) a intenção (iti āśayaḥ) daquele que diz --isto é, o autor do quarto aforismo-- (vadataḥ) "Eu (aham) (estou) feliz (sukhī), aflito (duḥkhī), etc. (iti-ādi)" ao abandonar (parihāreṇa) crenças (inferiores) (pratīti) (tais como) "Eu (aham) (sou) magro (kṛśaḥ)", "Eu (aham) (sou) gordo (sthūlaḥ)", etc. (iti-ādi)14 . (Uma pessoa) reconhece (pratyabhijānāti eva) seu próprio Ser (svam) como tendo a natureza (sva-bhāvatvam) de Śiva (śiva) --isto é, ela reconhece que o seu próprio Ser é o Próprio Śiva-- ao submergir (nimajjayan) a condição (bhūmim) de Puryaṣṭaka (puryaṣṭaka), que entra em contato (sambhinnām) com as cognições (pratīti) de felicidade (sukhitva), etc. (ādi), no estado (pade) interior (antarmukhe) --isto é, no Ser interior, que é testemunha do Puryaṣṭaka e de suas cognições--, (e) ao também dissolver (api... galanāt) junto (anusaṅgena) com isso --isto é, com o Puryaṣṭaka-- (tad) tudo o que é exterior --bāhya-- (bāhyasya), por exemplo, o corpo (deha), o pote (ghaṭa), etc. --ādi-- (ādeḥ) (nesse mesmíssimo estado interior). Assim (iti), "um esforço (yatnaḥ) há de ser feito (āstheyaḥ) de todas as maneiras possíveis (sarvathā) para acalmar (śamanāya eva) o Puryaṣṭaka, ou corpo sutil, (puryaṣṭaka... iti)" --isto é, intelecto, ego, mente e elementos sutis, dos quais o corpo sutil é composto, devem ser apaziguados por toda espécie de esforço--||4||

1  Por "um fluxo contínuo de conhecimentos", Kṣemarāja está se referindo à teoria dos conhecimentos momentâneos, a qual é sustentada pelos budistas. Por exemplo: todo pensamento, emoção e afins são conhecimentos, mas entre eles há apenas um Vazio. Por outro lado, o Trika declara que o que jaz entre pensamentos, emoções, etc., não é um mero Vazio, mas sim o Supremo Perceptor, ou Experienciador. Ele pode parecer ser vazio porque não contém nenhum objeto, mas, em contrapartida, é pleno de Consciência, de acordo com o sistema Trika. É isso o que Kṣemarāja tentará estabelecer mais adiante ao refutar a teoria dos conhecimentos momentâneos.Return 

2  O sistema Mīmāṁsā é comumente conhecido como Pūrvamīmāṁsā. É uma das seis filosofias tradicionais da Índia. Veja Primeiros Passos (1), Primeiros Passos (2) e Primeiros Passos (3) para mais informações.Return 

3  Uma leitura diferente afirma que se trata, na verdade, de "dveṣṭā", ou "aquele que odeia" (isto é, aquele que sente ódio), o que seria mais coerente, em minha humilde opinião. Ainda assim, tive de traduzir o texto ao pé da letra.Return 

4  Esta frase pode facilmente deixar uma pessoa confusa, mas seu propósito é simples: se os conhecimentos momentâneos são "momentâneos", isto é, "efêmeros" (como afirmam os budistas), eles não deixam qualquer saṁskāra, ou impressão latente, para trás, devido à sua instantaneidade. Sem que nenhum saṁskāra seja deixado para trás, nenhum pensamento, ou ideia nova, pode surgir a partir deles, simplesmente porque tais saṁskāras não existem. Assim, não pode haver anusandhāna, ou interconexão, entre conhecimentos momentâneos e vikalpas (os pensamentos, ou ideias, subsequentes, nascidos das impressões latentes deixadas pelos primeiros), visto que estes vikalpas não conseguem emergir, isto é, manifestar-se e exibir atividade, uma vez que se encontram sem os seus respectivos saṁskāras. Além disso, na ausência de saṁskāras, ou impressões latentes, nenhuma memória adequada é possível tampouco. Ora, talvez a minha explicação tenha sido mais complicada do que a glosa de Kṣemarāja, mas fiz o meu melhor, hehe.Return 

5  Estes "ca" são conjunções indeclináveis (leia Compostos Adverbiais para mais informações). Eles estão situados na primeira linha do quarto aforismo sobre o qual Kṣemarāja está comentando:
"Ahaṁ sukhī ca duḥkhī ca raktaścetyādisaṁvidaḥ". Você pode ver claramente dois deles. O terceiro está oculto. Separemos as palavras e dissolvamos as Regras de Sandhi (combinação):
"Aham sukhī ca duḥkhī ca raktaḥ ca iti-ādi-saṁvidaḥ". Você pode ver o terceiro "ca" agora. A conjunção "ca" geralmente significa "e", e é isto o que essas três significam neste caso (é por isso que Kṣemarāja diz "sendo usadas com igual relação"), mas decidi não traduzi-las assim dentro do aforismo a fim de não ser redundante: "Eu estou feliz e Eu estou aflito e Eu estou apegado, etc...".Return 

6  Os estados de felicidade, etc., que ocorrem dentro de um ser vivo são como flores de uma grinalda interior, enquanto o Ser (isto é, aquele "outro") atua como o fio que interconecta estas flores. Portanto, o Percebedor, ou Experimentador, é Aquele em quem tais estados estão enfileirados. Este é o sentido.Return 

7  Kṣemarāja afirma que, visto que a memória, de acordo com o Budismo, baseia-se meramente em saṁskāras, ou impressões latentes deixadas por estes conhecimentos momentâneos, a coisa que foi experimentada no passado não pode ser restaurada, ou reproduzida, exatamente como tal na ausência de um Percebedor, ou Experimentador, eterno conectando tais conhecimentos momentâneos. Assim, Kṣemarāja assevera que tal memória só pode produzir similaridade, mas não identidade no tocante às coisas que se experimentou precedentemente. Segundo ele, o Budismo está equivocado, pois a memória pode, de fato, restaurar "exatamente" no presente qualquer coisa percebida no passado. Em suma, a coisa restaurada é "igual" àquela do passado, e não apenas "similar". Este ponto está claro, creio eu. Continue lendo, pois ele explicará como corrigir esse ponto de vista budista errôneo.Return 

8  De acordo com Kṣemarāja, o sábio Vasugupta foi o autor das Spandakārikā-s. Assim, o próprio Vasugupta, através de seu quarto aforismo, estaria também insinuando que incluir um Percebedor, ou Experimentador, onipresente é a solução final para todos esses problemas que perturbam o Budismo no que concerne à interconexão entre cognições (isto é, conhecimentos) e pensamentos, ou ideias, juntamente com o problema referente à memória. Este é o sentido.Return 

9  Por "estudantes de coração muito terno", Kṣemarāja está mencionando aqueles estudantes com intelectos muito fracos. Por exemplo, eu mesmo, o tradutor. Pelo amor de Deus, Kṣemarāja, não continue escrevendo compostos tão longos, aglutinando palavras e debatendo sobre esses assuntos complexos, senão terei um ataque cardíaco, haha. Agora, você compreende por que "coração" é sinônimo de "intelecto" neste contexto. Esta prosa está extinguindo o último resquício de orgulho em mim. Então você é um orgulhoso tradutor de sânscrito... venha e traduza estas conversas, haha. Obviamente, os iniciantes no aprendizado do sânscrito não devem tomar esta glosa como um meio para exercitar suas habilidades, a menos que queiram contemplar o oceano de sua ignorância em sânscrito, haha. Para esses principiantes, recomendo o Pañcatantra ou o Hitopadeśa para começar, como alternativa. Acredite em mim, traduzir o Spandanirṇaya não está se revelando algo fácil, mas sim uma jornada rumo à insanidade, hahahaha.Return 

10  Não sei o que as pessoas inteligentes farão, mas este pobre tradutor louva a sua brevidade, querido Kṣemarāja. Mais um raciocínio como esse e a minha mente estaria morta, hahahaha. Ah, desculpe, não consigo deixar de brincar, mas estou sendo sincero, ao menos.Return 

11  Puryaṣṭaka (purī-aṣṭaka) é um epíteto do corpo sutil (sūkṣmaśarīra). Há quatro corpos, ou śarīras: sthūla (grosseiro), sūkṣma (sutil), kāraṇa (causal) e mahākāraṇa (supracausal). O corpo sutil é habitualmente denominado Puryaṣṭaka [lit. a cidade (purī) que consiste em oito (aṣṭaka); "cidade" é sinônimo de "corpo" neste contexto] porque é formado a partir de oito tattvas, ou categorias da manifestação universal, a saber: Buddhi (intelecto), Ahaṅkāra (ego), Manas (mente) e os cinco Tanmātras, ou elementos sutis. Observe que os Indriyas (Jñānendriyas e Karmendriyas), por surgirem a partir de Manas e Ahaṅkāra, respectivamente, estão tacitamente incluídos no Puryaṣṭaka. Veja a Tabela de Tattvas e, a bem da verdade, toda a seção de Trika, se desejar, para obter mais informações sobre o que expliquei previamente.Return 

12  O que Kṣemarāja quer dizer é que, neste caso, para refutar os seguidores da Pūrvamīmāṁsā, a palavra "anyatra" (em outro) no aforismo que ele está comentando não deve ser tomada no sentido de "no Ser de Śaṅkara, isto é, Śiva, ou a própria natureza essencial", mas sim meramente como o Puryaṣṭaka, ou corpo sutil. Assim, as experiências de "Eu estou feliz, etc." descansam no Puryaṣṭaka e não no Ser Supremo "diretamente", o qual jamais é eclipsado, ou obstruído, por nada, conforme apontado pelo segundo aforismo das Spandakārikā-s. É claro que, como o Puryaṣṭaka representa um papel desempenhado por esse Ser Supremo, ou "Eu", o Experienciador final é sempre Ele, isto é, Śiva, indireta ou diretamente, mas para rejeitar a teoria sustentada pelos Mīmāṁsakas (os seguidores da Pūrvamīmāṁsā), Kṣemarāja está indicando uma interpretação alternativa de "anyatra" como significando "no Puryaṣṭaka". O que diabos os Mīmāṁsakas estão sustentando?... se você está se perguntando isso, leia a introdução ao presente quarto aforismo. Depois, continue lendo o comentário e compreenderá finalmente o que acabo de dizer.Return 

13  Por "etc.", os corpos grosseiro e causal são denotados. Veja a nota 11 acima.Return 

14  Kṣemarāja está, assim, especificando que o que foi explicado por ele precedentemente é a intenção de Vasugupta --o autor das Spandakārikā-s, de acordo com ele-- ao dizer no presente aforismo "Eu estou feliz", "Eu estou aflito", etc. Todas essas cognições estão relacionadas ao Puryaṣṭaka, ou corpo sutil, que é predominantemente mental. Por sua vez, as cognições "Eu sou magro", "Eu sou gordo", etc., não foram incluídas no aforismo porque pertencem ao corpo grosseiro, ou físico, que é inferior ao Puryaṣṭaka. É por isso que Kṣemarāja indica "ao abandonar" (parihāreṇa). Ora bem, é simples, não é?... meu Deus!, hehe. Veja a nota 11 para mais informações sobre os corpos.Return 

início


 aforismo 5

उक्तोपपत्तिसिद्धां समस्तवादानामनुपपन्नतामनुवदन्नुपपत्तिसिद्धं स्पन्दतत्त्वमेवास्तीति प्रतिजानाति युक्त्यनुभवागमज्ञो रहस्यगुरुप्रवरः


न दुःखं न सुखं यत्र न ग्राह्यं ग्राहकं न च।
न चास्ति मूढभावोऽपि तदस्ति परमार्थतः॥५॥


इह यत्किञ्चिद्दुःखसुखाद्यान्तरं नीलपीतादिकं बाह्यं ग्राह्यं यच्चैतद्ग्राहकं पुर्यष्टकशरीरेन्द्रियादि तत्तावत्सौषुप्तवदसञ्चेत्यमानं स्पुटमेव नास्तीति वक्तुं शक्यम्। यदापि तु सञ्चेत्यते तदा सञ्चेत्यमानस्याप्यस्य चैतन्यमयत्वाच्चैतन्यमेवास्तीत्यायातम्। यदाहुः

प्रकाशात्मा प्रकाश्योऽर्थो नाप्रकाशश्च सिध्यति।

इति रहस्यतत्त्वविदोऽस्मत्परमेष्ठिनः श्रीमदुत्पलदेवपादाः श्रीमदीश्वरप्रत्यभिज्ञायाम्। इहापि वक्ष्यते—

तत्संवेदनरूपेण तादात्म्यप्रतिपत्तितः

इत्यतो दुःखसुखादि नीलादि तद्ग्राहकं च यत्र नास्ति तत्प्रकाशैकघनं तत्त्वमस्ति। नन्वेवं सर्वग्राह्यग्राहकोच्छेदे शून्यात्मैव तत्त्वमित्यायातं नेत्याह न चास्ति मूढभावोऽपि इति। मूढभावो मूढत्वं शून्यरूपतापि यत्र नास्ति सोऽपि हि न प्रथते कथमस्ति प्रथते चेत्तर्हि प्रथात्मकत्वान्नासौ कश्चित्प्रथैवास्ति न च प्रथायाः कदाचिदभावो भवति तदभावे प्रथाभावस्याप्यसिद्धेः। भविष्यति चैतत्

न तु योऽन्तर्मुखो भावः।

इत्यत्र। अपि मूढभाव ऐश्वर्यात्मकविमर्शशून्यप्रकाशमात्रतत्त्वो ब्रह्मरूपोऽपि यत्र नास्ति यच्छ्रुत्यन्तविदः प्रतिपन्नाः विज्ञानं ब्रह्म इति तस्यापि स्वातन्त्र्यात्मकस्पन्दशक्तिं विना जडत्वात्। यथोक्तं प्रत्यभिज्ञायाम्

स्वभावमवभासस्य विमर्शं विदुरन्यथा।
प्रकाशोऽर्थोपरक्तोऽपि स्फटिकादिजडोपमः॥

इति। भट्टनायकस्तोत्रेऽपि

नपुंसकमिदं नाथ परं ब्रह्म फलेत्कियत्।
त्वत्पौरुषी नियोक्त्री चेन्न स्यात्त्वच्छक्तिसुन्दरी॥

इति। एवं च यत्र स्थितम् इत्यतः प्रभृति यत्तत्त्वं विचारितं तदेवास्ति तच्चास्त्येव परमार्थतो युक्त्यनुभवागमसिद्धेन रूपेण परमार्थत एव चाकल्पितेन पूर्णेन रूपेणास्ति न तु नीलादिवत्कल्पितेन। यथोक्तं महागुरुभिः

एवमात्मन्यसत्कल्पाः प्रकाशस्यैव सन्त्यमी।
जडाः प्रकाश एवास्ति स्वात्मनः स्वपरात्मभिः॥

इति। तत्रभवद्भर्तृहरिणापि

यदादौ च यदन्ते च यन्मध्ये तस्य सत्यता।
न यदाभासते यस्य सत्यत्वं तावदेव हि॥

इति। सावधारणत्वात्सर्ववाक्यानामेवकारोऽत्र त्रिर्योर्ज्यः। एवमनेन सूत्रेण सुखाद्याकारसंवित्सन्तानवादिनां सुखादिकलुषितप्रमातृतत्त्ववादिनां ग्राह्यग्राहकनानात्ववादिनां सर्वेषामभाववादिनां निष्परामर्शप्रकाशब्रह्मवादिनां च मतमनुपपन्नत्वादसत्त्वेनानूद्य पारमार्थिकं स्पन्दशक्तिरूपमेव तत्त्वमस्तीति प्रतिज्ञातम्। अथ च यस्मिन्नस्मिन् सोपदेशसावधानमहानुभावपरिशील्ये स्फुरत्तासारे स्पन्दतत्त्वे स्फुरति दुःखसुखग्राह्यग्राहकतदभावादिकमिदं सदपि न किञ्चिदेव सर्वस्यैतच्चमत्कारैकसारत्वात्तदेवैतदस्तीत्युपदिष्टम्। यन्महागुरवः

दुःखान्यपि सुखायन्ते विषमप्यमृतायते।
मोक्षायते च संसारो यत्र मार्गः स शाङ्करः॥

इति। शाङ्करो मार्गः— शङ्करात्मस्वभावप्राप्तिहेतुः पराशक्तिरूपः प्रसरः॥५॥

Uktopapattisiddhāṁ samastavādānāmanupapannatāmanuvadannupapattisiddhaṁ spandatattvamevāstīti pratijānāti yuktyanubhavāgamajño rahasyagurupravaraḥ


Na duḥkhaṁ na sukhaṁ yatra na grāhyaṁ grāhakaṁ na ca|
Na cāsti mūḍhabhāvo'pi tadasti paramārthataḥ||5||


Iha yatkiñcidduḥkhasukhādyāntaraṁ nīlapītādikaṁ bāhyaṁ grāhyaṁ yaccaitadgrāhakaṁ puryaṣṭakaśarīrendriyādi tattāvatsauṣuptavadasañcetyamānaṁ sphuṭameva nāstīti vaktuṁ śakyam| Yadāpi tu sañcetyate tadā sañcetyamānasyāpyasya caitanyamayatvāccaitanyamevāstītyāyātam| Yadāhuḥ

Prakāśātmā prakāśyo'rtho nāprakāśaśca sidhyati|

Iti rahasyatattvavido'smatparameṣṭhinaḥ śrīmadutpaladevapādāḥ śrīmadīśvarapratyabhijñāyām| Ihāpi vakṣyate—

Tatsaṁvedanarūpeṇa tādātmyapratipattitaḥ

Ityato duḥkhasukhādi nīlādi tadgrāhakaṁ ca yatra nāsti tatprakāśaikaghanaṁ tattvamasti| Nanvevaṁ sarvagrāhyagrāhakocchede śūnyātmaiva tattvamityāyātaṁ netyāha na cāsti mūḍhabhāvo'pi iti| Mūḍhabhāvo mūḍhatvaṁ śūnyarūpatāpi yatra nāsti so'pi hi na prathate kathamasti prathate cettarhi prathātmakatvānnāsau kaschcitprathaivāsti na ca prathāyāḥ kadācidabhāvo bhavati tadabhāve prathābhāvasyāpyasiddheḥ| Bhaviṣyati caitat

Na tu yo'ntarmukho bhāvaḥ|

Ityatra| Api mūḍhabhāva aiśvaryātmakavimarśaśūnyaprakāśamātratattvo brahmarūpo'pi yatra nāsti yacchrutyantavidaḥ pratipannāḥ vijñānaṁ brahma iti tasyāpi svātantryātmakaspandaśaktiṁ vinā jaḍatvāt| Yathoktaṁ pratyabhijñāyām

Svabhāvamavabhāsasya vimarśaṁ viduranyathā|
Prakāśo'rthoparakto'pi sphaṭikādijaḍopamaḥ||

Iti| Bhaṭṭanāyakastotre'pi

Napuṁsakamidaṁ nātha paraṁ brahma phaletkiyat|
Tvatpauruṣī niyoktrī cenna syāttvacchaktisundarī||

Iti| Evaṁ ca yatra sthitam ityataḥ prabhṛti yattattvaṁ vicāritaṁ tadevāsti taccāstyeva paramārthato yuktyanubhavāgamasiddhena rūpeṇa paramārthata eva cākalpitena pūrṇena rūpeṇāsti na tu nīlādivatkalpitena| Yathoktaṁ mahāgurubhiḥ

Evamātmanyasatkalpāḥ prakāśasyaiva santyamī|
Jaḍāḥ prakāśa evāsti svātmanaḥ svaparātmabhiḥ||

Iti| Tatrabhavadbhartṛhariṇāpi

Yadādau ca yadante ca yanmadhye tasya satyatā|
Na yadābhāsate yasya satyatvaṁ tāvadeva hi||

Iti| Sāvadhāraṇatvātsarvavākyānāmevakāro'tra triryorjyaḥ| Evamanena sūtreṇa sukhādyākārasaṁvitsantānavādināṁ sukhādikaluṣitapramātṛtattvavādināṁ grāhyagrāhakanānātvavādināṁ sarveṣāmabhāvavādināṁ niṣparāmarśaprakāśabrahmavādināṁ ca matamanupapannatvādasattvenānūdya pāramārthikaṁ spandaśaktirūpameva tattvamastīti pratijñātam| Atha ca yasminnasmin sopadeśasāvadhānamahānubhāvapariśīlye sphurattāsāre spandatattve sphurati duḥkhasukhagrāhyagrāhakatadabhāvādikamidaṁ sadapi na kiñcideva sarvasyaitaccamatkāraikasāratvāttadevaitadastītyupadiṣṭam| Yanmahāguravaḥ

Duḥkhānyapi sukhāyante viṣamapyamṛtāyate|
Mokṣāyate ca saṁsāro yatra mārgaḥ sa śāṅkaraḥ||

Iti| Śāṅkaro mārgaḥ— śaṅkarātmasvabhāvaprāptihetuḥ parāśaktirūpaḥ prasaraḥ||5||


Ao insistir (anuvadan) na impossibilidade (anupapannatām) de todas (samasta) as doutrinas, ou teorias --vādāḥ-- (vādānām), a qual foi provada (siddhām) pelo supradito (ukta) argumento (upapatti), o principal (pravaraḥ) Guru (guru) do ensinamento secreto (rahasya) --isto é, o sábio Utpaladeva--, que conhece (jñaḥ) os Āgamas, ou escrituras reveladas, (āgama) (junto com) os seus argumentos (yukti), (e que adicionalmente) possui experiência (pessoal referente a tudo isso) (anubhava), reconhece (pratijānāti) (que) "apenas (eva) o princípio (tattvam) da Suprema Vibração (spanda) provado (siddham) por meio de argumentos (upapatti) é (a Verdade) (asti... iti)":


Onde (yatra) (não há) nem (na) dor (duḥkham), nem (na) prazer (sukham), nem (na) objeto (grāhyam) e nem (na ca) sujeito (grāhakam); (onde) o estado (bhāvaḥ) de insensibilidade (mūḍha) sequer (api) existe (na ca... asti)... este (tad) é (asti), no mais elevado sentido (paramārthatas), (o princípio do Spanda)||5||


Aqui --isto é, neste mundo-- (iha), qualquer que seja o (yad kiñcid) objeto (grāhyam) interno (āntaram), (como) dor (duḥkha), prazer (sukha), etc. (ādi), (qualquer que seja o) objeto (grāhyam) externo (bāhyam) (, como) azul (nīla), amarelo (pīta), etc. (ādikam), e (ca) qualquer que seja o (yad) experimentador (grāhakam) disto --isto é, destes objetos-- (etad) (como) Puryaṣṭaka --corpo sutil, veja a nota 11 abaixo do comentário do aforismo anterior-- (puryaṣṭaka), corpo (grosseiro) (śarīra), Indriyas (indriya)1 , etc. (ādi) (que possa haver)... (tudo) isto (tad) é como (vat) o sono profundo (sauṣupta). Assim (iti), pode-se (śakyam) dizer (vaktum) (que) evidentemente (sphuṭam eva) não (na) existe (asti) enquanto (tāvat) não for percebido (asañcetyamānam)|

Não obstante (api tu), quando (yadā) (tudo isto, ou seja, objetos e experimentadores) é percebido (sañcetyate), então (tadā), mesmo (api) isto --isto é, objetos e experimentadores-- (asya) que está sendo percebido --sañcetyamāna-- (sañcetyamānasya), visto que é pleno (mayatvāt) de Caitanya, ou Consciência Absoluta, (caitanya), é (asti) apenas (eva) Consciência Absoluta (caitanyam). Esta é (a conclusão à qual se) chega (iti āyātam)|

(Isto é) o que o venerabilíssimo (śrīmat... pādāḥ) Utpaladeva (utpaladeva), nosso (asmad) bisavô Guru (parameṣṭhinaḥ), que conhece (vidaḥ) o Princípio (tattva) secreto (rahasya), disse (āhuḥ) na (sua) bela e sagrada (śrīmat) Īśvarapratyabhijñā (īśvara-pratyabhijñāyām)2 :

"O objeto (arthaḥ) que é manifestado (prakāśyaḥ) é da natureza (ātmā) de Prakāśa, ou Luz --isto é, Śiva-- (prakāśa), e (ca) o que não é Prakāśa, ou Luz, (aprakāśaḥ) não (na) pode ser estabelecido (como existente) (sidhyati... iti) --uma tradução alternativa seria "não vem à existência", visto que a raiz "sidh" possui vários significados (ser estabelecido, ou provado, vir à existência, etc.)--"|

Aqui --isto é, na Īśvarapratyabhijñā de Utpaladeva-- (iha), dir-se-á também (api vakṣyate):

"Em virtude de possuir a forma (rūpeṇa) de Sua (tad) percepção, ou conhecimento (saṁvedana) (, e) devido à aquisição (pratipattitaḥ) de identidade (com Ele) (tādātmya... iti)"|

Portanto (atas), esta (tad) única (eka) massa compacta (ghanam) de Prakāśa, ou Luz, (prakāśa) na qual (yatra) não há nem (na asti) dor (duḥkha), prazer (sukha), azul (nīla), etc. (ādi... ādi) nem (ca) o experimentador (grāhakam) destes (tad), é (asti) o Princípio (Supremo) (tattvam)|

Uma objeção (nanu): "Assim (evam), quando há a extinção (ucchede) de todos (sarva) os objetos (grāhya) (e de seus respectivos) experimentadores (grāhaka), o Princípio (Supremo) (tattvam) é (ātmā) exclusivamente (eva) um Vazio (śūnya)", esta é (a conclusão à qual se) chega (iti āyātam). (O autor das Spandakārikā-s, isto é, Vasugupta segundo Kṣemarāja,) disse (āha): "Não" (na iti). (E acrescentou): "E (ca) não (na... asti) há sequer (api) uma condição, ou estado (bhāvaḥ), de insensibilidade (mūḍha... iti)"|

O estado (bhāvaḥ) de insensibilidade (mūḍha) (aparece) como a insensibilidade (mesma) --isto é, manifesta-se como tal-- (mūḍhatvam) (ou) também (api) (pode aparecer) sob a forma (rūpatā) de vazio --isto é, não se manifesta de modo algum-- (śūnya). No caso (yatra) em que não há (insensibilidade manifestando-se) (na asti), aquele (estado de insensibilidade) (saḥ) sem dúvida também não (hi na) se manifesta (prathate) (api). (Então,) como (katham) existirá (asti)? --isto é, como se pode dizer que há um estado de insensibilidade, então?--. (Por sua vez,) se (ced) se manifestar (prathate), nesse caso (tarhi), visto que resplandece (prathā-ātmakatvāt), aquele (estado de insensibilidade) (asau) não (na... kaścid) é nada (senão) Luz (prathā), verdadeiramente (eva). Jamais (na ca... kadācid) há (bhavati) ausência (abhāvaḥ) de Luz (prathāyāḥ). Em Sua (tad) ausência --abhāva-- (abhāve), até mesmo (api) a ausência --abhāva-- (abhāvasya) de Luz (prathā) não pode ser provada --asiddha-- (asiddheḥ)|

Este (assunto) (etad) ocorrerá (bhaviṣyati ca) aqui --isto é, nas Spandakārikā-s; especificamente em I, 16-- (atra) (também). --Visto que Kṣemarāja cita apenas o início do aforismo, não traduzirei o seu texto como tal porque ele não faz sentido algum sem o restante, mas acrescentarei a tradução completa em seguida--:

"Na tu yo'ntarmukho bhāvaḥ..."|

--Agora, o décimo sexto aforismo completo da primeira seção das Spandakārikā-s:

Na tu yo'ntarmukho bhāvaḥ sarvajñatvaguṇāspadam|
Tasya lopaḥ kadācitsyādanyasyānupalambhanāt||16||

Não (na tu... kadācid) há (syāt) jamais cessação (lopaḥ) daquele (tasya) estado, ou natureza (bhāvaḥ), interior (antarmukhaḥ) que (yaḥ) (é) a morada (āspadam) do atributo (guṇa) de onisciência (sarvajñatva), em razão da não-percepção (anupalambhanāt) de outro (anyasya).

Assim, o significado está agora claro. A primeira parte do texto a seguir trata daquilo que os seguidores do Vedānta [especialmente o Advaitavedānta, ou Vedānta Não-dualista, veja Primeiros Passos (1), Primeiros Passos (2) e Primeiros Passos (3) para mais informações] afirmam a respeito da Realidade Absoluta, a qual chamam de "Brahma". Segundo eles, Brahma é meramente Conhecimento, ou Luz, completamente desprovido de Poder (Vimarśa). Este ponto é discutido por Kṣemarāja até certa medida, visto ser extremamente complexo. Agora Kṣemarāja continua a falar... ouça-o atentamente.--

Além disso (api), o estado (bhavaḥ) de insensibilidade (mūḍha) tomado como (rūpaḥ) Brahma (brahma), (isto é), o princípio (tattvaḥ) que é meramente (mātra) Prakāśa, ou Luz, (prakāśa) desprovido (śūnya) de Vimarśa --isto é, Spanda, ou Śakti-- (vimarśa), que consiste (ātmaka) em Soberania e pleno Poder (aiśvarya) --em outras palavras, "Brahma", conforme concebido pelos seguidores do Advaitavedānta, é meramente Luz, ou Prakāśa, sem Poder, ou Śakti-- não (na) existe (asti) neste caso (yatra) tampouco (api) --isto é, tal estado de insensibilidade sequer existe em Brahma--. Vale dizer (yad), os conhecedores (vidaḥ) do Vedānta --especialmente o Advaitavedānta, ou Vedānta Não-dualista, neste contexto-- (śruti-anta) estão convencidos de (pratipannāḥ) (que) "Brahma (brahma) (é apenas) Conhecimento (vijñānam... iti)", (mas isso não pode ser verdade,) visto que (se assim fosse,) até mesmo esse (Brahma) seria inerte, ou insensível (tasya api... jaḍatvāt), por causa de Seu estado sem (vinā) o Poder (śaktim) da Suprema Vibração, ou Spanda, (spanda) cuja natureza (ātmaka) é a Liberdade Absoluta (svātantrya)3 |

Como (yathā) foi dito (uktam) na Pratyabhijñā --em outras palavras, dentro da Īśvarapratyabhijñā de Utpaladeva-- (pratyabhijñāyām):

"(Os sábios) sabem (viduḥ) que Vimarśa --isto é, Spanda, ou Śakti-- (vimarśa) (é) a natureza essencial (sva-bhāvam) da Suprema Luz (avabhāsasya). De outro modo (anyathā), Prakāśa, ou Luz, (prakāśaḥ) (seria) tão inerte (jaḍa-upamaḥ) (quanto) um cristal (sphaṭika), etc. (ādi), ainda que (api) colorido (uparaktaḥ) pelo objeto (arthaḥ... iti)"||

No hino (stotre) (conhecido como) Bhaṭṭanāyaka (bhaṭṭanāyaka) (está) também (api) (expresso o mesmo ensinamento):

"Ó Senhor (nātha), quanto (kiyat) fruto seria produzido (phalet) (por) este (idam) Supremo (param) Brahma (brahma) eunuco (napuṁsakam) se (ced) o Teu (tvat... tvat) belo (sundarī) (e) feminino (paruruṣī) Poder soberano (niyoktrī... śakti) não existisse (na syāt... iti)?"||

Assim (evam ca), unicamente (eva) aquele (tad) Princípio (tattvam) "é, ou existe" (asti), o qual (yad) foi discutido (vicāritam) (no segundo aforismo das Spandakārikā-s -Seção 1-) a começar (prabhṛti) por isto (atas): "Yatra sthitam" (yatra sthitam iti) --Veja o Aforismo 2--. E (ca) apenas (eva) Aquilo (tad) existe (asti) no sentido supremo (paramārthatas), como é provado (siddhena rūpeṇa) pelo raciocínio (yukti), pela experiência (anubhava) (e) pelas escrituras reveladas (āgama). (Isto) existe (asti) verdadeiramente (paramārthatas eva ca) sob uma forma (rūpeṇa) natural (akalpitena), perfeita (pūrṇena), e não (na tu) de uma maneira artificial --isto é, não-natural-- (kalpitena) (tal) como (vat) o azul (nīla), etc. (ādi)|

Como (yathā) foi dito (uktam) pelo grande (mahā) Guru --lit. "Gurus", tenha em mente que o que foi especificado na nota 2 é válido aqui também-- (gurubhiḥ):

"Assim (evam), estes (amī) objetos inertes (jaḍāḥ) são (santi) unicamente (eva) de Prakāśa, ou Luz --isto é, pertencem apenas a Prakāśa-- (prakāśasya) (e) quase (kalpāḥ) inexistentes (asat) em si mesmos (ātmani). A Luz (prakāśaḥ) de Si Mesmo (sva-ātmanaḥ) apenas (eva) existe (asti) (tanto como) o próprio Ser (quanto como) o dos outros (sva-para-ātmabhiḥ... iti) --a saber, muito embora pareça haver uma multidão de seres e objetos, tudo é unicamente o próprio Prakāśa--"4 ||

(Como) também (api) (foi expresso pelo) venerabilíssimo (tatrabhavat) Bhartṛhari, (o famoso śābdika, ou gramático) --Veja a nota 9 abaixo do comentário sobre o terceiro aforismo-- (bhartṛhariṇā):

"A Realidade (satyatā) pertence Àquilo (tasya) que (yad... yad... yad) (existe) no início (ādau), no fim (ante) e (ca... ca) no meio (madhye), (e) não (na) àquilo (tasya) que (yad) (meramente) aparece (ābhāsate). (Isto é assim), porque (hi) a Realidade (satyatvam) daquilo (que apenas aparece) (yasya) (existe) apenas (eva) enquanto (tāvat... iti) (tal coisa permanecer manifesta)"||

Visto haver restrição ou limitação (sa-avadhāraṇatvāt) em todas (sarva) as frases (anteriores) (vākyānām), a palavra (kāraḥ) "eva" --isto é, "apenas"-- (eva) há de ser adicionada (yojyaḥ) três vezes (triḥ) aqui (atra)5 |

Desta maneira (evam), por este (anena) aforismo --isto é, o quinto aforismo das Spandakārikā-s-- (sūtreṇa) declara-se (pratijñātam) (que) "o Princípio (tattvam) Supremo (pāramārthikam) é (asti) unicamente (eva) (Aquilo) cuja forma (rūpam) (é) o Poder (śakti) da Suprema Vibração (spanda... iti)", ao insistir (anūdya) sobre o "asattva", ou "inexistência, irrealidade" --leia o presente quinto aforismo para compreender isso plenamente-- (asattvena) devido à inaplicabilidade (anupapannatvāt) da doutrina (ou doutrinas), ou ponto(s) de vista (matam), daqueles que proclamam (vādinām... vādinām... vādinām... vādinām... vādinām) o fluxo contínuo (santāna) de cognições (saṁvid) sob a forma (ākāra) de prazer (sukha), etc. (ādi)6 , (ou) o princípio (tattva) do experimentador (pramātṛ) contaminado (kaluṣita) pelo prazer (sukha), etc. (ādi)7 , (ou) a multiplicidade (nānātva) de sujeitos (grāhaka) (e) objetos (grāhya)8 , (ou) a ausência (abhāva) de todos (, sujeitos e objetos) (sarveṣām)9 , ou --lit. "e"-- (ca) (que) Brahma (brahma) (seja) Prakāśa, ou Luz, (prakāśa) sem atividade --lit. "desamparado"-- (niṣparāmarśa)10 |

Além disso (atha ca), (quando) este mesmíssimo (yasmin asmin) princípio (tattve) da Suprema Vibração (spanda), cuja essência é (sāre) Sphurattā --isto é, a resplandecente e vibrante Śakti, ou Poder divino de Śiva-- (sphurattā), torna-se manifesto (sphurati) (porque é) buscado (pariśīlye) por uma pessoa nobre (mahā-anubhāva), atenta (sa-avadhāna) (e) dotada do ensinamento (correto) (sa-upadeśa), (então,) muito embora (api) (tudo) isto (idam), a saber, "dor (duḥkha), prazer (sukha), objeto (grāhya), sujeito (grāhaka), ausência (abhāva) disto --isto é, de dor, prazer, objeto e sujeito-- (tad), etc. (ādikam)", tenha lugar (sat), (não significa) absolutamente nada (na kiñcid eva) (para ela), visto que (ela considera) tudo como a quintessência do deleite deste (princípio da Suprema Vibração, ou Spanda) (sarvasya etad-camatkāra-ekasāratvāt)11 . De acordo com o que foi ensinado (iti upadiṣṭam), este (princípio da Suprema Vibração) (etad) é isto (que acaba de ser explicado) (tad), por certo (eva)|

O grande (mahā) Guru --lit. "Gurus", tenha em mente que o que foi especificado na nota 2 é válido aqui também-- (guravaḥ) (mencionou) isso (yad) (também):

"Este (saḥ) (é) o caminho (mārgaḥ) de Śaṅkara --isto é, Śiva-- (śāṅkaraḥ) no qual (yatra) até mesmo (api... api) as dores (duḥkhāni) são agradáveis (sukhāyante), o veneno (viṣam) é transformado em néctar (amṛtāyate), e (ca) o Saṁsāra, ou Transmigração --isto é, a servidão--, (saṁsāraḥ) torna-se um meio de Liberação (mokṣāyate... iti)"||

O caminho (mārgaḥ) de Śaṅkara --isto é, Śiva-- (śāṅkaraḥ) (é) a expansão (prasaraḥ) cuja forma (rūpaḥ) é o Supremo (parā) Poder (śakti). (E, como resultado, esta expansão é também) a causa, ou meio (hetuḥ), para a consecução (prāpti) da natureza essencial (sva-bhāva) do Ser de Śaṅkara (śaṅkara-ātma)||5||

1  Os Indriyas são formados a partir dos Jñānendriyas (Poderes de percepção) e Karmendriyas (Poderes de ação). Veja a Tabela de Tattvas para mais informações.Return 

2  Embora Utpaladeva seja uma só pessoa, a frase inteira está no plural porque "pādāḥ" está no plural. O termo "pādāḥ" (acrescentado a "śrīmadutpaladeva") provém de "pāda" (pé). Este último é por vezes acrescentado a nomes próprios ou títulos como sinal de respeito. Neste caso, poderia ser traduzido como "o venerável". Contudo, por estar também incluído "śrīmat" (sagrado, venerável, belo, etc.), decidi interpretar a expressão completa (śrīmadutpaladevapādāḥ) como: "o venerabilíssimo Utpaladeva", a fim de evitar redundância (entendeu?). Se "pādāḥ" não estivesse ali, mas meramente "śrīmadutpaladevaḥ" no singular, a frase inteira também estaria no singular. Note que não estou incluindo a estrofe de Utpaladeva, obviamente:
"Yadāha... Iti rahasyatattvavidasmatparameṣṭhī śrīmadutpaladevaḥ śrīmadīśvarapratyabhijñāyām" ou "(Isto é) o que (yad) o venerável (śrīmat) Utpaladeva (utpaladevaḥ), nosso (asmad) bisavô Guru (parameṣṭhī), que conhece (vit) o Princípio (tattva) secreto (rahasya), disse (āha) na (sua) bela e sagrada (śrīmat) Īśvarapratyabhijñā (īśvara-pratyabhijñāyām)". A palavra "iti" não foi traduzida aqui porque indica as aspas da estrofe de Utpaladeva, que aparecem sob a forma de reticências neste caso. Assim, "iti" está incluído na tradução da estrofe, compreendido? Finalmente, tanto "āhuḥ" quanto "āha" são conjugações no Pretérito Perfeito Reduplicado (um tipo de tempo pretérito) derivadas da raiz "ah" (dizer, falar). Esta raiz é "defectiva", isto é, só se conjuga em pessoas e tempos específicos. A maioria das raízes conjuga-se em todas as pessoas, tempos, modos, etc., como você certamente sabe.Return 

3  O Advaitavedānta postula a existência de Brahma como a Realidade Absoluta. De qualquer forma, visto que esse Brahma é meramente Conhecimento, ou Prakāśa (Luz), a questão sobre como este universo veio à manifestação simplesmente surge. A fim de responder a essa questão, o Advaitavedānta introduz o conceito de Māyā como o poder que manifesta, sustenta e dissolve o universo. Ainda assim, a presença de Māyā, por sua vez, introduz um novo problema: Ela é Brahma ou não? Se Ela for Brahma, então Brahma não é mero Prakāśa, ou Luz, mas conteria também Vimarśa, ou Poder, e Poder implica "atividade". Assim, Brahma não seria a Realidade subjacente desprovida de todo tipo de atividade, como postulado pelo Advaitavedānta. Por outro lado, se Māyā não for Brahma, consequentemente haveria duas Realidades: Brahma e Māyā. Obviamente, se isso for verdade, o não-dualismo no Advaitavedānta (Vedānta não-dualista) seria destruído.

Para ter o seu problema resolvido, o Advaitavedānta especifica que Māyā não está nem dentro nem fora de Brahma, mas é irreal, assim como o universo manifestado por Ela. Essa teoria simplesmente não se sustenta, de acordo com o sistema Trika. O Trika resolve o problema de Brahma e Māyā declarando que a Realidade Absoluta contém tanto Prakāśa (Luz ou Conhecimento) quanto Vimarśa (Poder). Portanto, é desnecessário introduzir o princípio de Māyā para explicar a manifestação, etc., do universo, visto que o Ser Supremo é Aquele que conhece e faz tudo em toda parte, e tudo o que é conhecido e feito por Ele é completamente real enquanto durar. O conceito de irrealidade "completa" no tocante ao mundo tampouco é necessário. Não resta dúvida de que há Māyā no Trika também, mas sob a forma de um tattva, ou categoria (o sexto), da manifestação universal --Veja a Tabela de Tattvas para mais informações--. E essa Māyā do Trika é real, visto que o Poder divino, ou Spanda, é o Seu núcleo. Certo, basta destas sutilezas.Return 

4  Uma tradução alternativa de "svaparātmabhiḥ" poderia também ser: "como sendo (ātmabhiḥ) o próprio Ser (sva) e os outros (para)", isto é, como Sujeito e objetos.Return 

5  Portanto, de acordo com Kṣemarāja, a primeira linha da estrofe de Bhartṛhari deve ser compreendida da seguinte maneira:
"Yadādau ca tasyaiva satyatā yadante ca tasyaiva satyatā yanmadhye ca tasyaiva satyatā" ou "A Realidade (satyatā... satyatā... satyatā) (pertence) apenas (eva... eva... eva) Àquilo (tasya... tasya... tasya) que (yad... yad... yad) (existe) no início (ādau), no fim (ante) e (ca... ca... ca) no meio (madhye)".Return 

6  Kṣemarāja está se referindo aos budistas.Return 

7  Kṣemarāja está se referindo aos Cārvākas. Cārvāka é a filosofia materialista da Índia. O ensinamento central aqui é que a matéria é a única realidade. Assim, o Ser é identificado com o corpo físico, de acordo com esta escola. Este sistema é também conhecido como Lokāyata [Veja Primeiros Passos (2) para mais informações].Return 

8  Kṣemarāja está se referindo aos seguidores do Sāṅkhya [Veja Primeiros Passos (1), Primeiros Passos (2) e Primeiros Passos (3) para mais informações sobre este sistema filosófico].Return 

9  Kṣemarāja está se referindo à escola Nāstivāda, ou niilista.Return 

10  Kṣemarāja está se referindo ao Vedānta, é claro; especialmente ao Advaitavedānta [Veja Primeiros Passos (1), Primeiros Passos (2) e Primeiros Passos (3) para mais informações sobre este sistema filosófico].Return 

11  Tive de juntar tudo e adicionar algumas palavras para dar certa estrutura à frase, porque o modo de escrever em sânscrito não é como o do português. Literalmente: "sarvasyaitaccamatkāraikasāratvāt..." - "de tudo (sarvasya), visto que é a quintessência (ekasāratvāt) do deleite (camatkāra) disto --isto é, do Spanda-- (etad)". Dando certa estrutura agora: "visto que tudo é a quintessência (sarvasya... ekasāratvāt) do deleite (camatkāra) disto (Spanda) (etad)". Bem, espero que você tenha compreendido. Portanto, lembre-se disto: como a estrutura sânscrita não pode ser "sempre" traduzida palavra por palavra para o português, de vez em quando tenho de organizar as frases um pouco, se não você não compreenderá os seus significados.Return 

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Gabriel Pradīpaka

Este documento foi concebido por Gabriel Pradīpaka, um dos dois fundadores deste site, e guru espiritual versado em idioma Sânscrito e filosofia Trika.

Para maior informação sobre Sânscrito, Yoga e Filosofia Indiana; ou se você quiser fazer um comentário, perguntar algo ou corrigir algum erro, sinta-se à vontade para enviar um e-mail: Este é nosso endereço de e-mail.



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